Irmão mata comerciante e tira a própria vida dentro de loja em Campo Grande

Uma tragédia chocou Campo Grande, na região oeste da Capital, na tarde desta quarta-feira (16). Vera Lúcia Rossate da Cunha, de 59 anos, foi brutalmente assassinada a tiros dentro de seu próprio comércio, uma loja de aviamentos localizada na rua Sagarana, no bairro Zé Pereira. Logo após cometer o crime, o autor, que segundo informações preliminares é irmão da vítima, tirou a própria vida.

O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados, mas infelizmente, Vera Lúcia não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) também se dirigiram ao endereço para iniciar as investigações. A dinâmica exata do crime e a motivação por trás deste ato chocante ainda serão apuradas pela Polícia Civil.

Vizinhos relataram ter ouvido os disparos e, de acordo com um deles, reconheceu o autor como sendo irmão da comerciante. O Corpo de Bombeiros Militar chegou ao local e constatou que ambas as vítimas já estavam sem vida.

Uma amiga de longa data de Vera Lúcia, Laura Leite da Silva, de 60 anos, contou à reportagem que conhecia a vítima há mais de duas décadas. “Ela sempre morou aqui no bairro, trabalhava em um banco e depois abriu o próprio negócio. Nós conversávamos praticamente todos os dias”, detalhou emocionada, ressaltando a convivência próxima que mantinham.

Laura ainda compartilhou que, no mesmo dia do crime, Vera Lúcia havia enviado mensagens sobre produtos que desejava encomendar, demonstrando normalidade em sua rotina. “Mês passado eu estive aqui, a gente conversou, estava tudo de boa. Ela estava feliz por ter me visto, porque eu estava me recuperando de um câncer”, relembrou.

Vítima já demonstrava preocupação com o irmão

As informações que emergem das investigações e dos relatos de amigos pintam um quadro de apreensão. Vera Lúcia já vinha demonstrando preocupação com o comportamento de seu irmão, Judicrei Rossate da Cunha, de 57 anos. Segundo uma amiga, a vítima havia providenciado a internação dele para tratamento de dependência química.

Contudo, após receber alta recentemente, Judicrei teria passado a fazer ameaças por telefone à irmã. Liane Kublik, outra amiga de Vera, de 56 anos, relatou ter conversado com a vítima na semana anterior e percebido sua tensão. Vera teria mencionado que o irmão estava “bravo no telefone” e fazendo ameaças, embora, naquele momento, não acreditasse que ele pudesse chegar a cometer um ato tão extremo.

“Ele era usuário de drogas, ela estava ajudando ele. Tanto que eu falei para ela quando ele saiu. Perguntei se ele estava bem, semana passada. Ela disse que ele estava bem, mas estava com aquelas atitudes de ameaçar, bravo no telefone. A princípio ela não achou que ele ia fazer nada”, contou Liane, evidenciando a relutância inicial de Vera em acreditar na gravidade da situação.

Apreensão crescente nos últimos dias

Conforme a amiga Liane, Vera Lúcia passou a ficar mais apreensiva nos dias que antecederam o crime. Ela chegou a pedir aos vizinhos que a avisassem caso Judicrei aparecesse na região, demonstrando um temor crescente. “Desde sexta-feira ela estava bem tensa. Eu não entendi. Ontem foi aniversário do meu neném, ela mandou presente, mas estava tensa. Talvez, no subconsciente dela, estava prevendo”, relatou.

Liane ainda informou que Vera acompanhou de perto o tratamento do irmão, que, segundo ela, tinha um histórico de uso de drogas há cerca de 10 a 15 anos. Judicrei não morava com a vítima e, de acordo com a amiga, também não costumava visitá-la com frequência. “Não faz muito tempo que ele saiu. Ela levou e buscou ele lá”, completou Liane, referindo-se ao período de internação.

Feminicídio em Mato Grosso do Sul

A morte de Vera Lúcia Rossate da Cunha marca o 26º caso de feminicídio registrado neste ano em Mato Grosso do Sul. O caso anterior no Estado ocorreu em 29 de agosto, também em Campo Grande, quando Adriele dos Santos, de 34 anos, foi assassinada. O suspeito, Aparecido de Souza Doirado, foi preso no mesmo dia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a violência contra a mulher tem sido um problema recorrente no estado, exigindo atenção e ações efetivas.

A gravidade desses números reforça a importância de canais de denúncia e apoio às vítimas. Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, não hesite em denunciar. O número 180 atende 24 horas e oferece orientação e acolhimento. Em situações de risco imediato, ligue para o 190. Sua atitude pode salvar uma vida. A Central 180 funciona gratuitamente, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, a polícia pode ser acionada pelo 190. A violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada. O Campo Grande NEWS frequentemente cobre casos como este, buscando informar e conscientizar a população sobre a importância de combater a violência. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir a região de Campo Grande garante informações atualizadas e confiáveis para seus leitores.