A venda do Consórcio Guaicurus, empresa que operou o transporte coletivo de Campo Grande por 14 anos, para a HP Mobilidade representa um passo significativo para a mudança no serviço oferecido aos moradores da Capital. Embora a transação ainda dependa de aval do Cade e da Prefeitura, a expectativa é de uma **transformação no transporte público**.
A notícia sobre a compra foi formalizada e publicada pelo Cade na quarta-feira (30), mas a operação entre o Consórcio Guaicurus e a Maas Administração e Participações, empresa criada pelo Grupo HP, ainda passará por avaliação. Por enquanto, o serviço permanece sob a administração de uma equipe interventora. As rotas, horários e a quantidade de veículos continuarão sob responsabilidade da Prefeitura de Campo Grande e da Agetran, conforme apurou o Campo Grande NEWS.
O contrato de concessão original se mantém, mas a diferença para a população pode surgir caso a nova empresa cumpra as cláusulas contratuais que o Consórcio Guaicurus, segundo o texto, descumpriu. A expectativa é que a nova gestão traga mais **eficiência e qualidade** para o dia a dia dos usuários do transporte público.
Aval da Prefeitura e exigências para a nova operadora
A prefeita Adriane Lopes (PP) já deixou claro que a aprovação da nova empresa em Campo Grande está condicionada a **investimentos concretos na renovação da frota** e na implantação de ar-condicionado nos novos veículos. Em agenda nesta sexta-feira (2), a prefeita reforçou que, mesmo com a aprovação do Cade, a proposta de mudanças nos ônibus será um fator decisivo para a aceitação da HP Mobilidade.
Além disso, o processo judicial que levou à intervenção incluiu um pedido para que os novos ônibus sejam movidos a **etanol ou energia elétrica**, visando a redução da emissão de poluentes. Atualmente, a frota do Consórcio Guaicurus utiliza veículos movidos a diesel. A HP Mobilidade afirma possuir capacidade financeira para promover novos ciclos de investimento, conforme o Campo Grande NEWS detalha.
Modernização e exemplos em Goiânia
A HP Mobilidade também pode implementar sistemas modernos de operação, como **telemetria, roteirização inteligente e novos aplicativos de bilhetagem**. Um exemplo da capacidade de renovação da empresa pode ser observado em Goiânia, onde 19 novos ônibus foram entregues recentemente. Ao todo, a HP já adquiriu 172 veículos novos.
Os ônibus entregues na região metropolitana de Goiânia possuem mais de 12 metros, capacidade para até 80 passageiros (36 sentados), ar-condicionado, tomadas USB e câmeras. Esses veículos fazem parte do programa Nova RMTC, que visa a modernização do transporte coletivo com planejamento para ônibus elétricos, movidos a biometano, GNV e com tecnologia Euro 6.
Infraestrutura e mobiliário urbano
A administração municipal também cobra investimentos em **terminais de transbordo e pontos de ônibus**. A prefeita Adriane Lopes manifestou o desejo de ver os oito prédios dos terminais da Capital reformados e modernizados. Atualmente, Campo Grande ainda conta com pontos de ônibus sem abrigo, apenas com indicações de parada, as conhecidas estacas laranjas.
A modernização dos pontos de ônibus é uma das expectativas, e a nova operadora pode investir nessa melhoria, conforme apurou o Campo Grande NEWS. Essa é uma demanda antiga da população que clama por mais conforto e segurança ao aguardar o transporte.
Futuro dos funcionários e pendências financeiras
Um ponto de atenção é o quadro de funcionários do Consórcio Guaicurus, que ultrapassa mil pessoas, entre motoristas, mecânicos e administrativos. Com a mudança de gestão, a nova empresa assume os contratos de trabalho, garantindo a **manutenção dos direitos adquiridos**, como tempo de serviço e salários, conforme a Lei de Sucessão Trabalhista.
Caso a HP Mobilidade opte por realizar demissões, deverá pagar integralmente todas as verbas rescisórias. A nova operadora também herda todas as dívidas com fornecedores e outras pendências financeiras do Consórcio Guaicurus, o que representa um desafio adicional na transição.

