Uganda: a espera pelo petróleo, o poder de Museveni e os desafios econômicos

A Uganda, um país da África Oriental com uma população jovem e em rápido crescimento, encontra-se em um momento crucial em 2026. Liderada pelo presidente Yoweri Museveni, que está no poder desde 1986, a nação africana se vê diante de promessas de riqueza petrolífera que ainda não se concretizaram, enquanto busca fortalecer sua economia e se preparar para eventos importantes como a Copa Africana de Nações em 2027. Conforme informações divulgadas pela Uganda Bureau of Statistics, o país contava com 45.905.417 habitantes em maio de 2024, metade deles com menos de 18 anos, o que impõe desafios significativos em áreas como educação, emprego e uso da terra.

Uganda: poder, petróleo e perspectivas econômicas

A Uganda é uma república sem litoral na África Oriental, com uma área aproximada de 241.550 quilômetros quadrados, comparável ao tamanho do Reino Unido. O país faz fronteira com Quênia, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Ruanda e Tanzânia, além de compartilhar o Lago Vitória com Quênia e Tanzânia. A capital, Kampala, é o centro administrativo e econômico, e o Rio Nilo Branco emerge do Lago Vitória em Jinja, a leste da capital.

A paisagem política ugandesa é dominada pela figura de Yoweri Museveni, presidente desde janeiro de 1986. Ele foi reeleito em 15 de janeiro de 2026 para seu sétimo mandato, com 71,65% dos votos, e foi empossado em 12 de maio de 2026. A remoção dos limites de mandato presidencial em 2005 e do limite de idade em 2017 permitiu que Museveni, agora com 82 anos, continuasse no poder. A eleição de 2026 foi marcada pela suspensão da internet móvel e relatos de prisões e violência em torno de comícios da oposição, que contestou o resultado.

O parlamento ugandês, com uma câmara única, é dominado pelo partido de Museveni, o Movimento Nacional de Resistência (NRM). A principal força de oposição é a Plataforma Nacional de Unidade (NUP), liderada pelo músico Bobi Wine. O exército, liderado pelo General Muhoozi Kainerugaba, filho do presidente, também desempenha um papel significativo, embora não haja sucessor nomeado publicamente para Museveni.

A Economia Ugandesa: Desafios e Potencialidades

A economia da Uganda, com uma produção estimada em US$ 69,35 bilhões no ano fiscal encerrado em junho de 2026, apresentou um crescimento de 6,4%, segundo o Ministério das Finanças. No entanto, o Banco Mundial ainda classifica o país como de baixa renda. A maior parte da população ugandesa ainda vive da agricultura, com o café sendo o principal produto de exportação, gerando US$ 2,13 bilhões nos doze meses até julho de 2026. O ouro, embora com receitas de cerca de US$ 5,8 bilhões em 2025, reflete um cenário de refino e reexportação de metais de outras partes da região, especialmente do Congo.

O governo enfrenta desafios fiscais, coletando apenas cerca de 14% do PIB em impostos, com o objetivo de ultrapassar 25%. A dívida pública atingiu 54,0% do PIB no final de junho de 2026, considerada estável pelo governo, mas um ponto fraco segundo o FMI. A Uganda não possui um programa de empréstimo com o FMI desde 2024, mas o órgão elogiou o crescimento e a baixa inflação do país, que em agosto de 2026 estava em 4,1%.

O Petróleo: A Promessa Que Demora a Chegar

A grande expectativa em torno da economia ugandesa reside na exploração de petróleo. Estima-se que cerca de 6 bilhões de barris de petróleo estejam sob a região do Lago Albert, com aproximadamente 1 bilhão considerados recuperáveis. Dois campos, Tilenga (operado pela TotalEnergies) e Kingfisher (operado pela CNOOC), estão previstos para produzir cerca de 230.000 barris por dia em sua capacidade máxima. A rota de exportação é o Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP), com 1.443 quilômetros de extensão, ligando Hoima a Tanga, na Tanzânia. O projeto está 92,7% concluído em agosto de 2026, com previsão de receber o petróleo em meados de dezembro de 2026.

No entanto, a produção comercial de petróleo tem sofrido atrasos constantes. A meta mais recente, divulgada em setembro de 2026 pelo Ministro das Finanças, Henry Musasizi, aponta para o final de junho de 2027 como a nova data para o início da produção comercial. Essa data já foi adiada diversas vezes desde 2018. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a incerteza em torno desta data impacta diretamente as projeções de crescimento econômico do país, que prevê um crescimento de 10,2% para o ano fiscal de 2026-2027, parcialmente dependente da receita petrolífera.

O Que Observar em Uganda em 2027

Os próximos meses serão cruciais para a Uganda. A conclusão da fase de recebimento de petróleo pelo EACOP em dezembro de 2026 será o primeiro teste de credibilidade para a data de exportação em junho de 2027. Além disso, o país sediará, juntamente com Quênia e Tanzânia, a Copa Africana de Nações entre 19 de junho e 17 de julho de 2027, o que impõe um cronograma apertado para a conclusão de infraestruturas como estádios, estradas e hotéis.

Politicamente, a sucessão de Museveni continua sendo um ponto de atenção, com seu atual mandato se estendendo até 2031. O papel de seu filho, o chefe do exército, é visto como uma variável chave. Para investidores, as regras práticas giram em torno de dinheiro e terra, com atenção especial à volatilidade do xelim ugandês e à segurança jurídica de títulos de propriedade, já que casos de fraude imobiliária aumentaram 67% em 2025. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a entrada no país exige atenção a vistos e advertências de viagem, como o emitido pelos Estados Unidos em junho de 2026, que alertava sobre crime, Ebola, terrorismo e instabilidade. A lei anti-homossexualidade de 2023, mantida em vigor após decisão judicial em 2024, também representa um ponto de atenção para estrangeiros.

A Uganda é descrita por quem a conhece como um país fértil e de rápido crescimento, onde a política é estável e as datas são flexíveis. A espera pelo petróleo, a consolidação econômica e a preparação para eventos futuros moldam o cenário ugandês em 2026 e além. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a promessa de petróleo, embora atrasada, continua sendo um fator determinante para o futuro econômico da nação africana.