Na madrugada desta quarta-feira (30), um grupo de moradores destruiu a casa e a oficina de um homem de 46 anos no Parque do Lageado, em Campo Grande. O homem é investigado por estupro e utilizava tornozeleira eletrônica. O ataque ocorreu por volta da meia-noite, e o portão do imóvel foi derrubado. Cinco veículos de clientes que estavam na oficina tiveram os vidros quebrados. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o acusado não se encontrava no local no momento da ação.
Ataque em massa após denúncias
A ação dos moradores teria sido motivada por denúncias contra o homem, que incluem o estupro de uma adolescente de 15 anos, filha de uma vizinha. O caso está sob investigação policial. Outras mulheres também relataram episódios de assédio atribuídos ao suspeito. A Polícia Militar registrou a ocorrência, e a família do acusado pretende deixar o local, mas ainda não tem para onde ir.
Investigação por estupro e medidas protetivas
O homem, que se pronunciou por telefone com um advogado, informou que há cerca de três meses foi acusado pela vizinha de estuprar a filha dela, de 15 anos. Na época, um boletim de ocorrência foi registrado e o caso passou a ser investigado. Ele relatou ter recebido uma intimação pelo celular e passou a cumprir uma medida protetiva que o impedia de se aproximar da adolescente, mesmo morando e trabalhando no imóvel ao lado.
Segundo o homem, na sexta-feira passada, os filhos da vizinha estavam sozinhos em casa quando o Conselho Tutelar foi acionado, encontrando cerca de cinco crianças no local. A mãe suspeitou que o homem teria feito a denúncia e chamou a Polícia Militar, alegando que ele descumpria a medida protetiva. Ele foi levado à delegacia, preso por três dias e liberado com tornozeleira eletrônica. Desde então, segundo a família, ele não retornou para casa e tem se hospedado em hotéis e na casa de parentes.
WhatsApp e WhatsApp como ferramentas de mobilização
A acusação contra o homem passou a circular entre os moradores do bairro. De acordo com a família, um grupo foi criado no WhatsApp do bairro, onde o nome, a foto e informações sobre o homem e seu carro teriam sido compartilhados. Acredita-se que, na madrugada, moradores tenham se reunido e se dirigido ao imóvel. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a disseminação de informações em grupos de mensagens foi um dos gatilhos para a ação coletiva.
Outras mulheres relatam assédio
Além da denúncia principal envolvendo a adolescente, outras mulheres procuraram a reportagem para relatar episódios de assédio atribuídos ao homem. Ana Luiza Paes Camargo, 21 anos, afirmou ter sido alvo de gestos obscenos e que ele teria enviado uma foto íntima para sua mãe. Ela também mencionou que a família já procurou a polícia diversas vezes sem resolução efetiva, citando que ele sempre se safa por ter advogado.
Jean Pereira de Andrade, 31 anos, marido de uma mulher que também relatou ter sido assediada, disse que os problemas são antigos. Ele contou que o acusado enviou mensagens para sua esposa, que estava grávida, convidando-a para ir a um motel. Jean relatou ter tentado tirar satisfação com o homem, o que resultou em uma ocorrência policial e em sua prisão por três dias, tendo que pagar advogado para resolver a situação.
Jean também citou o caso de uma mulher que teria sofrido um prejuízo de R$ 6,5 mil atribuído ao acusado. Ele mora na mesma quadra do homem e cumpre uma ordem judicial para manter distância da mulher envolvida em uma ocorrência anterior, o que o impede de ficar em sua própria casa com seu filho, devido à determinação de 300 metros de afastamento.
Vizinha relata mais casos e teme pela segurança do acusado
Na manhã desta quarta-feira, a vizinha que acusa o homem de estupro voltou a acionar a Polícia Militar. Segundo seu relato, ele teria estuprado a filha e outras meninas do bairro também teriam sido vítimas de situações semelhantes. A mulher afirmou ainda que já presenciou o homem em situações íntimas no quintal vizinho. Ela foi orientada a registrar a ocorrência e acompanhada até a delegacia junto com a filha.
Durante a movimentação policial, a filha do acusado discutiu com uma vizinha que cuidava das crianças. Ela defendeu o pai, afirmou que ele é trabalhador e expressou temor de que ele seja morto caso seja encontrado. Pais do acusado chegaram ao local e trocaram acusações com outras moradoras. Outra vizinha relatou ter sido vítima de um calote do homem em um serviço relacionado a carros. O Campo Grande NEWS acompanhou a apuração dos fatos que chocaram a comunidade local.

