Guyana: Investimento Privado Impulsiona Crescimento Fora do Petróleo, Mas Turbinas Faltam

A Guyana, a economia de crescimento mais rápido nas Américas, está a depender fortemente do setor petrolífero, mas o governo afirma que o investimento privado está a impulsionar a expansão em outras áreas. No entanto, uma escassez global de turbinas a gás está a criar gargalos na expansão da infraestrutura energética, essencial para a diversificação económica. O país enfrenta o desafio de garantir o fornecimento de energia para sustentar o seu desenvolvimento, conforme divulgado pelo The Rio Times.

Guyana Busca Diversificação Econômica em Meio a Desafios Energéticos

A Guyana, uma nação de aproximadamente 800.000 habitantes na costa nordeste da América do Sul, tem experimentado um crescimento económico sem precedentes desde o início da produção de petróleo no Bloco Stabroek em 2019. Este crescimento, no entanto, tem sido predominantemente impulsionado por um único produto, levantando preocupações sobre a sustentabilidade a longo prazo e a necessidade de diversificação. O governo guianense tem destacado o papel do investimento privado no fomento de setores fora do petróleo, como turismo, manufatura e agricultura, buscando reduzir a dependência da indústria extrativa.

Apesar dos sinais positivos de crescimento não petrolífero, a infraestrutura energética do país permanece um ponto crítico. A rede elétrica da Guyana é historicamente pequena, cara e propensa a falhas, o que representa um obstáculo significativo para o desenvolvimento de novos negócios e para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. O projeto da usina a gás em Wales é visto como uma solução crucial para este problema, mas está a ser impactado por uma demanda global elevada por turbinas a gás.

Para investidores e residentes, a situação na Guyana apresenta duas faces da mesma moeda: por um lado, a promessa de um crescimento económico robusto impulsionado pelo petróleo e, por outro, a incerteza sobre a capacidade do país de expandir a sua base económica para além deste setor e de garantir o fornecimento de energia confiável. A forma como a Guyana gerirá esta transição e os seus recursos petrolíferos será um caso de estudo para outras nações ricas em recursos naturais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação energética é um dos principais focos de atenção.

Investimento Privado e Setores Não Petrolíferos em Ascensão

O governo da Guyana tem creditado o investimento privado como um motor chave para a expansão económica em setores diversos. A Ministra do Turismo, Indústria e Comércio, Carolyn Rodrigues, observou que os efeitos do investimento são visíveis em vários setores, incluindo hotelaria, restauração, operadores turísticos, transportes, artesanato, agricultura e entretenimento. Ela destacou que investimentos em infraestrutura, conectividade e alojamento permitem que mais guianenses beneficiem do crescimento económico.

O Secretário Permanente Roger Rogers enfatizou a necessidade de adaptação e mudança, afirmando que novas oportunidades exigem novos modelos de negócios, estruturas organizacionais inovadoras e uma governança mais forte. Os setores mencionados como beneficiários incluem manufatura, agricultura, agroprocessamento, serviços, logística, construção, energia e turismo. As chegadas de turistas atingiram 320.174 até agosto de 2026, com agosto registando um recorde de 48.582 visitantes. O objetivo é alcançar um milhão de visitantes anualmente até 2030.

Números do Crescimento e Desafios da Energia

O relatório de meio de ano do ministério das finanças indicou um crescimento de 33,3% na primeira metade de 2026. A economia não petrolífera expandiu-se 10,1% no mesmo período. A mineração e a extração cresceram 40,7%, e a construção 24,7%. A previsão para o ano inteiro é de um crescimento total de 20,8%. O desemprego caiu para 6,2%, com mais de 156.000 novos postos de trabalho criados desde 2020.

No entanto, a capacidade energética é um gargalo crítico. A escassez global de turbinas a gás, em parte devido à construção de data centers em outros lugares, está a atrasar a instalação de novas usinas de energia. O governo reservou espaços de fabricação para turbinas, mas a demanda mundial é alta. A primeira turbina da usina a gás de Wales está prevista para entrar em operação em dezembro, cerca de dois anos após o planejado. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a falta de turbinas é um problema global que afeta o país.

O Impacto da Escassez de Turbinas e o Futuro Energético

A usina a gás de Wales, com capacidade total de 300 megawatts, é fundamental para o plano energético da Guyana. O projeto, orçado entre US$ 1,0 e US$ 1,1 bilhão, com financiamento aprovado pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos, enfrenta atrasos devido à fila global por turbinas. O Ministro de Serviços Públicos e Aviação, Deodat Indar, afirmou que a Guyana necessitará de 1.600 a 1.700 megawatts de capacidade até 2030, incluindo um segundo projeto de gás e a usina hidrelétrica de Amaila Falls.

Para as empresas que operam ou pretendem investir na Guyana, a disponibilidade de energia elétrica confiável é o principal fator limitante nos próximos três anos. Para os residentes, a promessa de redução nas contas de luz só será efetivada com a plena capacidade da nova usina. Para os visitantes, o aumento da capacidade turística vem acompanhado de maior atividade de construção e pressão sobre os serviços locais. A diversificação económica da Guyana dependerá do desempenho de setores como a agricultura e a manufatura, e não apenas do crescimento impulsionado pelo petróleo, conforme o Campo Grande NEWS detalhou em análises anteriores.