Centro Pop Amambaí: impasse continua e audiência termina sem acordo

A tensão em torno da instalação do Centro Pop no bairro Amambai, em Campo Grande, segue sem solução. Uma audiência de conciliação realizada na última terça-feira (6) terminou sem acordo entre a prefeitura e os moradores da região. Com o encerramento do prazo nesta sexta-feira (9) para a prefeitura apresentar sua defesa técnica, o impasse se mantém, e o caso agora aguarda a decisão judicial.

Impasse no Amambaí: Centro Pop e moradores em lados opostos

A situação envolvendo o Centro Pop no bairro Amambai, em Campo Grande, atingiu um novo patamar de impasse. Após uma audiência de conciliação que não produziu um consenso entre a prefeitura e os residentes locais, o prazo para que o município apresentasse sua defesa técnica se encerrou nesta sexta-feira (9). O caso, que gerou forte apreensão entre os moradores, especialmente pela proximidade com uma escola, agora caminha para uma resolução judicial, deixando a comunidade em suspense quanto ao futuro da unidade no bairro.

A prefeitura de Campo Grande defende a permanência do Centro Pop na localidade, argumentando que a unidade está instalada em endereço próprio e que a proximidade com a Escola Municipal José Rodrigues Benfica não configura, por si só, ilegalidade ou risco iminente. Para reforçar a segurança, o município afirma ter intensificado o patrulhamento na área com a Guarda Civil Metropolitana em plantão permanente. No entanto, os moradores contestam a efetividade dessas medidas, alegando que a rotina do bairro mudou drasticamente desde a instalação do centro.

Relatos de insegurança, impacto negativo no comércio local e apreensão com a presença de frequentadores em situação de vulnerabilidade nas proximidades da escola formam o cerne das preocupações dos residentes. A exigência por estudos técnicos detalhados, que avaliem os impactos da instalação do Centro Pop no entorno, ganha força diante da falta de acordo. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto o desenrolar dos fatos, buscando trazer todas as nuances deste complexo conflito.

Moradores relatam insegurança e prejuízos

Os moradores do Amambai que ingressaram com a ação contestam veementemente a alegação da prefeitura sobre a segurança na região. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, eles apontam que a presença constante da Guarda Civil Metropolitana não se reflete na prática, e que após o encerramento do expediente do Centro Pop, dezenas de frequentadores permanecem nos arredores, consumindo bebidas alcoólicas e outras substâncias. Essa situação tem gerado um clima de apreensão constante.

A proximidade do Centro Pop com a Escola Municipal José Rodrigues Benfica é um dos pontos mais críticos. Alunos e professores expressam medo com a presença da instituição, e há relatos de pessoas em estado de embriaguez ou sob efeito de drogas na calçada da escola. A tensão se intensificou com denúncias de que, durante as reformas do imóvel do Centro Pop, indivíduos chegaram a subir no muro da unidade para abordar estudantes. Um episódio de invasão ao prédio escolar, noticiado pelo Campo Grande NEWS, agravou ainda mais o receio da comunidade.

O comércio local também sente os efeitos negativos. Um idoso, que atende principalmente crianças e estudantes, relata abordagens ostensivas e agressivas a clientes, além de um aumento significativo nos furtos na vizinhança, como o roubo frequente de hidrômetros de água. O clima de medo e insegurança tem impactado diretamente a atividade comercial e a qualidade de vida dos moradores.

Exigência de estudos técnicos e plano operacional

Diante da falta de consenso, a defesa dos moradores insiste na necessidade de a prefeitura apresentar uma série de estudos técnicos. Entre as exigências estão o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e o Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV), além de análises detalhadas sobre mobilidade urbana, segurança pública e o impacto direto sobre a Escola Benfica, o comércio e os equipamentos urbanos do entorno. Essa documentação é vista como fundamental para uma avaliação completa da situação.

Adicionalmente, os moradores solicitam que a prefeitura apresente um plano operacional detalhado para o Centro Pop. Este plano deve incluir informações sobre horários de atendimento, capacidade da unidade, fluxos de pessoas, metas a serem atingidas e protocolos de gestão de riscos. São esperados também protocolos específicos para resposta e prevenção a incidentes, com foco especial na proteção de crianças, idosos e demais residentes da área. A transparência nas operações é uma demanda central.

Outros documentos requeridos incluem o histórico de acionamentos da Guarda Civil Metropolitana na região e registros de ocorrências formais enviadas por escolas, igrejas e comerciantes do Amambai. Essas informações são consideradas cruciais para dimensionar o problema e buscar soluções eficazes. O Campo Grande NEWS buscou contato com a prefeitura para saber se a manifestação com a documentação exigida foi anexada aos autos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Decisão judicial definirá o futuro do Centro Pop

Com o fim do prazo para a prefeitura se manifestar e juntar aos autos a documentação solicitada, o processo agora segue para a apreciação do juiz. A decisão judicial que for proferida terá o poder de definir o futuro do Centro Pop no bairro Amambai. As possibilidades incluem a manutenção da instalação, uma suspensão temporária das atividades ou a imposição de novas medidas de segurança e adequação, visando mitigar os impactos negativos apontados pelos moradores.

A comunidade aguarda com expectativa o desfecho deste caso, na esperança de que a justiça considere suas preocupações e garanta um ambiente seguro e digno para todos os envolvidos. A resolução deste impasse é fundamental para restabelecer a tranquilidade e a harmonia no bairro Amambai, permitindo que tanto os serviços sociais quanto a vida comunitária possam coexistir de forma pacífica e segura.