Em Campo Grande, um imóvel no Bairro Rancho Alegre está ganhando uma identidade única. Ryan Morais, de 36 anos, está transformando sua casa em um verdadeiro castelo místico, com planos de inaugurar uma escola de magia. O local, batizado de Cabana das Bruxas, já exibe um imponente pentagrama na fachada e promete ser um centro de aprendizado e encontro para interessados em bruxaria.
Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, o espaço reunirá cursos, oficinas e encontros presenciais sobre bruxaria hekatina, uma tradição ligada à deusa Hekate. A previsão de inauguração é para outubro, e o projeto já conta com centenas de cursos online com alunos no Brasil, Portugal e Canadá. Ryan, formado em Letras, encontrou nas artes místicas um novo caminho para o ensino, trocando a sala de aula tradicional por um ambiente repleto de poções, cristais e feitiços.
A residência de Ryan se tornou um cenário que foge do comum. Livros sobre o tema dividem espaço com pedras, poções e outros objetos ritualísticos. É neste ambiente que ele estuda, produz conteúdo e ministra aulas. A decoração é um convite ao universo da bruxaria, com um altar dedicado à deusa Hekate logo na entrada, além de ervas, vassouras, cristais, caveiras e potes que compõem as práticas de Ryan e fazem parte da cenografia do local.
Nos corredores, quadros e imagens místicas se misturam aos objetos, transformando a casa em uma espécie de galeria de arte dedicada ao esoterismo. Ryan, que já atuou em salas de aula convencionais, agora ensina de uma maneira completamente diferente. Em vez de quadros e cadernos, seus alunos aprendem com cristais, ervas, símbolos e livros sobre magia, integrando o aprendizado prático ao conhecimento teórico.
Do sonho de uma loja à escola de magia
Inicialmente, o plano de Ryan era abrir uma loja de artigos de bruxaria. No entanto, com o crescimento da Cabana das Bruxas e a demanda por cursos, seus planos evoluíram. A decisão de criar uma escola presencial, com cursos, oficinas e encontros, surgiu da necessidade de um espaço físico para a comunidade.
A construção da escola começou há cerca de um ano, com algumas pausas, e agora está em fase final. A inauguração está prevista para outubro, dependendo do andamento das obras. Ryan morará no imóvel, mas a área particular será separada da escola, garantindo privacidade. Mesmo antes da conclusão, a casa já tem sido palco de encontros para jogos de cartas, tarô, rituais e conversas sobre bruxaria.
Um ponto de encontro para praticantes de magia
Ryan relembra que encontros entre praticantes de bruxaria e paganismo já foram mais frequentes em Campo Grande, como o ESP (Encontro Social Pagão). Ele percebe que, embora ainda existam muitos praticantes na Capital, eles se tornaram mais reservados. A escola também nasceu do desejo de recriar um ponto de encontro para esse público.
Crescendo em uma família com forte religiosidade católica e evangélica, Ryan enfrentou resistência ao decidir seguir a bruxaria. Agora, ele deseja oferecer uma “casa de bruxa” que sirva para cursos, oficinas, reuniões e para acolher pessoas curiosas sobre o tema. “A intenção foi criar mesmo uma casa de bruxa, com espaço para os nossos encontros, para as oficinas e para acolher as pessoas também”, explica.
O ensino da bruxaria hekatina e o autoconhecimento
As aulas serão voltadas principalmente para iniciantes, abordando a história da bruxaria, tradições e divindades antes de aprofundar na bruxaria hekatina. Essa prática, seguida por Ryan, está ligada à deusa Hekate, conhecida como a Rainha das Bruxas. O objetivo é apresentar diversas vertentes para que cada um encontre seu próprio caminho.
Hekate terá um espaço de destaque na arquitetura da escola, com um altar próximo ao portão, simbolizando os caminhos, as portas e a passagem entre o interior e o exterior, conforme a tradição. Ryan também aborda o conceito de “sombras”, relacionado ao reconhecimento de sentimentos como raiva, inveja e ódio, incentivando o autoconhecimento. “Todos nós temos sombras. É reconhecer: ‘Eu senti muita raiva, muita inveja, muito ódio’, e trabalhar isso. É diferente de pegar essa raiva e fazer alguma maldade. A bruxaria é autoconhecimento”, afirma.
O pentagrama na fachada e as reações da comunidade
O projeto exterior da casa já chama atenção. Ryan desenhou a fachada com um grande pentagrama no alto, que se tornará um vitral. Antes da instalação do símbolo, os vizinhos já chamavam o local de “castelinho” ou “casa da bruxa”. Após a colocação do pentagrama, as reações se intensificaram, com algumas pessoas fazendo orações no portão e outras proferindo xingamentos durante as obras.
Ryan não se incomoda, desde que os limites da propriedade não sejam ultrapassados. Para ele, o espaço é um local de acolhimento, e não de ofensa. “Eu não estou ofendendo ninguém, não estou prejudicando ninguém. Pelo contrário, é um lugar de acolhimento”, ressalta.
A jornada de Ryan com a bruxaria
A fascinação de Ryan pela bruxaria começou com o tarô. O interesse pelo misticismo o levou a descobrir um tarô com temática de bruxas, aprofundando seus estudos. Ele confessa que, inicialmente, nem imaginava que a bruxaria pudesse ser seguida como prática espiritual ou religiosa. O que era curiosidade se tornou estudo e, hoje, parte essencial de sua rotina.
A Cabana das Bruxas nasceu como um refúgio para Ryan escrever e compartilhar seus interesses. Paralelamente, ele concluía a graduação em Letras e buscava a carreira de professor. Com o crescimento do projeto, a atividade mística se tornou sua principal ocupação. A experiência como professor ressurgiu, mas em um contexto diferente, com a criação de cursos e treinamentos sobre bruxaria.
O primeiro curso surgiu quase por acaso, com uma palestra sobre magia com velas para os seguidores de uma amiga. O sucesso da iniciativa levou ao desenvolvimento de conteúdos sobre cristais, ervas, poções e sigilos, transformando a Cabana das Bruxas em um centro de ensino. Atualmente, Ryan oferece centenas de cursos online e presenciais, com formações que variam de atividades curtas a treinamentos de até 13 meses. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os cursos online já alcançaram alunos em todo o Brasil e em países como Portugal e Canadá.
Os treinamentos mais longos são focados em iniciantes, baseados nas próprias dificuldades de Ryan ao começar a estudar o assunto. Ele relata ter encontrado pouco material acessível e ter precisado recorrer a livros estrangeiros, enfrentando preconceito. Por isso, ele se dedica a reunir em suas aulas o que gostaria de ter encontrado em sua jornada. A demanda dos alunos levou à criação de uma segunda etapa de estudos, mais aprofundada. A ideia é que a Cabana das Bruxas se consolide como uma escola voltada à bruxaria hekatina, oferecendo um caminho de liberdade e autoconhecimento. “A bruxaria é como uma grande árvore. Ela tem várias raízes, vários galhos, vários caminhos”, conclui Ryan. A liberdade de não precisar abandonar crenças preexistentes ou deixar de cultuar outros deuses é um dos aspectos que mais atrai Ryan. “Eu sempre fui um bruxo muito rebelde, nunca gostei muito de dogmas, de regras”, finaliza. A iniciativa de Ryan demonstra a diversidade de práticas espirituais e a busca por espaços de acolhimento e aprendizado em Campo Grande, conforme destacado pelo Campo Grande NEWS.

