Peso colombiano despenca 2,43% e chega a 3.287 por dólar; o que brasileiros precisam saber

A moeda colombiana, o peso, sofreu sua maior desvalorização em um único dia na região, caindo 2,43% e alcançando 3.287 unidades por dólar americano. A cotação de sexta-feira, 25 de setembro de 2026, ficou em torno de 3.351 por dólar, segundo o Yahoo Finance. Essa volatilidade impacta diretamente o poder de compra de quem recebe em dólares e vive na Colômbia, tornando o dinheiro americano mais valioso em pesos. Por outro lado, para quem tem economias ou renda em pesos colombianos, o valor em dólares diminuiu significativamente. A situação é um reflexo de fatores externos, como a política monetária dos Estados Unidos, e internos, que merecem atenção.

Peso colombiano em queda: entenda o impacto para expatriados

A Colômbia, terceira maior economia da América Latina com cerca de 52 milhões de habitantes, é um destino popular para expatriados e aposentados que recebem seus benefícios em dólares. O peso colombiano, que vinha apresentando estabilidade no trimestre, mantendo-se próximo de 3.200 por dólar durante a maior parte de setembro, registrou uma forte queda na última quinta-feira, 24 de setembro de 2026. A desvalorização de 2,43% levou a cotação para 3.287 pesos por dólar no fechamento do dia, a maior queda em uma única sessão no mercado regional. Essa instabilidade cambial exige atenção especial de quem vive no país com renda em moeda estrangeira.

Federal Reserve e cenário global pressionam o peso

O principal gatilho para essa desvalorização foi a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de aumentar sua taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4,00%. Essa medida tornou os ativos denominados em dólar mais atraentes, provocando uma forte valorização da moeda americana em mercados emergentes. A pressão sobre o peso colombiano foi intensificada pelo aumento do preço do petróleo Brent, que superou os US$ 106, um fator que, embora possa beneficiar as receitas de exportação da Colômbia, também sinaliza estresse global, levando investidores a buscarem a segurança do dólar.

Além dos fatores externos, a política interna colombiana também contribuiu para a incerteza. Na mesma quinta-feira, o governo colombiano rompeu formalmente relações diplomáticas com o Irã e demitiu o chefe da administradora de pensões do estado, Colpensiones, apenas três dias após sua nomeação. Embora essas ações não tenham afetado diretamente a moeda, elas adicionaram uma camada de incerteza ao cenário político, impactando a percepção de risco.

O que os números significam para o seu bolso

Para expatriados que recebem seus salários ou aposentadorias em dólares, a desvalorização do peso colombiano representa um ganho. Na cotação de sexta-feira de manhã, US$ 1.000 compravam aproximadamente 3.351.490 pesos colombianos, cerca de 87.000 pesos a mais do que na taxa de câmbio oficial de quinta-feira. Isso significa que o custo de vida, como aluguel, supermercado e serviços domésticos, torna-se mais barato em termos de dólares. Conforme o Campo Grande NEWS checou, um aluguel de 3.000.000 de pesos, que antes custava cerca de US$ 930, agora sai por aproximadamente US$ 895.

Por outro lado, para aqueles que possuem economias em pesos colombianos, recebem em pesos ou têm contratos com pagamentos na moeda local, a desvalorização se traduz em uma perda de poder de compra em dólares. A taxa oficial de câmbio, conhecida como TRM (Tasa Representativa del Mercado), é certificada diariamente pelo superintendente financeiro da Colômbia e é a referência para liquidação de cartões de crédito e diversos contratos. Na quinta-feira, a TRM era de 3.264,39 pesos por dólar, valor que expirou à meia-noite. Uma nova TRM seria certificada na sexta-feira, e é essa taxa que rege as transações do dia.

Acompanhando a volatilidade: o que esperar?

A volatilidade cambial na Colômbia é um cenário em constante mudança. A nova TRM a ser certificada a cada dia útil é crucial para quem tem pagamentos ou contratos a serem liquidados. O mercado financeiro está atento às próximas decisões do Banco Central da Colômbia, que decidirá sobre as taxas de juros na próxima quarta-feira. A taxa básica de juros está em 12% desde 1º de julho, e a expectativa geral é de que não haja alterações, embora essa previsão não seja uma certeza absoluta. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a capacidade do peso de se recuperar dependerá tanto da evolução da política monetária americana quanto das ações do banco central colombiano para conter a desvalorização.

O cenário externo, incluindo os próximos dados econômicos dos Estados Unidos e a trajetória do preço do petróleo Brent, também influenciará o comportamento do peso colombiano. A política interna, com a iminente emissão de um decreto de emergência econômica para congelar dívidas do setor agrícola e a reorganização ministerial, adiciona mais um elemento de incerteza. Acompanhar esses desdobramentos é fundamental para quem vive ou investe na Colômbia. O Campo Grande NEWS continuará monitorando a situação e trazendo atualizações sobre o peso colombiano e seu impacto na vida dos brasileiros que vivem no exterior.