Filhote resgatada de maus-tratos ganha nome e família após vídeo viralizar

Um vídeo chocante que mostra uma filhote de shih-tzu sendo brutalmente agredida por sua tutora viralizou nas redes sociais, gerando revolta e mobilizando autoridades. A pequena sobrevivente, que nasceu em 21 de julho deste ano, foi resgatada e acolhida pela delegada Tatiana Zyngier e Silva, que decidiu adotá-la e lhe deu o nome de Esther, em uma emocionante coincidência ligada à perda de seu próprio cão, ocorrida exatamente um ano antes.

Gabriela Servantes Pereira, de 30 anos, foi presa em flagrante em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, após as imagens de maus-tratos serem divulgadas. Na gravação, a mulher aparece chutando e arremessando a cachorrinha no chão, repetindo a frase “Chama o delegado!”. A ação desencadeou uma onda de denúncias, que culminaram na prisão da agressora. Conforme informações divulgadas, o caso ganhou destaque nacional e a atuação rápida da polícia foi essencial para salvar a vida do animal.

A filhote, que sofreu agressões severas, está se recuperando e já demonstra sinais de adaptação em seu novo lar. A história de Esther comoveu a todos, especialmente a delegada Tatiana Zyngier, que se apegou à cachorrinha desde o primeiro contato e agora busca formalizar a adoção. A nova família de Esther já conta com três outros cachorros, que a receberam calorosamente.

A agressora e a negação dos atos

Antes de ser presa, Gabriela Servantes Pereira publicou um novo vídeo nas redes sociais negando as agressões. Ela afirmava que estava apenas “brincando” com a cachorrinha, a quem chamava de Pandora, e que ela não estava machucada. As contas da suspeita no TikTok e Instagram, antes públicas, foram fechadas após a repercussão negativa. Em sua descrição nas redes, ela se apresentava como criadora de conteúdo e “Miss Virtual 2025”, segundo informações apuradas pelo Campo Grande NEWS.

A defesa de Gabriela alega que ela se encontra em uma “situação de profunda vulnerabilidade psiquiátrica”, com diagnóstico de transtorno de personalidade borderline e episódio depressivo grave. Segundo o advogado, ela realiza tratamento psiquiátrico contínuo e faz uso de medicamentos controlados, o que, segundo a defesa, afetaria seu discernimento e estabilidade comportamental. A defesa pretende apresentar o histórico médico no processo para discutir a capacidade da acusada de compreender seus atos, avaliando a possibilidade de inimputabilidade ou semi-imputabilidade.

Um novo começo para Esther

A pequena Esther, com apenas 50 dias de vida, foi acolhida provisoriamente pela delegada Tatiana Zyngier e Silva. A intenção da policial é adotá-la definitivamente. “Ela está comigo. A delegacia não era um ambiente para ela. Então, pelo menos provisoriamente, e espero que definitivamente, ela fique comigo”, declarou Tatiana ao Campo Grande NEWS. A delegada expressou sua forte conexão com a filhote, especialmente após descobrir que Esther nasceu no mesmo dia em que perdeu seu amado cão, há um ano.

“Eu tenho outros. Mas, quando olhei a data de nascimento dela, acredita que foi 21 de julho deste ano, exatamente um ano depois que perdi o meu? Quando vi aquilo, falei: ‘Meu Deus, essa cachorrinha é para ficar comigo’. Espero que ela realmente fique, porque vou dar todo o amor do mundo para ela”, relatou a delegada emocionada. A coincidência reforçou o sentimento de que Esther era destinada a fazer parte de sua família.

O resgate e a ação policial

As imagens da agressão foram publicadas na segunda-feira (7) e rapidamente se espalharam, gerando indignação. Tatiana Zyngier contou que foi alertada sobre os vídeos e as denúncias na manhã de quarta-feira (9). Ela entrou em contato com um colega em Aquidauana e mobilizou equipes para localizar a mulher e a filhote. O resgate foi bem-sucedido, e a prisão em flagrante ocorreu logo em seguida. O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana.

A delegada ressaltou a importância da rápida intervenção policial para evitar que a filhote sofresse consequências ainda mais graves. “Ela é muito pequenininha. Pelo que sofreu, digo que é realmente uma sobrevivente. Ser jogada e chutada da forma como foi, eu nem preciso falar muito, porque os vídeos falam por si. A gente consegue imaginar o que ela estava sofrendo”, afirmou Tatiana. A atuação da polícia e a colaboração da população, através de denúncias, foram cruciais para o desfecho positivo. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos da investigação e o resgate do animal.

Como denunciar maus-tratos a animais

A mobilização que levou ao resgate de Esther começou com denúncias feitas pela população. O cidadão pode utilizar a Delegacia Virtual (Devir) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para comunicar ocorrências de maus-tratos contra animais. O serviço está disponível no site devir.pc.ms.gov.br e pode ser usado para denúncias em qualquer município do estado.

Ao acessar a Devir, o usuário deve selecionar a aba destinada ao combate aos maus-tratos contra animais. O envio de imagens, vídeos, endereços e outras informações que ajudem a identificar o local e os envolvidos pode acelerar a apuração e o resgate dos animais em situação de risco. No caso de Esther, o vídeo da violência foi fundamental para localizar a suspeita e retirar a filhote da situação de perigo, garantindo um final feliz para a pequena sobrevivente.