A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), reiterou nesta sexta-feira (2) que a autorização para a transferência do controle das empresas do Consórcio Guaicurus ao Grupo HP está atrelada à apresentação de uma proposta concreta de melhorias para o sistema de transporte coletivo da cidade. A declaração surge após a publicação de um edital no Diário Oficial da União (DOU) sobre o pedido de aquisição, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Venda do transporte coletivo em análise: prefeita exige modernização
A gestão municipal de Campo Grande impõe condições claras para a aprovação da venda das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus ao Grupo HP. A prefeita Adriane Lopes foi enfática ao afirmar que não abrirá mão da transformação e modernização do transporte público. Mesmo que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprove a transação, a prefeitura só dará o aceite se a compradora apresentar um plano robusto de atualização da frota e de todos os serviços oferecidos à população.
A declaração foi feita durante o lançamento de obras de asfalto e drenagem no Jardim Tijuca. A publicação do edital pelo Cade, que torna pública a solicitação de aquisição, não significa, de forma alguma, a aprovação automática da operação. O negócio, que teria sido assinado em julho com um valor estimado em R$ 170 milhões, ainda depende de aval municipal e de outras etapas importantes.
Edital do Cade é um passo, mas não garante a aprovação
O Edital nº 734, publicado na quarta-feira (30) pela Superintendência-Geral do Cade, visa dar publicidade ao pedido de aquisição do controle de quatro empresas operadoras do sistema: Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande, Viação Cidade Morena e Viação São Francisco. No entanto, conforme explica o próprio Cade, a publicação do edital é apenas uma etapa de análise e não representa uma decisão final de aprovação da operação.
Questionada sobre uma eventual autorização para o Grupo HP, Adriane Lopes esclareceu que o negócio ainda não recebeu o aval municipal. “Não, não teve. Ela protocolou o pedido no Cade, no Conselho. O que fiquei sabendo foi da publicação no Diário Oficial da União”, explicou a prefeita. Ela considera a publicação um avanço nas etapas da negociação, mas ressalta que o município continuará acompanhando de perto o processo. A compradora, segundo a prefeita, deverá apresentar um cronograma detalhado de mudanças para ser avaliado pela administração municipal.
Grupo HP precisa apresentar plano de renovação da frota e terminais
A análise do Cade foca nos efeitos da aquisição sobre a concorrência no mercado de transporte público. A eventual aprovação pelo órgão antitruste não substitui a anuência da Prefeitura, que é a responsável pela concessão do serviço na cidade. Conforme noticiado anteriormente pelo Campo Grande NEWS, o contrato de compra e venda foi assinado em 18 de julho, com rumores de que a transação envolveria R$ 170 milhões.
A Maas Administração e Participações Ltda., empresa criada pelo Grupo HP especificamente para conduzir esta aquisição, foi constituída em 16 de julho. Na época da assinatura, o Grupo HP informou que preparava um plano de reestruturação e melhoria do transporte para apresentar ao município, embora sem detalhar as medidas ou estabelecer um prazo para a entrega. A conclusão da compra, segundo o grupo, dependia da aprovação do Cade, da anuência municipal, da conclusão de auditorias e da resolução de questões ligadas à intervenção e ações judiciais envolvendo a concessão.
Intervenção municipal no transporte persiste desde junho
A Prefeitura de Campo Grande já havia sinalizado, em momentos anteriores, que exigiria propostas claras para a renovação da frota de ônibus, a reforma dos terminais e a instalação de ar-condicionado nos veículos antes de autorizar qualquer mudança no controle das empresas. Em declaração de 25 de setembro, Adriane Lopes já havia afirmado que a negociação aguardava o Cade e que o município se manifestaria formalmente ao receber uma proposta concreta. O transporte coletivo na cidade segue sob intervenção municipal desde 16 de junho, um período que já se estende por meses, evidenciando a complexidade da situação.
A expectativa agora é que o Grupo HP apresente um plano detalhado e convincente que atenda às demandas da prefeitura e da população por um transporte público de maior qualidade. A transparência e a apresentação de soluções efetivas serão cruciais para que a administração municipal dê o seu aval à transação. O Campo Grande NEWS continua acompanhando de perto os desdobramentos deste caso, que impacta diretamente a mobilidade urbana na capital sul-mato-grossense.

