Banco Inter revoluciona Argentina: Invista nos EUA a partir de US$5 contra Mercado Pago

O Banco Inter, gigante digital brasileiro, oficializou seu lançamento na Argentina nesta segunda-feira, 7 de setembro, marcando sua segunda incursão internacional após os Estados Unidos. A novidade promete agitar o mercado financeiro argentino, oferecendo uma conta de investimento que permite aos usuários converter pesos em ativos americanos diretamente pelo aplicativo, com investimentos a partir de apenas US$5 em ações fracionadas dos EUA, ETFs, títulos do Tesouro americano e fundos de mercado monetário.

Inter desafia Mercado Pago e Ualá na Argentina

O CEO global do Inter, João Vitor Menin, expressou grande confiança em replicar o sucesso obtido no Brasil, onde a empresa conquistou cerca de 10% do mercado dominado por cinco grandes bancos. Agora, o foco é a Argentina, um país conhecido pela forte demanda por dólares e pela presença de players consolidados como Mercado Pago e Ualá. Menin acredita que a proposta de valor do Inter, focada em simplicidade, digitalização e transparência, será um diferencial competitivo. Conforme divulgado pelo Inter&Co, a empresa já conta com 45,3 milhões de clientes e ativos superiores a 100 bilhões de reais (US$19,6 bilhões).

Acesso direto a Wall Street com pesos argentinos

A mecânica da plataforma foi pensada para o público argentino, que naturalmente busca formas de proteger seu capital em moeda forte. Os usuários poderão transferir pesos de qualquer banco ou carteira digital local para o aplicativo do Inter. Através de uma operação de câmbio chamada ‘contado con liquidación’, que opera com taxa de mercado, os fundos serão convertidos e depositados em uma Conta Global de Investimento sediada nos EUA. A partir daí, o acesso a ações fracionadas americanas, ETFs, títulos do Tesouro, fundos de mercado monetário, e até mesmo títulos corporativos e soberanos latino-americanos, torna-se imediato. O serviço de empréstimo de títulos também estará disponível.

Santiago Stel, diretor financeiro do Inter, destacou que essa modalidade se diferencia e se sobrepõe às opções tradicionais como os CEDEARs, que são recibos de depósito negociados localmente e que replicam ações americanas, mas com custos adicionais. “Com o Inter, quando você compra ações, você compra as ações nos Estados Unidos, você acessa o ativo diretamente”, explicou Stel durante o lançamento em Buenos Aires. Ele ressaltou ainda a ausência de taxas de manutenção de conta e de valores mínimos para transações, além da agilidade nas transferências.

Parceria estratégica e infraestrutura local

Para viabilizar a operação, o Inter firmou uma parceria com o Grupo BIND, que fornecerá a infraestrutura de ‘banking-as-a-service’ para a parte local da operação. Dessa forma, o Inter mantém o controle do aplicativo, da marca e do relacionamento direto com o cliente. Complementando a experiência, a plataforma incluirá o ‘Forum’, uma rede social financeira dentro do aplicativo, com conteúdo educativo voltado para investimentos. “Muitos argentinos buscam maneiras de permanecer investidos em dólares e diversificar em mercados globais, nossa oportunidade é tornar esse acesso simples, digital e transparente”, afirmou Menin. Ele complementou, “Nossa visão é construir a plataforma financeira sem fronteiras mais relevante da região.”

Competição acirrada e aposta na experiência brasileira

O mercado argentino de serviços financeiros digitais é altamente competitivo. O Mercado Pago lidera em pagamentos digitais, a Ualá construiu uma base sólida de usuários fintech ao longo dos anos, e os bancos tradicionais e corretoras digitais já possuem seus nichos no segmento de investimentos. João Vitor Menin, que participou da apresentação em Buenos Aires, relembrou a trajetória do Inter no Brasil. Quando a empresa iniciou sua jornada digital, cinco grandes bancos controlavam entre 90% e 95% do mercado, e mesmo assim, o Inter conseguiu capturar cerca de 10% de participação com produtos de tecnologia avançada e sem taxas. “Nós tivemos sucesso mesmo com essa concorrência, e estamos confiantes de que podemos competir na Argentina e nos Estados Unidos”, disse ele. “A concorrência é saudável, nos ajuda a melhorar nossos produtos.”

