A cesta básica de 13 alimentos em Campo Grande custou R$ 806,56 em setembro, registrando uma alta de 0,18%. Apesar de ser a menor variação mensal entre as capitais brasileiras, o valor ainda representa um peso significativo no orçamento familiar, comprometendo 53,79% do salário mínimo líquido e exigindo mais de 109 horas de trabalho para ser adquirido. O tomate e a batata foram os vilões do mês, enquanto leite e feijão apresentaram quedas. Conforme aponta a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Conab e pelo Dieese, o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas em Campo Grande foi estimado em R$ 7.750,01 em setembro.
Cesta básica: estabilidade com alto custo
A cesta básica em Campo Grande apresentou uma variação mínima de 0,18% entre agosto e setembro, custando R$ 806,56. Essa pequena alta, no entanto, não diminui o impacto financeiro para quem recebe o salário mínimo. A cidade figura como a nona mais cara do país em termos de cesta básica, ficando atrás de Cuiabá (R$ 891,24) e Goiânia (R$ 808,01) no Centro-Oeste, e à frente apenas de Brasília (R$ 773,78) na região. Os dados, divulgados pela Conab e pelo Dieese, revelam um cenário onde a alimentação essencial consome uma fatia considerável da renda.
Campo Grande registra menor alta anual do país
Em um comparativo mais amplo, Campo Grande também se destaca pela menor variação acumulada desde dezembro de 2025, com um aumento de 3,95%. Nos últimos 12 meses, a elevação foi de 3,32%, sendo a segunda menor do Brasil, superada apenas por Boa Vista (2,61%). Essa estabilidade anual, embora positiva, não alivia o peso da cesta básica no bolso do trabalhador, que ainda precisa dedicar muitas horas de trabalho para garantir o sustento da família.
O sobe e desce dos preços em setembro
A aparente estabilidade da cesta em setembro foi resultado de movimentos opostos nos preços dos alimentos. Dos 13 itens pesquisados, cinco tiveram alta e oito registraram queda. O tomate liderou a lista de aumentos, com um expressivo avanço de 19,40%, seguido pela batata, que subiu 13,10%. O arroz agulhinha (4,77%), o óleo de soja (1,70%) e o pão francês (1,10%) também ficaram mais caros. Essa dinâmica de preços evidencia a volatilidade do mercado e a dificuldade em prever o comportamento dos custos.
Em contrapartida, o leite integral apresentou a maior queda, recuando 4,28%. O feijão-carioca (-3,46%), o café em pó (-2,70%), a carne bovina de primeira (-2,47%), a banana (-2,37%), a manteiga (-1,05%), a farinha de trigo (-0,69%) e o açúcar cristal (-0,35%) também tiveram seus preços reduzidos. A queda no preço da carne bovina em Campo Grande foi uma exceção, já que na maioria das 27 capitais pesquisadas o produto encareceu.
Impacto no salário mínimo e custo de vida
Para adquirir a cesta básica de R$ 806,56 em setembro, um trabalhador de Campo Grande com salário mínimo precisou dedicar 109 horas e 28 minutos de seu tempo. Em agosto, esse tempo era ligeiramente menor, 109 horas e 16 minutos. Comparado a setembro do ano passado, houve uma melhora, com a necessidade de dedicar 3 horas e 40 minutos a menos, graças ao reajuste do salário mínimo de R$ 1.518 para R$ 1.621. Conforme o Campo Grande NEWS checou, após o desconto previdenciário de 7,5%, a cesta comprometeu 53,79% do salário mínimo líquido em setembro, um percentual que se mantém elevado.
O Dieese também calcula o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas, considerando diversas despesas essenciais. Em setembro, esse valor foi estimado em R$ 7.750,01, o que representa quase 5 vezes o salário mínimo vigente. A diferença entre o salário pago e o considerado necessário atingiu R$ 6.129,01, evidenciando o gap financeiro enfrentado por muitas famílias. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação em agosto era semelhante, com o mínimo necessário em R$ 7.565,86.
Preços que sobem e descem: o caso da batata e do feijão
Apesar da estabilidade mensal, os preços de alguns itens acumularam altas significativas em 12 meses. A batata, por exemplo, ficou 69,47% mais cara em Campo Grande. O feijão-carioca subiu 27,81% e o tomate, 12,32%. A carne bovina de primeira teve alta de 6,13% e o pão francês, 1,27%. Essas elevações foram parcialmente compensadas pela queda em outros produtos, como o açúcar cristal (-26,04%) e o café em pó (-23,74%) nos últimos 12 meses.
É notável que o leite em Campo Grande foi o único que apresentou redução no acumulado de 12 meses entre as capitais pesquisadas, e o açúcar registrou a maior queda geral. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esses dados reforçam a complexidade do mercado de alimentos e a necessidade de acompanhamento constante dos preços para o planejamento financeiro familiar.

