Os Estados Unidos deportaram 101 pessoas para o Haiti em um voo fretado no dia 3 de setembro de 2026. A aeronave pousou em Cap-Haïtien, e não na capital, Porto Príncipe, devido a preocupações com a segurança e a intensa violência de gangues. Este foi o terceiro voo de deportação consecutivo em uma quinta-feira, sinalizando uma transição para voos semanais, apesar do próprio Departamento de Estado americano emitir um alerta pedindo aos cidadãos que evitem viajar para o Haiti em qualquer circunstância.
EUA intensificam deportações para o Haiti em meio a crise
O governo dos Estados Unidos intensificou suas operações de deportação para o Haiti, enviando 101 indivíduos de volta ao país caribenho em um voo fretado em 3 de setembro de 2026. A decisão ocorre em um momento crítico para o Haiti, que enfrenta instabilidade política, violência generalizada de gangues e uma crise humanitária em aprofundamento. Conforme relatado pela Associated Press (AP), o voo pousou em Cap-Haïtien, uma cidade no norte do Haiti, em vez da capital, Porto Príncipe, uma decisão motivada pela grave situação de segurança.
Nicolas Mardochée, coordenador de assuntos externos do Haiti, confirmou à AP que exatamente 101 deportados estavam a bordo. A situação é ainda mais preocupante pois o ICE Flight Monitor, monitor de voos da Human Rights First, indicou que este foi o terceiro voo de deportação consecutivo para o Haiti em uma quinta-feira. Isso marca uma mudança significativa, passando de voos mensais para **voos semanais de deportação**, o que aumenta a pressão sobre as já limitadas capacidades de acolhimento e assistência no Haiti.
A escolha de Cap-Haïtien como destino, em detrimento de Porto Príncipe, é diretamente ligada à **perigosa escalada da violência de gangues** que assola a capital. O principal aeroporto de Porto Príncipe tem sido considerado inseguro para operações aéreas regulares, comerciais ou de deportação. Paralelamente, o Departamento de Estado dos EUA mantém um alerta de nível 4, o mais alto em sua escala, **desaconselhando totalmente viagens ao Haiti**, citando riscos de sequestro, crime e agitação civil, e incluindo terrorismo como um perigo iminente para os cidadãos americanos.
Voos de deportação se tornam semanais em meio a alertas de viagem
A política de deportação dos EUA para o Haiti tem se tornado um padrão semanal, com o voo de 3 de setembro sendo o terceiro consecutivo. Anteriormente, em 27 de agosto de 2026, os EUA já haviam deportado 57 pessoas para o Haiti, incluindo homens e mulheres, e possivelmente crianças. O jornal Le Nouvelliste, citado pela UPI, reportou que entre os deportados estavam indivíduos nascidos nos EUA e no Brasil. Este voo seguiu outro, ocorrido em 20 de agosto de 2026, no qual mais de 160 pessoas foram deportadas para Cap-Haïtien. A composição exata do voo de 3 de setembro, incluindo a presença de crianças, não foi divulgada.
A situação é agravada pelo fim do Status de Proteção Temporária (TPS) para haitianos nos EUA. O TPS é um programa que permite a cidadãos de países em crise permanecerem temporariamente nos Estados Unidos. Cerca de 350.000 haitianos possuíam o benefício antes de sua revogação. Embora uma decisão judicial em fevereiro de 2026 tenha bloqueado temporariamente o fim do TPS, a Suprema Corte, em junho de 2026, decidiu que os tribunais não podem revisar tais decisões. Com o levantamento da liminar em agosto de 2026, as proteções do TPS para haitianos terminaram formalmente, tornando muitos mais elegíveis para deportação.
Violência e deslocamento em massa assombram o Haiti
O Haiti enfrenta uma crise humanitária severa, marcada por ataques violentos e deslocamento em massa. Um ataque de gangue em Kenscoff, ocorrido entre 23 e 24 de agosto de 2026, resultou na morte de pelo menos 47 pessoas, incluindo cinco crianças. O mesmo ataque forçou o deslocamento de aproximadamente 2.647 pessoas, segundo a Matriz de Monitoramento de Deslocamento da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Esses eventos reverteram o progresso anterior na redução da violência, que havia sido reduzida em 66% em Kenscoff no início de 2026, de acordo com dados da ONU.
Além disso, confrontos entre gangues na Planície do Cul-de-Sac, incluindo a área de Cité Soleil, causaram a morte de pelo menos 613 pessoas entre março e julho de 2026. O Escritório Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz no Haiti (BINUH) informou ao Conselho de Segurança da ONU que 375 pessoas ficaram feridas no mesmo período. Esses conflitos também deslocaram cerca de 18.000 pessoas ao redor de Cité Soleil. Em maio de 2026, já havia 1,47 milhão de pessoas deslocadas internamente no Haiti, representando cerca de 12% da população, sendo a maioria mulheres e crianças.
Recepção e desafios para os deportados no Haiti
No Haiti, o Escritório Nacional de Migração, liderado por Jean Négot Bonheur Delva, é responsável por receber os deportados. Ao chegarem, os retornados recebem até 65 dólares em espécie, além de alimentos e água. Aqueles que não conseguem chegar às suas casas no mesmo dia recebem abrigo temporário. No entanto, a situação é complicada pelo controle de rotas por gangues, especialmente em direção ao sul do país, dificultando o deslocamento dos recém-chegados. O governo haitiano afirma que auxiliará na reunificação familiar quando necessário.
Grupos como a OIM tentam conectar os deportados a serviços de apoio de longo prazo. Muitos deportados passaram anos nos EUA e não possuem mais laços familiares ou residência no Haiti, o que agrava a crise. O governo haitiano tem expressado repetidamente sua preocupação com o crescente fluxo de retornados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, outros países da região também têm deportado haitianos. Em 27 de agosto de 2026, as autoridades das Bahamas retornaram 104 haitianos para Cap-Haïtien, elevando o número total de chegadas naquele dia para mais de 160 pessoas, considerando o voo dos EUA. Grupos de direitos humanos criticam esse padrão regional, argumentando que as condições no Haiti permanecem perigosas.
A política de deportação dos EUA é baseada no direito de remover indivíduos que estão no país ilegalmente. O fim do TPS aumentou significativamente o número de haitianos elegíveis para deportação. O Departamento de Segurança Interna (DHS) é o órgão responsável pela execução desses voos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o DHS não comentou publicamente sobre o voo específico de 3 de setembro. A situação no Haiti, com sua instabilidade política, violência de gangues e crise humanitária, torna o retorno desses indivíduos um desafio ainda maior para um sistema já sobrecarregado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a monitoria de voos de deportação, como o ICE Flight Monitor da Human Rights First, tem sido crucial para aumentar a transparência sobre essas operações.


