A desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um novo recorde no Brasil. Uma pesquisa recente do instituto Datafolha, divulgada em 18 de setembro de 2026, revelou que 48% dos brasileiros não confiam na mais alta corte do país. Este índice representa o ponto mais baixo desde o início da série histórica da pesquisa em 2012, evidenciando uma crise de credibilidade significativa para o Poder Judiciário.
O cenário de desconfiança se aprofunda quando comparado com pesquisas anteriores. Em março de 2026, o índice de desaprovação era de 43%, indicando um aumento de 5 pontos percentuais em poucos meses. Paralelamente, a confiança na corte também diminuiu, com a parcela que confia um pouco caindo de 38% para 35%, e aqueles que confiam muito, de 16% para 14%. Esses números, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, pintam um quadro preocupante para a estabilidade institucional brasileira.
A pesquisa do Datafolha, que entrevistou 2.001 pessoas com 16 anos ou mais em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, também mostrou que a desconfiança no STF superou pela primeira vez a desconfiança em relação ao Congresso Nacional e aos partidos políticos, ambos com 45%. A presidência da República registra 42% de desconfiança. Estes dados, analisados pelo Campo Grande NEWS, sugerem um crescente ceticismo em relação às instituições democráticas como um todo.
Divisão política e social acentua desconfiança
Um dos aspectos mais marcantes da pesquisa é a acentuada divisão política observada. Entre os eleitores que declararam apoio a Flávio Bolsonaro, 69% manifestaram desconfiança no STF. Em contrapartida, apenas 22% dos eleitores de Lula compartilham dessa mesma desconfiança. Essa disparidade aponta para uma politização do Judiciário e uma percepção de parcialidade por parte de diferentes grupos de eleitores.
As diferenças de opinião não se limitam ao espectro político. A pesquisa do Datafolha também indicou que 54% dos homens desconfiam da corte, contra 43% das mulheres. Entre os mais ricos, o índice de desconfiança chega a 60%. Para aqueles que avaliam o governo Lula como ruim ou muito ruim, a desconfiança no STF atinge 75%, o que sugere uma forte correlação entre a percepção do desempenho governamental e a confiança na justiça.
Crise no STF afeta percepção de candidatos
A pesquisa também buscou entender como a crise vivenciada pelo STF pode impactar a corrida presidencial. Cerca de 38% dos entrevistados acreditam que a crise prejudica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 31% apontam Flávio Bolsonaro como o mais afetado. Outros 25% afirmam que a crise não prejudica nenhum candidato, 5% que prejudica todos, e 14% não souberam responder. É importante notar que esta pergunta mede a percepção de dano, e não intenções de voto diretas, conforme ressaltado pelo Campo Grande NEWS em análises anteriores.
A semana em que a pesquisa foi realizada foi marcada por tensões no STF. Debates sobre a abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes, baseadas em um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, dominaram as manchetes. Embora Moraes não tenha sido formalmente acusado, a solicitação de mais tempo pelo ministro Flávio Dino para analisar o caso suspendeu a sessão, adicionando mais incertezas ao cenário judicial.
Impacto para investidores e a vida cotidiana
A instabilidade e a baixa confiança no STF podem ter implicações significativas para investidores estrangeiros e para o ambiente de negócios no Brasil. O STF tem a palavra final em disputas tributárias, contratos, regulamentações e casos empresariais de grande vulto. Uma corte percebida como dividida ou sob pressão política pode gerar insegurança jurídica e afetar a previsibilidade do ambiente de investimentos no país.
No entanto, para os residentes no Brasil, a vida cotidiana permanece, em grande parte, inalterada. Os tribunais continuam funcionando e nenhuma decisão judicial foi revertida em função dessa crise interna. A pesquisa, ao medir confiança e percepção de dano, não indica necessariamente uma mudança imediata nas decisões judiciais ou no comportamento eleitoral, mas sinaliza um descontentamento popular crescente com a instituição. As próximas pesquisas do Datafolha serão cruciais para determinar se essa desconfiança é uma tendência duradoura ou uma reação pontual aos eventos recentes.
O que ainda é incerto
O futuro próximo do STF e o desfecho das investigações em andamento ainda são incertos. Não há previsão para o retorno do caso Moraes à pauta, nem certeza sobre a abertura de investigações contra outros ministros. É fundamental ressaltar que nenhum ministro foi formalmente acusado até o momento. A influência dessa crise no resultado das eleições presidenciais de outubro também permanece como um ponto de interrogação, com a pesquisa medindo percepções e não escolhas definitivas dos eleitores.


