A Nigéria está impulsionando uma ambiciosa reforma em seu principal aeroporto, o de Lagos, com um investimento de US$ 500 milhões. Segundo o Ministro da Aviação, Festus Keyamo, os fundos para este projeto monumental não vieram de empréstimos, mas sim da economia gerada pelo fim dos subsídios de combustível e de câmbio. A declaração surge em um momento de forte debate político, com a oposição prometendo restaurar o subsídio de gasolina caso vença as eleições presidenciais de janeiro de 2027.
Aeroporto de Lagos: um portal para a Nigéria
O Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, é a principal porta de entrada para aproximadamente dois terços dos passageiros aéreos internacionais da Nigéria. A atual obra de reconstrução visa modernizar o aeroporto, que é crucial para a conectividade do país com o mundo. O Ministro Keyamo destacou que o Presidente Bola Tinubu assegurou os US$ 500 milhões necessários para a revitalização, enfatizando que a verba foi liberada pelo encerramento de políticas econômicas anteriores.
Conforme relatado pelo Campo Grande NEWS, o ministro explicou que o fim dos subsídios de combustível e de câmbio liberou recursos que antes eram direcionados para manter o preço da gasolina artificialmente baixo e sustentar a naira. Ele mencionou que as reservas estrangeiras do país saltaram de cerca de US$ 3 bilhões para US$ 56 bilhões, embora dados do Banco Central da Nigéria apresentem um ponto de partida diferente, situando as reservas brutas em aproximadamente US$ 35,1 bilhões no final de maio de 2023. As reservas atingiram US$ 54,95 bilhões em 2 de outubro de 2026.
O ministro também lembrou que projetos anteriores de infraestrutura aeroportuária, como os terminais em Lagos, Abuja, Kano e Port Harcourt, foram financiados por empréstimos chineses, dos quais a Nigéria ainda está pagando. O governo estabeleceu uma meta de N1 trilhão (aproximadamente US$ 751 milhões) para infraestrutura de aviação, segundo a Agência de Notícias da Nigéria.
O Fundo de Desenvolvimento e a empreiteira chinesa
O valor de US$ 500 milhões para a reforma do aeroporto de Lagos já havia sido mencionado anteriormente pelo ministro em abril. Em 8 de junho de 2026, o Presidente Tinubu aprovou formalmente a quantia. O projeto está sendo financiado pelo Renewed Hope Infrastructure Development Fund, um fundo governamental que abrange diversos setores, incluindo estradas, ferrovias, portos, agricultura e aviação. O fundo tem como objetivo atrair investimentos de fundos de pensão, empréstimos concessionais, seguradoras e investidores da diáspora, conforme comunicado da presidência.
A empreiteira responsável pela obra é a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC), a mesma que construiu o Terminal Dois do aeroporto. O plano atual envolve a reforma completa do antigo Terminal Internacional Um, com a substituição de sistemas mecânicos e elétricos. O Terminal Dois também receberá melhorias em seu pátio, vias de acesso e pontes. O cronograma para as obras em Lagos é de 22 meses, com mais de 2.000 trabalhadores locais já atuando no local diariamente.
Novas pistas e expansão em Abuja
Além das melhorias em Lagos, o Ministro Keyamo anunciou que o Presidente Tinubu aprovou o retorno da CCECC ao Aeroporto Internacional Nnamdi Azikiwe, em Abuja, para a construção de sua tão esperada segunda pista. A obra, que sofreu atrasos de 15 a 20 anos devido a bloqueios legislativos, teve seu custo elevado significativamente. Inicialmente orçada em N45 bilhões (cerca de US$ 33,8 milhões na cotação atual, mas aproximadamente US$ 300 milhões na época), a nova pista agora custará quase N500 bilhões (aproximadamente US$ 376 milhões).
A CCECC já havia concordado em construir a pista em 2022, mas posteriormente aumentou o preço para cerca de N532 bilhões (US$ 400 milhões) em 2024, um valor que o governo rejeitou, levando a empresa a deixar o local. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o pacote de julho de 2025 aprovado pelo gabinete também incluiu obras em Kano e Port Harcourt, com investimentos de N46,39 bilhões (US$ 34,9 milhões) e N42,14 bilhões (US$ 31,7 milhões), respectivamente, para pistas, taxiways e iluminação.
O debate sobre o subsídio de combustível
O fim do subsídio de gasolina pela administração Tinubu em 29 de maio de 2023, logo após sua posse, gerou críticas devido ao aumento dos custos de alimentos e transporte para os cidadãos. O candidato presidencial da oposição, Atiku Abubakar, prometeu reintroduzir o benefício, reacendendo o debate às vésperas das eleições de 16 de janeiro de 2027. O Ministro Keyamo classificou as reclamações dos críticos como “chantagem barata”, argumentando que empregos e desenvolvimento vêm do investimento em infraestrutura, e não de políticas populistas.
Para os leitores nos Estados Unidos, é importante notar que Lagos é o principal hub aéreo do país, e as obras podem causar transtornos. Para investidores, as reservas cambiais próximas a US$ 55 bilhões oferecem ao Banco Central margem para defender a naira, que em 6 de outubro de 2026, estava cotada a cerca de 1.331 por dólar americano. Muda Yusuf, chefe do Centro para Promoção de Empresas Privadas, estima que restaurar o subsídio universal de gasolina custaria cerca de N19,16 trilhões (US$ 14,4 bilhões) anualmente, um valor que competiria com gastos em saúde, educação e infraestrutura.
A parceria com a CCECC para o projeto em Abuja e o uso de empréstimos chineses em projetos anteriores levantam questões sobre a dependência de financiamento estrangeiro. Muitos aeroportos africanos enfrentam desafios de sustentabilidade financeira, como apontou em setembro o presidente do Conselho Internacional de Aeroportos da África. Conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, ainda não foram divulgados detalhes sobre quanto do montante de US$ 500 milhões já foi gasto, nem a relação exata entre essa cifra e o contrato de N712,26 bilhões (US$ 535 milhões). O valor exato para a nova pista em Abuja também permanece incerto, com diferentes citações do ministro variando entre N400 bilhões (US$ 301 milhões) e N500 bilhões (US$ 376 milhões), e sem data de conclusão definida.


