O principal fundo negociado nos Estados Unidos que replica o desempenho do mercado brasileiro, o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), registrou uma valorização expressiva de 14,0% em uma semana após o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil. A alta, que também impulsionou as American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras em 16,9%, reflete o otimismo dos investidores com a perspectiva de um futuro governo mais alinhado com políticas de austeridade fiscal e cortes na taxa de juros. A disputa eleitoral, no entanto, segue acirrada, com o segundo turno marcado para 25 de outubro, definindo os rumos da economia e do mercado.
A reação positiva dos mercados, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, está diretamente ligada ao resultado do primeiro turno, que apresentou Flávio Bolsonaro à frente de Lula. Essa configuração, que superou as expectativas de algumas pesquisas, sinaliza para os investidores a possibilidade de um cenário econômico mais previsível e favorável a investimentos. A performance do EWZ e da Petrobras demonstra a confiança do mercado no potencial de valorização dos ativos brasileiros, embora a Vale tenha apresentado uma leve desvalorização no mesmo período. A flutuação cambial, com o dólar em queda, também contribuiu para o aumento dos retornos em reais para investidores estrangeiros.
Mercados Reagem com Euforia ao Liderança de Flávio Bolsonaro
O dia seguinte à votação do primeiro turno, 5 de outubro, marcou o início de uma forte alta nos mercados. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em recorde, impulsionado pela performance positiva das ações. Em Nova York, o EWZ saltou 12,5% em um único dia, consolidando a tendência de alta ao longo da semana. A valorização das ADRs da Petrobras, uma das maiores empresas estatais do país, também foi notável, sinalizando a confiança dos investidores no setor energético sob um possível novo governo.
O real fortalecido frente ao dólar, com uma queda de 4,2% entre 2 e 9 de outubro, amplificou os ganhos dos investidores americanos. Um real mais forte significa que o dinheiro investido no Brasil rende mais quando convertido para dólares. Essa combinação de valorização das ações e apreciação da moeda local criou um cenário favorável para os fundos de investimento e ADRs brasileiros negociados no exterior, como verificado pelo Campo Grande NEWS.
Otimismo com Gastos Públicos e Juros em Queda
A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno foi interpretada pelo mercado como um sinal de que o Brasil poderá adotar uma política fiscal mais austera. Gestores de fundos, como Daniela Da Costa-Bulthuis da Robeco, apontam que um governo com foco em controle de gastos públicos abre espaço para que o Banco Central continue com a política de redução da taxa de juros, a Selic. A taxa Selic, que já foi reduzida para 13,75% em setembro, tende a beneficiar o mercado de ações e a reduzir o custo do crédito no país.
A perspectiva de juros mais baixos estimula o consumo e o investimento, fatores cruciais para o crescimento econômico. J.P. Morgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, elevou sua recomendação para as ações brasileiras para “overweight”, indicando uma visão positiva sobre o potencial de valorização dos ativos no curto e médio prazo, conforme relatórios de mercado. Essa decisão reforça o sentimento de otimismo que permeia o setor financeiro.
Mercados de Previsão Apontam para Vitória de Flávio Bolsonaro
Plataformas de mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi, indicam uma alta probabilidade de vitória para Flávio Bolsonaro no segundo turno. Os traders apostam em uma chance superior a 88% para sua eleição, refletindo a confiança do mercado em seu plano de governo e nas políticas econômicas propostas. Essa percepção de risco reduzido tem sido um dos principais impulsionadores do desempenho positivo dos ativos brasileiros.
É importante notar que essas previsões são baseadas em apostas com dinheiro real, o que as torna um indicador dinâmico e sensível a notícias e eventos. Elas contrastam com algumas pesquisas de opinião que ainda mostram uma disputa mais acirrada, como a pesquisa Datafolha de 8 de outubro, que apontava Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto contra 45% de Lula, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Essa diferença entre as previsões de mercado e as pesquisas de opinião sugere que o segundo turno ainda reserva surpresas, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.
Fatores de Risco e o Que Esperar do Segundo Turno
Apesar do otimismo, alguns fatores de risco podem reverter a tendência de alta do mercado. A proximidade da disputa eleitoral, o fato de Flávio Bolsonaro ainda não ter apresentado planos fiscais detalhados e a precificação de boas notícias nos ativos já são pontos de atenção. Uma eventual mudança na tendência das pesquisas ou incertezas sobre a política econômica podem impactar negativamente o desempenho dos fundos e ações brasileiras.
Datas importantes a serem observadas incluem a divulgação de dados de inflação nos EUA e no Brasil, além da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic em novembro. O resultado do segundo turno, em 25 de outubro, será o principal determinante para a continuidade da valorização dos ativos brasileiros. Investidores que detêm EWZ ou ADRs brasileiros devem ficar atentos à volatilidade esperada nas próximas semanas, como recomendado pelo Campo Grande NEWS.


