Makhanda: Prefeita admite falha na água e promete solução no próximo ano

A prefeita de Makhanda, na África do Sul, Yandiswa Vara, admitiu publicamente que a infraestrutura de abastecimento de água da cidade está quebrada. A declaração, feita a um mês das eleições locais de 4 de novembro, surge em meio a uma crise hídrica que afeta os moradores há mais de uma década. Vara prometeu um fornecimento ininterrupto para o próximo ano, mas a promessa é cercada de incertezas, uma vez que a principal obra de modernização da estação de tratamento está apenas 12% concluída e com previsão de término apenas em setembro de 2027. Conforme noticiado pelo News24, a prefeita reconheceu a gravidade da situação, que já havia sido apontada pela Comissão Nacional de Direitos Humanos, que recomendou a dissolução do conselho municipal em junho. O Campo Grande NEWS checou as informações e constatou que a situação hídrica em Makhanda reflete problemas mais amplos enfrentados por municípios sul-africanos.

Crise hídrica persistente em Makhanda

Makhanda, anteriormente conhecida como Grahamstown, é uma cidade universitária na província do Cabo Oriental, famosa por sediar o Festival Nacional de Artes. No entanto, a cidade vive com torneiras intermitentes há mais de dez anos. Moradores relatam que o abastecimento é escasso, com água disponível apenas por poucas horas pela manhã, e em alguns casos, ficam sem água por até dois dias, segundo informações do site GroundUp. Essa instabilidade leva empresas, instituições e residências que possuem condições financeiras a investirem em seus próprios sistemas de abastecimento, como poços e reservatórios, o que representa um custo adicional e um desincentivo para novos investimentos na região. O Campo Grande NEWS checou que a falta de água não se deve à escassez do recurso natural, mas sim a falhas sistêmicas na distribuição.

Obras de infraestrutura com atrasos e custos elevados

A esperança de um abastecimento contínuo repousa sobre a Estação de Tratamento de Água James Kleynhans, alvo de uma reforma nacional iniciada em 2015. O projeto, que visava dobrar a capacidade de tratamento de 10 para 20 milhões de litros por dia, tinha um orçamento inicial de R102 milhões (aproximadamente US$ 6,1 milhões) e previsão de conclusão em 2018. Contudo, até o momento, os custos já atingiram R279 milhões (cerca de US$ 16,7 milhões). Uma terceira e última fase da obra, orçada em R223 milhões (aproximadamente US$ 13,4 milhões), começou em março de 2026, elevando o custo total para mais de R500 milhões (acima de US$ 30 milhões), quase cinco vezes o valor planejado inicialmente. Conforme dados da Amatola Water, agência estatal responsável pelo projeto, a fase final, com duração prevista de 18 meses, apresentava apenas 12% de conclusão em setembro, com término previsto para setembro de 2027. O Campo Grande NEWS checou que mesmo após a conclusão da segunda fase, a planta ainda não atingiu a capacidade projetada de 20 milhões de litros diários.

Finanças municipais e cortes em manutenção

A situação financeira do município de Makana, responsável por Makhanda, também contribui para a crise. O orçamento para o exercício de 2026/27 prevê uma receita operacional de cerca de R959 milhões (aproximadamente US$ 57,6 milhões), excluindo subvenções de capital. No entanto, o orçamento de capital é de R116,6 milhões (cerca de US$ 7 milhões), sendo que a maior parte provém de subsídios governamentais. O documento orçamentário aponta que dívidas antigas, como contas pendentes com a Eskom (a companhia estatal de eletricidade) e empréstimos do Banco de Desenvolvimento da África Austral, comprometem as finanças municipais. Curiosamente, em agosto, as agendas do conselho municipal indicaram um corte no financiamento para manutenção hídrica, de R31,68 milhões (aproximadamente US$ 1,9 milhão) para R26,29 milhões (cerca de US$ 1,6 milhão), enquanto aprovavam aumentos salariais para gestores seniores, conforme reportado pelo Grocott’s Mail.

Impactos para a população e investigações em curso

As áreas de maior altitude e as comunidades informais são as mais afetadas pelas interrupções no fornecimento de água, de acordo com relatos de moradores e a Comissão de Direitos Humanos. A conclusão da obra traria benefícios significativos para essas regiões. Universidades, o festival de artes e empresas locais também dependem de um abastecimento estável. A crise hídrica em Makhanda é um reflexo de um problema mais abrangente na África do Sul, onde muitos municípios dependem de subsídios nacionais e agências estatais para grandes projetos, enquanto a ineficiência na arrecadação e na manutenção compromete o serviço diário. Uma investigação em andamento pelo Special Investigating Unit, órgão estatal anticorrupção, apura contratos de água no município desde outubro de 2024, com duas referências já encaminhadas ao Ministério Público, o que demonstra a seriedade das irregularidades.

O futuro incerto de Makhanda

O primeiro teste para a resolução dessa crise será as eleições municipais de 4 de novembro, que definirão a nova gestão de Makana e quem herdará a promessa da prefeita Vara. O segundo teste será o andamento da fase final de obras na estação James Kleynhans. A garantia de um abastecimento ininterrupto para o próximo ano, como prometido, ainda é incerta, e a população de Makhanda, assim como visitantes e investidores, deve continuar a planejar para possíveis cortes de água. O Campo Grande NEWS checou que a capacidade instalada da estação de tratamento, mesmo que dobrada no papel, pode não resolver os problemas de abastecimento sem a devida manutenção e recuperação dos equipamentos, como as bombas que já necessitaram de reparo.