A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou publicamente na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, que manteve uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira anterior. Ela descreveu o diálogo, que foi sua 22ª ligação com o líder americano, como “muito bom”. A confirmação veio após dias de silêncio do governo mexicano sobre o encontro, levantando expectativas sobre o andamento das negociações comerciais entre os dois países. O foco principal das conversas, segundo Sheinbaum, é a busca por uma redução nas tarifas impostas pelos EUA sobre diversos setores da economia mexicana.
As negociações formais serão retomadas em 28 de setembro em Washington, um marco importante no calendário econômico e diplomático. Paralelamente, o Banco Central do México definirá sua próxima taxa de juros na quinta-feira, 24 de setembro, um dia antes do fechamento do câmbio. Na quinta-feira, o peso mexicano operava próximo de 17,15 por dólar americano, um patamar perto de sua mínima de um mês, influenciado pela recente elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve em 16 de setembro. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que os desdobramentos dessas negociações impactem diretamente a moeda.
Sheinbaum detalha avanços nas conversas com Trump
Em sua coletiva de imprensa matinal em Irapuato, Guanajuato, Sheinbaum explicou que a ligação com Trump, ocorrida na quarta-feira, já estava planejada. Ela justificou a ausência de comunicação prévia do seu governo pelo progresso alcançado nas conversas comerciais. “Certos acordos” foram alcançados, mas detalhes só serão divulgados após a finalização de um acordo completo. O objetivo central, reiterou a presidente, é “pelo menos uma redução nas tarifas que temos atualmente”. Fontes da Reuters indicaram na sexta-feira que o México está empenhado em chegar a um consenso. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a segurança nacional e questões migratórias, que anteriormente ligavam tarifas à política de controle de fronteiras, não foram pauta nesta conversa.
Atualmente, os Estados Unidos aplicam tarifas de 50% sobre aço e alumínio mexicanos e 25% sobre carros e autopeças que não se enquadram nos termos do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá). A presidente Sheinbaum foi direta ao afirmar que, embora o USMCA formalmente “não tenha desaparecido”, as tarifas impostas pelos EUA “não preservam a ideia original” do acordo. O pacto, que deveria ter sido renovado em 1º de julho de 2026, agora está sujeito a revisões anuais que podem se estender até 2036, um cenário que gera incertezas para o comércio bilateral.
Próximos passos e o impacto no mercado
A próxima rodada de negociações formais está agendada para 28 de setembro em Washington. A delegação americana será liderada pelo Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, enquanto o Secretário de Economia mexicano, Marcelo Ebrard, comandará as discussões pelo lado do México. A presidente Sheinbaum também enviou uma mensagem ao Canadá, expressando respeito pelas decisões do Primeiro-Ministro Mark Carney, em referência à aproximação de Ottawa com a União Europeia após o fracasso de suas próprias negociações com Washington. A postura do México é de negociação ativa, e não de retaliação. O Campo Grande NEWS destaca a importância dessas negociações para a estabilidade econômica da região.
Para empresas com produção no México, os sinais recentes apontam para um cenário de alívio, com potencial redução de custos para fábricas em setores como o de metais e autopeças. Para investidores e trabalhadores que lidam com o peso mexicano, as datas cruciais são a decisão do Banco Central sobre a taxa de juros em 24 de setembro e a rodada de negociações em Washington em 28 de setembro. A volatilidade do peso, que fechou a quinta-feira perto de 17,15 por dólar, reflete a cautela do mercado diante desses eventos.
O que ainda não foi confirmado
Apesar dos avanços, diversos pontos permanecem em aberto. Não há clareza sobre quais tarifas específicas serão reduzidas e em que magnitude. Também não se sabe se um acordo-quadro será assinado antes das eleições de meio de mandato nos EUA em novembro. O conteúdo exato dos “certos acordos” mencionados por Sheinbaum ainda é desconhecido, assim como os detalhes de sua esperada visita a Ciudad Juárez, que ocorre em meio a disputas sobre a atuação de agentes americanos perto da fronteira, e se a agenda comercial será incluída.
Perguntas Frequentes
O México e os EUA chegaram a um acordo comercial? Não ainda. A presidente Sheinbaum informou em 18 de setembro de 2026 que existem “certos acordos” após sua 22ª ligação com o presidente Trump, mas nada será público até a conclusão final. As negociações formais recomeçam em 28 de setembro em Washington.
Quais tarifas os EUA cobram sobre produtos mexicanos? Cinquenta por cento sobre aço e alumínio, e 25% sobre carros e autopeças que não se qualificam sob o USMCA. Bens que não atendem às regras de origem do pacto enfrentam um imposto separado. O objetivo declarado do México é a redução dessas tarifas.
O USMCA ainda está em vigor? Sim, formalmente. Os Estados Unidos recusaram-se a renová-lo em sua forma atual em 1º de julho de 2026, e ele agora opera sob revisões anuais que podem prosseguir até 2036. Sheinbaum afirmou em 18 de setembro que as tarifas dos EUA significam que “a ideia original não é preservada”.
O que acontecerá com o peso a seguir? O peso foi negociado perto de 17,15 por dólar americano em 17 de setembro de 2026, próximo a uma baixa de um mês. Os próximos impulsionadores são a decisão do banco central do México em 24 de setembro e a rodada comercial de Washington em 28 de setembro.


