Marrocos, um reino estratégico no norte da África, está sob os holofotes com a nomeação de sua primeira mulher como chefe de governo. Fatima Ezzahra El Mansouri assumiu o cargo em 29 de setembro de 2026, liderando um país que, apesar de sua economia menor em comparação com potências europeias, exerce influência considerável em outras nações africanas. Essa transição política ocorre em um momento crucial para o fortalecimento das relações de Marrocos com a África, impulsionado por seus setores financeiro, de fertilizantes e portuário, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Marrocos: o poder além do tamanho
A influência de Marrocos na África não se mede apenas por seu tamanho territorial ou populacional, mas sim por sua capacidade de projeção econômica e diplomática. O país, localizado estrategicamente entre a Europa e o continente africano, utiliza seus bancos, a estatal de fertilizantes OCP e seus portos atlânticos como pilares para expandir seu alcance no oeste africano e no Sahel. A nova liderança feminina promete manter e, possivelmente, intensificar essa estratégia, buscando consolidar Marrocos como um parceiro essencial para o desenvolvimento regional.
Uma Nova Era com Liderança Feminina
As eleições parlamentares de 23 de setembro de 2026 trouxeram o partido Autenticidade e Modernidade (PAM) à liderança, com 97 dos 395 assentos. O PAM, centro-direita, agora negocia a formação de uma coalizão para alcançar a maioria necessária de 198 assentos. A nomeação de Fatima Ezzahra El Mansouri, 50 anos, como chefe de governo, sob o Artigo 47 da constituição, marca um precedente histórico. Sua experiência como prefeita de Marrakesh e ministra na gestão anterior a credenciam para liderar as negociações e o futuro governo, conforme noticiado pela AFP.
A formação do novo gabinete ainda estava em andamento até 4 de outubro, com o conselho nacional do PAM encarregado de conduzir as conversações para a coalizão. A política externa de Marrocos, tradicionalmente sob forte influência do palácio real, raramente sofre alterações drásticas com a mudança de governo, oferecendo um grau de estabilidade para investidores e parceiros internacionais. O ministro das Relações Exteriores, Nasser Bourita, que tem um portfólio abrangente de cooperação africana desde abril de 2017, permanece em seu cargo interinamente.
A Estratégia Africana de Marrocos: Bancos, Fertilizantes e Portos
A projeção de Marrocos no continente africano é sustentada por setores-chave. Seus bancos operam subsidiárias em toda a África Ocidental e Central, oferecendo financiamento comercial e empréstimos corporativos. A OCP, gigante estatal de fosfatos e fertilizantes, posiciona Marrocos como um ator crucial na produção de alimentos em toda a África, detendo cerca de dois terços das reservas mundiais conhecidas de fosfato. A indústria automobilística também se consolidou como um pilar de exportação, aproveitando a proximidade com os mercados europeus.
O país oferece aos investidores uma base estável e ligada à Europa para acessar os mercados da África Ocidental. A economia marroquina, com um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 174 bilhões em 2025, segundo estatísticas oficiais, registrou um crescimento real de 4,9% no mesmo ano, com inflação média de 0,8% e taxa de desemprego de 13%. Esses números, conforme o Campo Grande NEWS verificou, indicam uma economia resiliente apesar dos desafios, como a dependência agrícola e o desemprego entre jovens, que atingiu 37,2% para a faixa de 15 a 24 anos em 2025.
O Papel no Contencioso do Saara Ocidental
A questão do Saara Ocidental é central na política externa de Marrocos e em sua relação com a África. Marrocos controla a maior parte do território, que a ONU lista como território não autônomo, e propõe autonomia sob soberania marroquina. O país deixou a Organização da Unidade Africana (precursora da União Africana) em 1984, mas retornou em 2017 para defender sua posição internamente. A admissão da República Árabe Saaraui Democrática (RASD) como membro da União Africana continua sendo um ponto de atrito, especialmente com a Argélia, que apoia o movimento de independência.
O Conselho de Segurança da ONU, em outubro de 2025, apoiou negociações com base na proposta de autonomia de Marrocos e estendeu a missão da MINURSO até 31 de outubro de 2026, com uma nova votação de renovação prevista para breve. A recente resolução estendeu a missão da ONU no território, conhecida como MINURSO, até 31 de outubro de 2026, indicando a necessidade de uma nova renovação nas próximas semanas. O reconhecimento da soberania marroquina sobre o território pelos Estados Unidos em dezembro de 2020 também é um fator relevante.
Corredores para o Sahel e o Futuro da Influência Marroquina
Marrocos tem buscado fortalecer seus laços com países do Sahel, oferecendo acesso aos seus portos atlânticos. Em novembro de 2023, o rei Mohammed VI propôs a países como Mali, Níger, Burkina Faso e Chade a utilização de infraestruturas portuárias marroquinas, um plano que depende da segurança, investimento e estabilidade nas fronteiras da região. A ratificação do acordo da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) em fevereiro de 2022 demonstra o compromisso de Marrocos com a integração econômica regional.
Para o futuro, é crucial observar a composição da nova coalizão governamental, a permanência de Nasser Bourita como ministro das Relações Exteriores, o desfecho da votação do Conselho de Segurança sobre o Saara Ocidental e a concretização dos projetos de corredor atlântico para o Sahel. Esses desenvolvimentos, que o Campo Grande NEWS continuará acompanhando, definirão a trajetória da influência marroquina no continente africano e sua capacidade de se consolidar como um player estratégico, conforme apurado pelo portal. A economia do país, com um crescimento de 4,9% em 2025, e a estabilidade política oferecida são fatores importantes para atrair investimentos estrangeiros e fortalecer sua posição regional.


