O cancelamento do show da banda Lagum, que ocorreria em Campo Grande no dia 8 de março, transformou a decepção dos fãs em prejuízo financeiro e culminou em um inquérito civil no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A falta de reembolso para a maioria dos ingressos adquiridos antecipadamente motivou a investigação seis meses após o evento frustrado.
Apenas 73 de 679 ingressos foram ressarcidos, de acordo com informações da ticketeria Bilheteria Digital Promoção e Entretenimento Ltda. O valor total arrecadado com a venda das entradas somou R$ 88.900,00. A empresa contratante, LPV Business Ltda, repassou os valores da ticketeria e não cumpriu com os compromissos financeiros assumidos com a banda e fornecedores, gerando um calote, como relatou o empresário da Lagum.
Investigação do MPMS aponta para falta de restituição
O caso chegou ao Ministério Público após 41 denúncias registradas no Procon/MS. A investigação civil visa apurar as responsabilidades pela não restituição dos valores pagos pelos consumidores. Conforme apurado pelo MPMS, dos 679 ingressos vendidos, que custavam entre R$ 80 (meia-entrada no primeiro lote) e R$ 280 (inteira no quarto lote), apenas 73 tiveram seus valores devolvidos até junho.
O valor total arrecadado com a venda dos ingressos foi de R$ 88.900,00. A Bilheteria Digital informou ao órgão que os recursos provenientes da comercialização dos ingressos foram repassados à LPV Business LTDA, conforme contrato. A ticketeria ficou apenas com os valores referentes à remuneração pelos serviços tecnológicos prestados. A reportagem procurou a LPV Business Ltda e a Bilheteria Digital, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
Banda Lagum alega “justa causa” para o cancelamento
A apresentação da Lagum em Campo Grande fazia parte de uma sequência de shows que incluía Rondonópolis (MT) e Cuiabá (MT). Todas as três apresentações foram canceladas. A justificativa oficial, divulgada três dias antes do evento em Campo Grande, apontava “questões operacionais e contratuais alheias à vontade da produção e dos artistas”.
No entanto, o empresário da banda, Ricardo Chantilly, explicou ao Campo Grande NEWS que os cancelamentos ocorreram por “justa causa”, devido ao não cumprimento das obrigações financeiras por parte da contratante, a LPV Business Ltda. Segundo ele, houve um calote, e nem a banda, nem os fornecedores receberam os pagamentos devidos pela contratante ou pela ticketeria.
Contratante não honrou compromissos com banda e fornecedores
A banda Lagum, formada em Belo Horizonte em 2014 e conhecida nacionalmente pelo hit “Deixa”, foi contratada pela LPV Business Ltda para realizar os três shows. A empresa de Cuiabá seria responsável por toda a estrutura dos eventos, incluindo aluguel de espaço, iluminação e som. Contudo, a LPV não honrou com seus compromissos, resultando em um prejuízo para a banda e para os fornecedores.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, o contrato entre a Bilheteria Digital e a LPV previa a antecipação dos valores arrecadados com a venda de ingressos para viabilizar a realização do evento. Essa medida, embora comum, acabou por repassar todo o montante para a contratante, deixando a ticketeria sem os fundos para realizar a restituição integral aos consumidores.
O que diz a Bilheteria Digital
Em manifestação anexa ao inquérito, a Bilheteria Digital Promoção e Entretenimento Ltda informou que os recursos provenientes da venda de ingressos foram repassados à LPV Business LTDA, conforme acordado contratualmente. A ticketeria alega ter ficado apenas com a remuneração pelos serviços tecnológicos prestados. A empresa não se pronunciou sobre os valores ainda pendentes de restituição.
Reconhecimento da banda Lagum
A Lagum é uma banda de pop e rock alternativo que ganhou notoriedade nacional e acumula duas indicações ao Grammy Latino. A primeira foi em 2022, com o álbum “Memórias (De Onde Eu Nunca Fui)”, e a segunda em 2024, com “Lagum Ao Vivo”, ambas na categoria de Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa. A notícia do cancelamento e a falta de reembolso geraram grande insatisfação entre seus fãs, que esperavam ansiosamente pela apresentação.
A investigação do MPMS e as denúncias ao Procon/MS buscam garantir que os consumidores lesados recebam o reembolso dos valores pagos pelos ingressos. O caso ressalta a importância da fiscalização e da responsabilização das empresas envolvidas na organização de eventos, especialmente quando há falha na prestação de serviços e na devolução de valores aos consumidores. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o desenrolar deste inquérito.

