Vera Lúcia Rossate da Cunha, de 59 anos, foi morta a tiros pelo próprio irmão, Judicrei Rossate da Cunha, de 57 anos, em Campo Grande. O crime ocorreu dentro do comércio da vítima e, em seguida, Judicrei tirou a própria vida. Vera havia recentemente providenciado a internação do irmão para tratamento contra o vício em drogas.
Segundo relatos de uma amiga próxima, Liane Kublik, de 56 anos, Vera já vinha demonstrando apreensão com as ameaças feitas por Judicrei após ele receber alta. A vítima chegou a pedir a vizinhos que a alertassem caso o irmão aparecesse na região, evidenciando o temor que sentia.
O caso chocou a comunidade e levanta preocupações sobre a violência doméstica e os desdobramentos de vícios químicos. A polícia investiga o contexto do crime, que pode configurar feminicídio, tornando Vera a 26ª vítima deste tipo de violência em Mato Grosso do Sul em 2024. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a vítima relatou a amiga estar tensa e que o irmão estava “bravo no telefone” fazendo ameaças.
Vera tentava ajudar o irmão contra o vício
A amiga de Vera, Liane Kublik, contou ao Campo Grande NEWS que conversou com a vítima na semana passada e percebeu sua preocupação. Vera relatou que Judicrei estava com “atitudes de me ameaçar, bravo no telefone”. No entanto, ela inicialmente não acreditava que o irmão fosse capaz de cometer um ato tão extremo. “A princípio ela não achou que ele ia fazer nada”, disse Liane.
Liane explicou que Vera acompanhou de perto o tratamento do irmão, que já enfrentava o uso de drogas há cerca de 10 a 15 anos. Judicrei não morava com a irmã e, segundo Liane, também não a visitava com frequência. “Não faz muito tempo que ele saiu. Ela levou e buscou ele lá”, acrescentou a amiga, referindo-se ao período de internação.
Ameaças e apreensão crescente nos dias que antecederam o crime
Nos dias que antecederam o assassinato, Vera demonstrava uma apreensão cada vez maior. Ela chegou a pedir aos vizinhos que a avisassem caso Judicrei fosse visto nas proximidades. “Desde sexta-feira ela estava bem tensa. Eu não entendi. Ontem foi aniversário do meu neném, ela mandou presente, mas estava tensa. Talvez, no subconsciente dela, ela estava prevendo”, relatou Liane.
Essa tensão de Vera pode ter sido um indicativo de que ela sentia a gravidade da situação e o perigo iminente, mesmo que não conseguisse prever a extensão da violência que viria a sofrer. O comportamento do irmão após a alta da clínica de reabilitação foi o gatilho para esse medo.
O crime e as estatísticas de feminicídio
O trágico episódio ocorreu na tarde de quarta-feira (16), em uma loja de aviamentos na Rua Sagarana, no Bairro Zé Pereira, em Campo Grande. Judicrei é apontado como o autor dos disparos que tiraram a vida de Vera. Logo após o crime, ele cometeu suicídio. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.
Um vizinho relatou ter ouvido os disparos e reconhecido Judicrei como irmão de Vera. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) esteve no local para apurar os fatos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, caso a polícia confirme o contexto de violência doméstica, Vera será a 26ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano. O último caso registrado foi o de Adriele dos Santos, de 34 anos, em 29 de agosto.
A importância da rede de apoio e o combate ao vício
Este triste acontecimento ressalta a importância de redes de apoio tanto para vítimas de violência quanto para pessoas em processo de recuperação de vícios. A dedicação de Vera em ajudar o irmão, mesmo diante de ameaças, demonstra um amor e uma força admiráveis, que infelizmente não foram suficientes para protegê-la.
O caso também serve como um alerta sobre os perigos associados ao uso de drogas e a necessidade de um acompanhamento mais rigoroso e eficaz para indivíduos em tratamento, garantindo a segurança não só deles, mas também de seus familiares e da comunidade. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando as investigações e os desdobramentos deste crime que abalou a região.

