Panamá: economia avança 5,5% no primeiro semestre de 2026, impulsionada pelo Canal e comércio

A economia do Panamá demonstrou um **crescimento robusto de 5,5%** no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo (INEC) em 16 de setembro. O segundo trimestre, em particular, registrou uma expansão de 6,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, o **melhor desempenho trimestral desde 2023**. Esses números, embora distintos, refletem uma recuperação e um dinamismo significativos nos principais setores do país.

O **transporte, armazenamento e correios** emergiram como os grandes impulsionadores, com um avanço impressionante de 12,8%. O **comércio atacadista e varejista** também apresentou um desempenho notável, crescendo 11,6%, o que sugere um fortalecimento tanto da demanda interna quanto das atividades de reexportação. Adicionalmente, a receita proveniente das **cobranças do Canal do Panamá** aumentou 13,6%, evidenciando a volta da normalidade e a eficiência da rota logística mais importante do mundo.

Esses resultados, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, posicionam o Panamá em destaque na América Latina, onde a maioria das economias cresce entre 1% e 3% neste ano. A economia dolarizada do país e sua localização estratégica no Canal conferem a ele um motor de crescimento distinto de seus vizinhos, embora também o vinculem de perto aos volumes do comércio global e à demanda dos Estados Unidos. O Campo Grande NEWS checou que, quando o comércio mundial desacelera, o Panamá sente o impacto mais rapidamente do que o restante da América Central.

Crescimento impulsionado por setores chave

O **transporte, armazenamento e correios** registraram o maior avanço entre os grandes setores, com um expressivo **12,8%**. Este setor é vital para a logística do país, especialmente considerando o papel central do Canal do Panamá. O **comércio atacadista e varejista** seguiu de perto, com um crescimento de **11,6%**. Este indicador é um termômetro importante da saúde da economia, refletindo tanto o consumo interno quanto a atividade de reexportação, crucial para a economia panamenha.

A **agricultura** também apresentou um desempenho forte, com um crescimento de **9,6%**, um feito notável para um setor que raramente lidera os índices de expansão. A receita do Canal, medida a preços correntes, subiu **13,6%**. Esses números são particularmente significativos, pois indicam uma recuperação após os anos de seca que forçaram o racionamento de travessias em 2023 e 2024. A Autoridade do Canal do Panamá reportou que a via navegável movimentou 9.568 trânsitos de alta calado nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2026, um aumento de 6,3% em relação ao ano anterior.

O Canal volta a operar em plena capacidade

A recuperação nos trânsitos do Canal é um fator determinante para a economia do país. Os números divulgados pelo INEC mostram que a via navegável está operando em níveis pré-seca, com 6.888 trânsitos pelas comportas Panamax e 2.680 pelas Neopanamax. Essa retomada é crucial para manter o fluxo de mercadorias e a receita gerada pelas tarifas de pedágio, que subiram 13,6% no período.

O economista Carlos Araúz, citado pelo Campo Grande NEWS, adverte, contudo, que o crescimento econômico **não se traduziu em um aumento proporcional do emprego formal**. Essa discrepância é um ponto de atenção, pois setores como construção, que tradicionalmente absorvem grande parte da mão de obra, apresentaram um crescimento mais modesto. A construção registrou apenas 1,3% no segundo trimestre e 4,5% no semestre.

Desafios e perspectivas futuras

Enquanto o PIB avança, o mercado de trabalho formal ainda não acompanhou o mesmo ritmo. Araúz destaca que o Panamá possui uma parcela significativa de trabalhadores informais, e o crescimento logístico não garante automaticamente a criação de empregos em larga escala. Essa lacuna explica a coexistência de um crescimento de 5,5% com a frustração pública em relação ao custo de vida. É importante notar que o INEC publica dados de produção, não de renda familiar.

Outros setores, como **informação e comunicação**, apresentaram contração de 1,8%. A ausência de dados sobre o impacto do fechamento da mina de cobre Cobre Panamá na divulgação do INEC também é um ponto a ser observado. O Campo Grande NEWS checou que a falta de dados detalhados sobre o volume versus o preço, e a ausência de séries de emprego acompanhando os números de crescimento, dificultam uma análise completa do impacto da expansão econômica nas famílias.

Os próximos indicadores a serem acompanhados incluem a divulgação do terceiro trimestre, que testará se o desempenho do segundo foi uma tendência ou um pico isolado. Decisões sobre o futuro da mina Cobre Panamá e os volumes de trânsito do Canal durante a estação seca também serão cruciais. A análise do mercado de trabalho será fundamental para determinar se a expansão econômica está, de fato, beneficiando a população panamenha.