Moradora vive com medo de desabamento: “Tenho medo de a casa cair e a gente morrer lá dentro”

Drielly de Alencar Farias Gonçalves, de 26 anos, vive um pesadelo diário em Campo Grande. Ela teme o colapso da casa onde reside com o marido e os dois filhos pequenos, devido a graves rachaduras e afundamento do imóvel. A situação a levou a buscar auxílio da Defesa Civil e a ingressar com uma ação judicial contra a construtora.

Risco iminente: Família teme desabamento de casa no Pênfigo

A preocupação de Drielly é palpável: “Tenho medo de a casa cair e a gente morrer lá dentro”. Ela, o marido Leandro da Silva Gonçalves, e os filhos de 1 e 3 anos, vivem em um imóvel que apresenta sinais alarmantes de deterioração estrutural. O caso levanta um questionamento crucial: quando uma rachadura deixa de ser um mero problema estético e se torna um risco real à segurança de uma família?

A moradora adquiriu o imóvel na Rua José Paulino, em 2020. No mesmo ano, notou as primeiras fissuras e contatou a construtora, que realizou reparos. Contudo, cerca de um ano depois, os problemas retornaram com força, e a casa começou a apresentar um desnivelamento que Drielly estima em aproximadamente cinco centímetros. Uma nova intervenção da construtora foi feita, mas a situação piorou a partir de 2022, obrigando Drielly a deixar a residência durante os reparos, mesmo estando grávida.

Diante da gravidade, Drielly protocolou um pedido de vistoria na Defesa Civil. A expectativa agora é por uma avaliação técnica que determine se há risco estrutural e a necessidade de interdição do imóvel. “Está cada dia pior”, desabafa a moradora sobre a situação que se agrava.

Entendendo os sinais de risco em imóveis

A dimensão de uma rachadura, por si só, não é o único fator determinante para avaliar o risco. Especialistas apontam que é preciso considerar a localização da fissura, sua direção, profundidade e se ela está em constante expansão. Outros sinais de movimentação da edificação também são cruciais. Uma pequena fissura em um elemento estrutural pode ser mais preocupante do que uma abertura maior restrita apenas ao revestimento. Para um diagnóstico preciso, a recomendação é sempre buscar um engenheiro civil especializado em estruturas, fundações ou patologias construtivas.

A batalha judicial por segurança e reparos

Buscando uma solução definitiva, Drielly e Leandro recorreram à Justiça. A ação foi inicialmente movida contra a Olegário Construtora Ltda. e a Caixa Econômica Federal. O casal não apenas pede reparação pelos defeitos construtivos, mas também solicitou uma medida urgente e uma perícia de engenharia para identificar a origem e a extensão dos problemas. Pediram ainda a inversão do ônus da prova, para que os réus apresentem evidências sobre os fatos.

O processo, no valor de R$ 40 mil, tramita desde abril de 2025. Inicialmente na Justiça Federal, foi redistribuído para o Juizado Especial Federal por estar abaixo do limite de 60 salários mínimos. Uma decisão recente, desta terça-feira, excluiu a Caixa Econômica Federal da ação. O juiz entendeu que o banco atuou apenas como agente financeiro, sem envolvimento direto no projeto ou execução da obra. Com a exclusão da Caixa, a Justiça Federal declarou não ter competência para julgar o caso, e os autos serão enviados para a Justiça Estadual.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a Olegário Construtora ainda não havia sido citada até esta terça-feira, o que significa que a empresa ainda não apresentou sua defesa. A Justiça Estadual será responsável por providenciar a citação. O pedido de perícia de engenharia, crucial para avaliar a gravidade dos problemas, ainda não foi analisado e também será decidido pela Justiça Estadual. A tutela de urgência solicitada pelo casal foi negada, enquanto os pedidos de inversão do ônus da prova e de perícia aguardam análise no novo foro.

Construtora ainda não apresentou defesa

A ausência de defesa da Olegário Construtora no processo se deve ao fato de que a empresa não havia sido formalmente notificada da ação judicial até o momento, de acordo com a decisão judicial. O Campo Grande NEWS buscou contato com a construtora para obter um posicionamento sobre as alegações da moradora, mas aguarda retorno.

A situação vivida por Drielly e sua família destaca a importância de **sinais de alerta em imóveis** e a necessidade de buscar órgãos competentes e a justiça quando os problemas fogem do controle. O medo de um desabamento é uma realidade que afeta muitas famílias em situações semelhantes, e a busca por segurança e reparação é um direito fundamental. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso e as decisões judiciais que se desdobram a partir desta preocupante situação.