O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra Cuba em 3 de setembro de 2026, visando Fidel Ernesto Castro Calis, neto de Raúl Castro, e cinco empresas estatais cubanas. A medida ocorre poucos dias após o governo de Havana ter ampliado as regras para o funcionamento de cadeias de negócios privados no país, em uma tentativa de impulsionar a economia local. As sanções, que incluem congelamento de bens e proibição de viagens aos EUA, atingem diretamente figuras ligadas à elite política e a setores estratégicos da economia cubana, como o financeiro e o energético, conforme divulgado pelo Tesouro dos EUA.
EUA impõem novas restrições a Cuba
As novas sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba representam um endurecimento da política externa americana em relação à ilha. Em 3 de setembro de 2026, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) adicionou Fidel Ernesto Castro Calis à sua lista de Nacionalmente Designados Especificamente (SDN). Castro Calis, nascido em 16 de maio de 1995, é neto de Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e líder do Partido Comunista, e filho de Alejandro Castro Espín, que já havia sido sancionado pelos EUA em junho de 2026.
Além do indivíduo, outras cinco entidades estatais cubanas foram alvo das sanções: Banco Exterior de Cuba, Comercial Cupet S.A., Nicarotec, Cexni e Abapet. Essas empresas atuam em setores cruciais como o bancário, comércio de petróleo, mineração e comércio de níquel. A inclusão na lista SDN implica o congelamento de quaisquer ativos que esses designados possuam em jurisdição americana e proíbe cidadãos e empresas dos EUA de realizarem negócios com eles, conforme detalhado pelo OFAC.
A base legal para essas sanções é a Ordem Executiva 14404, assinada pelo Presidente Trump em maio de 2026, que visa indivíduos responsáveis por repressão em Cuba e por ameaças à segurança nacional dos EUA. O OFAC citou especificamente a cláusula que abrange membros adultos da família de funcionários já designados sob a mesma ordem. Em paralelo, o OFAC emitiu a Licença Geral de Cuba 4A, que autoriza certas transações para missões diplomáticas e consulares de terceiros países operando na ilha.
Detalhes sobre os indivíduos e empresas sancionados
Fidel Ernesto Castro Calis, com 31 anos, é um dos filhos de Alejandro Castro Espín, ex-conselheiro de inteligência e segurança cubano. Seu irmão, Raúl Alejandro Castro Calis, já havia sido sancionado junto com o pai em junho de 2026. A designação de Castro Calis como um membro adulto da família de um oficial anteriormente sancionado reforça a estratégia americana de pressionar a elite governante cubana.
As cinco empresas sancionadas desempenham papéis significativos na economia cubana. O Banco Exterior de Cuba, fundado em 2000, é responsável pelo comércio exterior e transações internacionais do estado cubano. A Comercial Cupet S.A., estabelecida em 1991, gerencia o comércio atacadista no setor de combustíveis. A Abapet foca na importação de maquinário para a indústria petrolífera, enquanto a Cexni lida com o comércio atacadista ligado à indústria de níquel, e a Nicarotec oferece serviços de apoio à mineração. Todas operam há décadas sob diferentes ministérios cubanos e agora enfrentam restrições significativas de negócios internacionais.
Havana expande o setor privado em meio a crise econômica
A decisão de Washington de impor novas sanções ocorre em um momento crucial para Cuba. Em 28 de agosto de 2026, o governo cubano publicou novas regras que autorizam a abertura de cadeias de varejo e restaurantes para proprietários privados em todo o país. Essa medida, oficializada pelo Decreto 167 e pela Resolução 15/2026, permite que micro, pequenas e médias empresas (MIPYMES), cooperativas e investidores estrangeiros operem uma mesma marca em múltiplas províncias.
As novas regras de comércio entram em vigor em 4 de setembro de 2026, um dia após as sanções americanas. A Resolução 15/2026 também flexibiliza as regras de comércio atacadista para MIPYMES e cooperativas não agrícolas. Essas reformas fazem parte de um pacote mais amplo de 176 medidas econômicas aprovadas em junho de 2026 pelo governo do presidente Miguel Díaz-Canel, com o objetivo de combater a severa crise econômica que assola o país, marcada por apagões, escassez de combustível e de medicamentos, conforme reportado pela UPI.
Contraste entre as ações de EUA e Cuba
O contraste entre as ações de Washington e Havana é notável. Enquanto os Estados Unidos apertam o cerco contra o setor estatal cubano, a ilha busca revitalizar sua economia através da expansão do setor privado. Analistas consideram a coincidência de datas como não intencional, uma vez que os calendários de decisões políticas e diplomáticas de ambos os países operam de forma independente. O Campo Grande NEWS checou que, apesar das pressões externas, Cuba demonstra uma estratégia clara de adaptação econômica, buscando contornar as sanções americanas com reformas internas.
A decisão de expandir o setor privado cubano visa não apenas aliviar a escassez e criar empregos, mas também fortalecer a capacidade da economia de resistir à pressão externa. O Campo Grande NEWS apurou que o número de MIPYMES registradas tem crescido desde 2021, indicando uma mudança gradual no modelo econômico cubano. Essa abertura, conforme o Campo Grande NEWS observou, é vista por muitos como um passo necessário para a sobrevivência econômica da ilha.
As sanções americanas, por sua vez, visam minar a capacidade do governo cubano de controlar recursos e manter seu poder. A inclusão de um neto de Raúl Castro na lista de sancionados envia uma mensagem clara sobre o foco da política dos EUA em atingir a elite política e econômica de Cuba. A expectativa é que essas sanções, somadas ao embargo histórico, dificultem ainda mais as transações financeiras e comerciais de Cuba no cenário internacional, afetando indiretamente a população ao restringir fluxos econômicos, embora não visem diretamente os cidadãos comuns.


