A tempestade que assolou Campo Grande no final da tarde de quarta-feira (10) deixou diversos bairros sem energia elétrica por mais de 24 horas. A falta de luz impactou a rotina de moradores e o funcionamento de estabelecimentos comerciais, gerando prejuízos que vão desde a perda de alimentos perecíveis até a preocupação com medicamentos que necessitam de refrigeração constante, como a insulina. Diversos imóveis continuam sem o fornecimento, mesmo com a concessionária informando o restabelecimento do serviço em algumas áreas.
Apagão em Campo Grande causa transtornos e perdas
A falta de energia elétrica em Campo Grande, que se estende por mais de 24 horas em alguns bairros, tem gerado transtornos significativos para a população. A tempestade de apenas 20 minutos, com ventos de 83 km/h, causou estragos na rede elétrica, resultando em um apagão que afetou áreas como Panorama, Lagoa Itatiaia, Jardim TV Morena, Vila Margarida, Rita Vieira, Itamaracá, Nasser, Marli, Tiradentes, Monte LíBano, Carandá e Jardim Novos Estados.
Em alguns pontos, como na Rua Itaciara, no Parque dos Novos Estados, a queda de uma árvore de grande porte atingiu a rede elétrica, quebrando um poste. A situação causou interdição total da via e deixou os moradores sem luz, conforme relatos ao g1. A demora no restabelecimento da energia preocupa especialmente aqueles que dependem de equipamentos ou medicamentos que precisam de refrigeração.
A situação é agravada pelo fato de que, em muitos casos, a concessionária de energia informou o restabelecimento do fornecimento, mas os moradores afirmam que os imóveis continuam às escuras. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa discrepância entre as informações da empresa e a realidade vivenciada pelos moradores tem aumentado a frustração e a insegurança na região.
Medicamentos essenciais em risco pela falta de energia
A preocupação com a perda de medicamentos essenciais é um dos pontos mais críticos gerados pelo apagão. Josy Rezende, moradora de um dos bairros afetados, expressou seu receio em relação à insulina utilizada por seu filho, que tem diabetes tipo 1. Ela possui a medicação para um mês inteiro e teme que a interrupção prolongada no fornecimento de energia comprometa a eficácia do tratamento.
“Ainda não pedi alimento nem medicamento, mas estou com medo de perder. Meu filho usa insulina, tem diabetes tipo 1, e a gente tem a medicação para o mês. Estamos apreensivos e com medo de ela não voltar tão cedo”, desabafou Josy, ilustrando a urgência da situação para famílias que dependem de cuidados contínuos.
Comerciantes sofrem com perdas de produtos e prejuízos
O setor comercial também foi duramente atingido pela falta de energia. Em um conjunto residencial no bairro Tiradentes, uma sorveteria recém-inaugurada, com apenas 20 dias de funcionamento, corre o risco de perder todo o seu estoque armazenado em freezers. O empresário Renato Daquila relatou que a energia acabou por volta das 17h30 de quinta-feira e, apesar de ter permanecido no local até a meia-noite, não obteve solução ou atendimento. Mesmo com o aplicativo da concessionária indicando o restabelecimento, o imóvel continuou sem luz.
Na Padaria Monte LíBano, o proprietário Helio Carlos Hernandes relatou esforços para minimizar as perdas, como o transporte de parte da produção para outro local para preparo e posterior retorno. Mesmo assim, produtos como pão francês, que estava em uma câmara fria, não puderam ser aproveitados por terem crescido além do ponto ideal. Doces e bolos expostos no balcão também foram descartados, pois o comerciante optou por não arriscar a saúde dos clientes, priorizando a segurança alimentar.
“Não dá para correr o risco de entregar isso para o cliente e dar um problema para uma criança, para um idoso”, afirmou Hernandes, demonstrando a responsabilidade do comércio local diante da crise.
Moradores relatam descaso e falta d’água em condomínio
No bairro Carandá, a situação também foi crítica. Francinei Aleixo contou que a casa de sua mãe estava sem energia desde as 17h20 de quinta-feira, obrigando-o a procurar outros locais para carregar aparelhos eletrônicos e temendo a perda dos alimentos em casa. Uma árvore caiu sobre a rede elétrica na Rua Wagner Jorge Borttoto Garcia, próximo à Avenida Hiroshima, bloqueando a via mesmo após o restabelecimento parcial da energia em alguns pontos.
Em um condomínio residencial no Jardim Novos Estados, moradores enfrentam mais de 24 horas sem energia e, adicionalmente, sem água. Valéria Ruas informou que há muitos idosos no local, alguns dependentes de aparelhos elétricos para respirar. A situação levou ao acionamento de uma ambulância e à perda de todos os alimentos refrigerados. “Nós já estamos há mais de 24 horas aqui sem luz, todos os alimentos já foram perdidos e também estamos sem água”, relatou Valéria.
Apesar de registrarem reclamações junto à Energisa, os moradores afirmam que os chamados aparecem no sistema como resolvidos, mesmo com os imóveis permanecendo sem energia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa falha na comunicação e no atendimento tem sido um ponto de grande insatisfação para os afetados.
Concessionária afirma ter 91% de restabelecimento e equipes em campo
Em resposta à situação, a Energisa informou que está com equipes atuando intensamente em Campo Grande. Em boletim divulgado às 19h10 desta sexta-feira (11), a concessionária declarou que “91% dos clientes já tiveram o fornecimento de energia restabelecido”. As regiões mais afetadas, segundo a empresa, foram Vila Carvalho, Monte Castelo, Jardim Noroeste, Centro, Amambai, Jóquei Club, Jardim Nhanha e Tiradentes.
A empresa reforça que o contingente de equipes nas ruas é quatro vezes maior que o habitual e que os profissionais estão utilizando maquinário pesado para a retirada de árvores e outros objetos que atingiram a rede elétrica, que precisou ser reconstruída em alguns trechos. A Energisa assegura que as equipes permanecem mobilizadas, inclusive durante a madrugada, para a total reconstrução da rede e restabelecimento do fornecimento para todos os clientes. Os prejuízos totais ainda serão calculados, mas a prioridade é a normalização do serviço, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

