Produção Industrial do Uruguai Cresce 4,8% em Agosto, Impulsionada pela Refinaria de Petróleo

A produção industrial do Uruguai apresentou um crescimento de 4,8% em agosto de 2026, em comparação com o mesmo mês de 2025, conforme dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na terça-feira, 13 de outubro. No entanto, a maior parte desse avanço foi impulsionada pelo desempenho da refinaria estatal de petróleo, que esteve parada para manutenção durante parte de agosto do ano anterior, resultando em um aumento expressivo em sua produção. Sem considerar o efeito da refinaria, a produção industrial registrou um crescimento mais modesto de 1,0%, indicando uma desaceleração em outros setores da indústria.

Uruguai: Crescimento Industrial com Ressalvas em Agosto

O Uruguai, uma economia de exportação focada em produtos como carne bovina, celulose, soja e laticínios, divulgou números que apontam para um aumento geral de 4,8% em sua produção industrial em agosto de 2026. Este resultado, embora positivo em sua totalidade, esconde nuances importantes sobre a saúde do setor produtivo do país. A influência da refinaria de petróleo, que teve sua produção mais que dobrada após um período de inatividade para reparos em 2025, distorce a imagem real do desempenho industrial.

Sem a contribuição da refinaria, o crescimento da produção fabril foi de apenas 1,0%, uma queda significativa em relação aos 4,4% registrados em julho. Este dado levanta preocupações sobre a dinâmica de outras indústrias uruguaias, que parecem ter perdido fôlego no período. O desempenho acumulado de janeiro a agosto de 2026, contudo, ainda se mantém positivo, com a produção total 3,3% acima do mesmo período de 2025. Sem a refinaria, esse avanço é de 3,0%.

Os Estados Unidos continuam sendo um parceiro comercial importante para o Uruguai, tendo adquirido US$ 160 milhões em bens em setembro, o que representa 11% das exportações totais do país, com destaque para carne bovina e celulose. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a análise dos próximos indicadores, que serão divulgados em novembro, será crucial para determinar se o crescimento fora do setor de refino de petróleo conseguirá se recuperar da modesta taxa de 1,0% observada em agosto. O Uruguai ocupa a 7ª posição em um ranking de 14 países na América Latina, com 45,9 pontos, segundo o Latin America Power Index de outubro de 2026.

O Efeito da Refinaria na Produção Geral

O Índice de Volume da Produção Industrial do Uruguai, com base em 2018 igual a 100, atingiu 117,4 em agosto de 2026, contra 112,0 no ano anterior. Essa alta foi significativamente impactada pela refinaria estatal ANCAP. O salto de 136,1% na produção da refinaria adicionou 3,8 pontos percentuais aos 4,8% totais. O INE atribuiu essa variação ao período de reparos no boia de petróleo de José Ignacio, um ponto de atracação para navios-tanque no litoral atlântico, que causou a interrupção da produção em agosto de 2025.

Em julho, a produção da refinaria havia registrado um aumento de apenas 1,1% em relação ao ano anterior. A discrepância de quase quatro pontos percentuais entre os dados gerais e os excluindo a refinaria em agosto evidencia o impacto pontual e não sustentável desse setor no crescimento geral. Para os consumidores americanos, é importante notar que o Uruguai é um fornecedor relevante de carne e celulose, e os EUA absorveram 11% de suas exportações de bens em setembro.

Desempenho Setorial: Lideranças e Quedas

O setor de processamento de alimentos mostrou um crescimento de 5,4% em agosto, desacelerando em relação aos 10,5% de julho, e contribuiu com 2,3 pontos para o total. Dentro deste segmento, a produção de laticínios disparou 16,1%, enquanto a de carnes bovinas registrou uma queda de 9,7%. A indústria de papel e produtos de papel avançou 4,4%, com o subgrupo de celulose, papel e cartão crescendo 3,5%. A celulose é o segundo maior item de exportação do Uruguai no ano, atrás apenas da carne bovina.

Em contrapartida, as bebidas foram o principal ponto de baixa, com uma queda de 30,5% após uma retração de 32,4% em julho, retirando 1,7 ponto do total. A produção de eletrônicos e produtos ópticos sofreu um colapso de 90,1%, e o setor químico registrou uma queda de 5,6%. O emprego fabril não acompanhou o ritmo da produção, com o índice de pessoas empregadas caindo 0,9% em relação a agosto de 2025. As horas trabalhadas por operários de produção ficaram praticamente estáveis, com um leve aumento de 0,3%.

Exportações Uruguaia e o Mercado Americano

Em setembro de 2026, as exportações de bens do Uruguai totalizaram US$ 1,40 bilhão, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. As exportações de janeiro a setembro cresceram 1% para US$ 10,37 bilhões. Os Estados Unidos figuraram como o quarto maior comprador em setembro, com US$ 160 milhões, representando 11% do total, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Deste valor, US$ 74 milhões foram de carne bovina e US$ 29 milhões de celulose, embora as vendas de celulose tenham caído 23%.

A carne bovina se mantém como o principal produto de exportação do Uruguai no acumulado do ano, com US$ 2,02 bilhões, seguida pela celulose com US$ 1,76 bilhão. As vendas de soja sofreram uma queda de 32%, totalizando US$ 832 milhões nos primeiros nove meses, impactadas por uma seca no início do ano. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a análise dos dados de setembro, que incluem o desempenho dos Estados Unidos como destino das exportações uruguaias, oferece um panorama importante para investidores e importadores.

O Que os Dados Significam para o Futuro

Para investidores e importadores dos Estados Unidos, o crescimento da produção industrial uruguaia em agosto, embora aparente, deve ser interpretado com cautela. O avanço de 1,0% na produção fora do setor de refino indica um ímpeto menor para os meses finais do ano. A queda de 9,7% na produção de carne bovina em agosto, apesar do aumento de 9% no valor das exportações para os EUA em setembro, levanta questões sobre a capacidade de abastecimento futuro, visto que as exportações de carne dependem diretamente do volume de gado processado nas plantas frigoríficas.

O que ainda não se sabe é se a refinaria operou normalmente em setembro, período em que enfrenta uma base de comparação ainda mais fraca, com um índice de produção de apenas 1,1 em setembro de 2025. Os dados de setembro, previstos para 11 de novembro, também indicarão se o crescimento industrial, excluindo o refino, conseguirá se recuperar. O INE não apresentou motivos para a queda de 30% na produção de bebidas, a segunda consecutiva. É importante notar que o índice mede apenas o volume, sem considerar preços ou lucros, e exclui a produção agrícola, como a soja. Conforme o Campo Grande NEWS analisou, a capacidade utilizada pelas fábricas em agosto foi de 65,5%, ligeiramente abaixo dos 67,2% de um ano antes, o que pode sinalizar um cenário de ociosidade em alguns setores.