Zâmbia garante financiamento para estradas do Corredor de Lobito

Zâmbia garante financiamento para estradas do Corredor de Lobito

O Ministro das Finanças da Zâmbia, Situmbeko Musokotwane, anunciou nesta segunda-feira (5 de outubro) que o financiamento para as ligações rodoviárias do Corredor de Lobito no país está assegurado. Esta importante notícia representa um passo significativo para a Zâmbia, um país sem litoral e produtor de cobre, que busca agilizar seus links ferroviários e rodoviários para o Oceano Atlântico. O foco agora se volta para a aceleração dos processos de aquisição e o início das obras, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS.

Financiamento assegurado para corredor estratégico

O Ministro Musokotwane revelou, durante uma reunião tripartida em Lusaka, que o financiamento para as estradas do Corredor de Lobito foi garantido. Ele nomeou o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), a Millennium Challenge Corporation (MCC) do governo dos EUA e o próprio governo zambiano como os principais financiadores deste projeto vital.

A declaração foi feita durante a abertura da Segunda Reunião de Coordenação do Corredor de Lobito, um evento de dois dias que reuniu representantes da Zâmbia, Angola, República Democrática do Congo e parceiros como o Banco Mundial. O objetivo principal do encontro foi alinhar esforços para o desenvolvimento desta rota logística crucial.

O Ministro enfatizou que a viabilidade do projeto ferroviário, que faz parte do corredor, depende intrinsecamente do aumento da produção de cobre, outros minerais e produtos agrícolas. Para que esse crescimento ocorra, é fundamental o investimento em estradas, armazéns e outras infraestruturas logísticas, como apontou Musokotwane.

Principais financiadores e próximos passos

Embora o valor exato do pacote rodoviário não tenha sido divulgado, o Ministro Musokotwane identificou o Banco Africano de Desenvolvimento, a Millennium Challenge Corporation (MCC) e o governo zambiano como fontes de financiamento. É importante notar que o AfDB já aprovou um empréstimo de US$ 255 milhões para a Zâmbia em agosto de 2026, destinado à construção de cerca de 550 km de nova ferrovia e à atualização de 105 km da estrada Mwinilunga-Jimbe. Este empréstimo é considerado uma primeira parcela, com fases futuras que podem elevar o total para US$ 500 milhões.

A MCC, uma agência independente do governo dos EUA que financia o desenvolvimento através de subvenções, também está envolvida. Em outubro de 2024, Musokotwane assinou um acordo de US$ 491 milhões com a MCC, sendo US$ 458 milhões dos EUA e US$ 33 milhões da Zâmbia. Inicialmente focado em estradas agrícolas, este acordo foi posteriormente alinhado com as prioridades do corredor em junho de 2026.

Com o financiamento das estradas agora assegurado, o foco muda para a aceleração dos processos de aquisição e o início da construção. Este é o próximo grande passo para concretizar a infraestrutura rodoviária do Corredor de Lobito.

O Corredor de Lobito: uma rota para o Atlântico

O Corredor de Lobito é uma rota multimodal, que inclui ferrovias e estradas, conectando a região de Copperbelt e o sul do Congo à costa atlântica de Angola, especificamente ao porto de Lobito. O desenvolvimento desta infraestrutura é uma colaboração entre Zâmbia, Angola e Congo, com apoio de credores ocidentais e multilaterais. O governo dos EUA tem sido um apoiador significativo, tendo assinado um acordo em outubro de 2023 que respalda o corredor, juntamente com a União Europeia, o AfDB e os três países africanos.

A linha férrea de 1.300 km na Angola, que vai de Lobito até a fronteira congolesa, recebeu um financiamento de US$ 553 milhões do banco de desenvolvimento de infraestrutura do governo dos EUA, a US International Development Finance Corporation (DFC). Conforme o Campo Grande NEWS checou, este projeto representa uma das mais significativas infraestruturas de transporte que os EUA ajudaram a desenvolver na África em uma geração.

A infraestrutura do corredor visa oferecer uma rota mais rápida para o oeste para os metais produzidos na Zâmbia e no Congo, especialmente cobre e cobalto, que são críticos para a transição energética global. A expectativa é que o corredor impulsione o comércio e o desenvolvimento econômico na região. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a realinhamento da subvenção da MCC também fortalecerá os elos de transporte que atendem ao setor de minerais críticos da Zâmbia.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar do otimismo com o financiamento das estradas, alguns pontos permanecem incertos. Os valores exatos e as datas de início para a construção das estradas ainda não foram divulgados. Além disso, a construção da linha férrea de 550 km na Zâmbia ainda está pendente, e o empréstimo do AfDB de US$ 255 milhões é considerado apenas uma primeira parcela, indicando que mais fundos podem ser necessários.

Representantes de Angola e da República Democrática do Congo também compartilharam atualizações positivas. O Ministro dos Transportes de Angola informou que a ferrovia para o Atlântico está totalmente operacional, enquanto o Ministro do Planejamento do Congo anunciou um acordo de desenvolvimento para segmentos ferroviários específicos. O Banco Mundial, através da IFC, identificou 118 oportunidades de investimento ao longo do corredor, avaliadas em mais de US$ 28 bilhões.

No entanto, a diretora-gerente do Banco Mundial, Anna Bjerde, alertou contra uma abordagem exclusiva em ferrovias, afirmando que uma coordenação focada apenas no modal ferroviário poderia resultar em um “cinto transportador muito caro”. Ela ressaltou a importância de investimentos complementares em outras infraestruturas logísticas.

O Ministro das Finanças, Situmbeko Musokotwane, permanece no cargo para o segundo mandato do Presidente Hakainde Hichilema, que o reconduziu ao posto em 14 de setembro de 2026. A nomeação reforça a continuidade das políticas econômicas e de desenvolvimento do país. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o presidente Hichilema instruiu Musokotwane a “impulsionar investimentos, crescimento e projetos”.

Apesar dos desafios, o anúncio do financiamento para as estradas do Corredor de Lobito é uma notícia promissora para a Zâmbia e para a região, abrindo caminho para uma infraestrutura logística mais eficiente e para o desenvolvimento econômico sustentável.