O argumento estrutural do Inter para competir é o baixo custo operacional. Sem agências físicas e com uma equipe enxuta, o custo por cliente ativo do Inter gira em torno de 13 reais (US$2,5) mensais, uma fração do que os bancos tradicionais possuem, segundo Menin. O plano de expansão, seguindo o modelo brasileiro, prevê a introdução sequencial de novos produtos. Pagamentos via QR Code, um cartão pré-pago, transferências internacionais e o sistema Pix para brasileiros viajando para a Argentina são os próximos passos, seguidos futuramente por crédito e, eventualmente, financiamento imobiliário. O Grupo Menin, controlador do Inter, também atua no setor de construção civil no Brasil com a MRV, e o crédito imobiliário é um produto chave para o banco tanto no Brasil quanto nos EUA.

Um investimento de longo prazo, independente de governos

Menin fez questão de frisar que a entrada do Inter na Argentina é uma decisão de longo prazo, desvinculada de conjunturas políticas. “Para nós, estar na Argentina é independente da relação que este ou o próximo governo tenha com o Brasil. Estamos pensando em construir algo grande e bem-sucedido nos próximos 10, 20 ou 30 anos”, declarou. Ele citou o potencial do turismo, as relações comerciais e o vasto talento tecnológico argentino como fatores que impulsionam essa visão. O momento também é notável, com o Brasil prestes a eleger um novo presidente e a Argentina vivenciando uma reabertura econômica sob o governo de Javier Milei, que tem atraído novamente o interesse de investidores estrangeiros no mercado financeiro local. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa reabertura já permitiu que a YPF captasse US$1,2 bilhão em títulos globais para o projeto Vaca Muerta.

A empresa-mãe, Inter&Co, listada na Nasdaq desde 2022 após seu IPO em São Paulo em 2018, apresentou um lucro trimestral recorde de 421 milhões de reais (US$83 milhões) no segundo trimestre, com um retorno sobre patrimônio líquido de 16,3%. O grupo atende 45,3 milhões de clientes, sendo 26,4 milhões ativos, e oferece mais de 180 produtos. Fundado em 1994 por Rubens Menin como Intermedium, o banco é hoje liderado globalmente por seu filho, João Vitor Menin, cuja fortuna é estimada pela Forbes em US$1,8 bilhão. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a solidez financeira do Inter&Co é um pilar importante para essa expansão.

O que observar no futuro do Banco Inter na Argentina

Três indicadores serão cruciais para avaliar o sucesso da operação do Inter na Argentina. O primeiro é o crescimento da base de usuários e a confiança que os argentinos depositarão em um aplicativo brasileiro para gerenciar suas economias em dólares. O segundo ponto é a agilidade na entrega de novos produtos; a introdução do cartão pré-pago e dos pagamentos via QR Code sinalizaria a transição do Inter de uma ferramenta de investimento para um player no dia a dia financeiro, território onde o Mercado Pago é mais forte. O terceiro e talvez mais desafiador é a questão do crédito. O financiamento ao consumidor na Argentina está em recuperação após anos de alta inflação, e as ambições do Inter em crédito imobiliário o colocariam em concorrência direta com os mesmos bancos que ele afirma poder superar em custos. A experiência do Nubank, que tentou a Argentina em 2019 e se retirou em poucos meses, serve de alerta, mas o Inter aposta em seu balanço robusto e em sua estratégia de longo prazo para ter sucesso. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a paciência e a capacidade de investimento são fatores determinantes para a sustentabilidade no mercado argentino.