Aço: Gerdau sobe com tarifas, CSN despenca com fundamentos fracos

O mercado de aço na América Latina vive um momento de clara divisão, impulsionado por políticas comerciais e não por uma recuperação robusta na demanda. Enquanto a Gerdau comemora a valorização de suas ações, a CSN enfrenta uma forte desvalorização, evidenciando o impacto das tarifas de importação e a saúde dos fundamentos de cada empresa. Esta dinâmica, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, reflete uma estratégia de proteção comercial que beneficia alguns setores específicos do mercado siderúrgico.

Tarifas de Importação Ditando o Jogo no Mercado de Aço

Na última sessão, as ações da Gerdau apresentaram uma valorização de 0,98%, alcançando US$ 5,15. Esse desempenho positivo foi amplamente atribuído à sua forte ligação com a demanda protegida do setor de construção civil brasileiro. Investidores premiaram a Gerdau por sua capacidade de se beneficiar das barreiras comerciais que sustentam os preços do aço longo no mercado interno.

Em contrapartida, as ações negociadas nos Estados Unidos da CSN despencaram 7,97%, fechando em US$ 1,27. Essa queda acentuada sinaliza que a esperada melhora com as tarifas não foi suficiente para reverter os fundamentos fracos do mercado de aços planos. A proteção alfandegária, embora existente, não conseguiu compensar as dificuldades enfrentadas pela empresa neste segmento.

O ETF SLX, que reúne produtoras de aço, registrou um leve avanço de 0,31%, atingindo US$ 108,97. Este movimento global demonstra um interesse geral por ações do setor, apesar da divergência observada entre os nomes latino-americanos. A Ternium, por exemplo, conseguiu uma alta modesta de 0,50%, chegando a US$ 57,90, impulsionada pela demanda do setor automotivo mexicano e pela construção de fábricas ligadas ao nearshoring, mesmo em um cenário regional mais cauteloso.

A Proteção Que Divide o Mercado Siderúrgico

O diferencial competitivo no setor siderúrgico latino-americano, segundo análise do Campo Grande NEWS, reside cada vez mais nas políticas de defesa comercial. O Brasil mantém em vigor uma tarifa de 25% sobre importações acima de certas cotas, que vigorará até junho de 2027. Essa medida funciona como um piso para os preços do aço longo, beneficiando diretamente as produtoras domésticas como a Gerdau.

No México, a situação também é marcada por medidas protecionistas. Em setembro de 2026, o país finalizou a imposição de direitos antidumping sobre o aço laminado a quente proveniente da China e do Vietnã. As alíquotas estabelecidas chegam a aproximadamente US$ 0,31 por quilograma, reforçando a estratégia de proteger a indústria local contra concorrência desleal.

Apesar dessas barreiras, o crescimento do consumo regional de aço tem sido modesto. A proteção comercial, portanto, tem sido o principal motor para a valorização de certas ações, e não necessariamente uma recuperação expressiva na demanda. O mercado está precificando a segurança proporcionada pelas tarifas, e não um cenário de aquecimento econômico generalizado.

Gerdau se Destaca Pela Exposição à Construção Civil Brasileira

A Gerdau tem se beneficiado diretamente da política de proteção do mercado brasileiro. Seus produtos, como vergalhões e aço estrutural, atendem majoritariamente o setor de construção civil, que é o mais favorecido pelas barreiras à importação. Essa exposição estratégica permitiu à empresa navegar em um cenário desafiador com maior resiliência.

O desempenho da Gerdau contrasta fortemente com o da CSN. A empresa, com forte atuação no mercado de aços planos, tem sofrido com a falta de repasse dos benefícios tarifários para a precificação e o volume de vendas. Mesmo com a imposição de direitos antidumping de cinco anos sobre produtos chineses, a empresa não conseguiu reverter a tendência de queda em suas ações, conforme observado pelo Campo Grande NEWS.

Ternium e o Cenário Automotivo e de Nearshoring no México

A Ternium, embora com um desempenho mais discreto, demonstra a força de outros nichos de mercado. A demanda proveniente do setor automotivo mexicano e a construção de novas fábricas impulsionadas pelo fenômeno do nearshoring têm sustentado a empresa. Esses fatores, combinados com a política comercial mexicana, criam um ambiente mais favorável para a produtora.

A disparidade entre o desempenho da Gerdau e da CSN é, portanto, o sinal mais claro da semana. O mercado está atento à capacidade de cada empresa de se adaptar e prosperar sob as atuais condições comerciais. A proteção tarifária é um fator crucial, mas a saúde dos fundamentos de cada segmento de atuação é o que, em última instância, determina o sucesso no volátil mercado de aço.