Senado do Paraguai Recebe Relatório Secreto do Banco Ueno

O Senado do Paraguai abriu um relatório sigiloso de 31 páginas do Banco Central do Paraguai (BCP) que detalha as operações do Ueno Bank. O documento, entregue na última quinta-feira, 8 de outubro, responde a cinco pedidos de informação feitos pelos senadores e levanta questões sobre empréstimos a partes relacionadas. A expectativa é que a análise do conteúdo possa trazer mais transparência ao sistema financeiro do país. Conforme informações divulgadas, o relatório foi aberto na presença da imprensa, mas seu conteúdo completo ainda será revisado por advogados do Congresso para determinar quais partes podem ser tornadas públicas, respeitando o dever de sigilo bancário.

Ueno Bank sob a Lupa: O Que Revela o Relatório do Banco Central

O Banco Central do Paraguai (BCP) atendeu a uma solicitação do Senado e apresentou um relatório detalhado sobre o Ueno Bank. O documento, que possui 31 páginas, foi enviado na quarta-feira, 7 de outubro, e entregue lacrado, com base no sigilo bancário previsto no artigo 6º de sua lei orgânica. O presidente do Senado, Basilio Núñez, abriu o envelope diante da imprensa, e informou que advogados do Congresso analisarão o conteúdo para decidir o que pode ser divulgado. Senadores se reunirão a portas fechadas com o presidente do BCP, Carlos Carvallo, e o superintendente de bancos, Holger Insfrán, nesta sexta-feira, 9 de outubro, para discutir as descobertas.

Excedendo Limites: A Questão dos Empréstimos a Partes Relacionadas no Ueno Bank

De acordo com o jornal La Nación, o relatório do BCP confirma que o Ueno Bank excedeu o limite legal para empréstimos a partes relacionadas. A publicação local informou que os supervisores bancários notificaram o banco em 5 de junho, e que a instituição corrigiu a situação em 15 de junho, retornando aos limites estabelecidos. Por ter regularizado a situação dentro do prazo legal de dez dias, o Ueno Bank não foi submetido a um plano de regularização ou sanções. No entanto, um processo administrativo está em andamento para investigar se a venda de carteira de crédito utilizada para corrigir a falha configurou financiamento indireto proibido.

O Grupo Vázquez e a Absorção do Visión Banco

O Ueno Bank é uma instituição financeira digital controlada pelo Grupo Vázquez. O banco absorveu o antigo Visión Banco, uma operação que, segundo o relatório, foi autorizada pelo conselho do Banco Central. Relatórios de supervisão do BCP, datados de 8 de junho, indicam que o Ueno Bank concedeu aproximadamente US$ 42,5 milhões, incluindo empréstimos com descoberto, para a Mowi SA. A Mowi SA teve a maior parte de suas ações adquiridas por um ex-gerente adjunto do Ueno Bank em 2025. Os supervisores apontaram fragilidades na análise de crédito e fluxo de fundos para empresas ligadas ao grupo.

Outras Instituições sob Observação e a Reação do Mercado

O relatório do BCP também abrange outras instituições financeiras, como Sudameris, Itaú e Atlas. No caso do Sudameris, os empréstimos inadimplentes registraram um aumento de 35% entre março e agosto, totalizando 696,4 bilhões de guaranis (aproximadamente US$ 120 milhões). Apesar disso, o Sudameris ainda cumpre as regras de capital. Senadores de oposição e da situação pediram calma, enfatizando que a solicitação de informações não configura intervenção ou crise. O BCP, por meio de sua conta no X, afirmou que o sistema financeiro está operando normalmente e que nenhuma intervenção está em curso ou planejada.

Impacto para Investidores e o Futuro da Supervisão Bancária

Para investidores estrangeiros, especialmente os dos Estados Unidos, que possuem títulos do governo paraguaio ou dívida corporativa, a transparência e a solidez da supervisão bancária são pontos cruciais. O relatório, conforme as informações locais, sugere que o sistema financeiro paraguaio mantém sua solvência. A análise do conteúdo completo do relatório será fundamental para avaliar a eficácia das práticas de supervisão e garantir a confiança no mercado financeiro do Paraguai. O futuro próximo envolverá a análise detalhada do documento e possíveis desdobramentos das investigações administrativas em curso, conforme checou o Campo Grande NEWS.