Mulher que tentou impedir ataque vira alvo de barra de ferro no trânsito

Mulher que defendeu vítima de agressão no trânsito teve carro atacado com barra de ferro

Uma cena de violência chocou motoristas em Campo Grande nesta quinta-feira (3). Uma consultora de vendas, Sônia Mara Menegassi, ao presenciar uma jovem sendo brutalmente agredida com uma barra de ferro por um motociclista, decidiu intervir. No entanto, sua tentativa de ajudar acabou transformando-a em alvo do agressor, que danificou seu veículo antes de fugir. A vítima original, uma fisioterapeuta de 23 anos, sofreu fratura na mão e precisará de cirurgia após ser perseguida por mais de dois quilômetros. As informações foram divulgadas pelo Campo Grande News.

Sônia Mara Menegassi relatou ao Campo Grande News que seguia para a academia por volta das 5h50 quando se deparou com a cena de horror em um semáforo. A violência da agressão a fez buzinar repetidamente na tentativa de fazer o motociclista parar. A ação, que era para proteger a jovem, acabou atraindo a fúria do agressor, que danificou o carro da consultora com a barra de ferro usada contra a primeira vítima. O caso evidencia a perigosa escalada da violência no trânsito e a coragem de cidadãos que se arriscam para defender o próximo.

O momento da agressão e a intervenção inesperada

Conforme contou Sônia ao Campo Grande News, o incidente ocorreu enquanto ela aguardava no semáforo. Ao ver a jovem sendo atacada com a barra de ferro, o instinto de proteção falou mais alto. “Eu entrei em pânico. Estava com todos os vidros do carro fechados e comecei a buzinar para ele parar de bater nela. Foi automático. Eu pensei: ‘Se eu buzinar, ele vai parar de bater nela’. Jamais poderia imaginar que ele ia me atacar e vir para cima do meu carro”, relatou a consultora.

Quando o semáforo abriu, Sônia acelerou o carro, mas o agressor, em fuga, desferiu um golpe com a barra de ferro, quebrando um dos vidros laterais do veículo. “No que o sinal abriu, eu saí com o carro. Ele meteu o ferro em cima do meu carro e quebrou o vidro na hora”, descreveu Sônia, visivelmente abalada.

Perseguição e alívio ao saber da vítima

Após o ataque ao seu carro, Sônia, movida pela adrenalina e preocupação, perseguiu o motociclista por um trecho, mas acabou perdendo-o de vista. Ela retornou para casa transtornada, passando o dia sem saber o estado de saúde da fisioterapeuta ou mesmo se havia alguma conexão entre as duas. A incerteza e a preocupação a dominaram durante todo o dia.

A verdade sobre o estado da jovem veio à tona apenas à noite, em uma reunião de trabalho. Uma colega, ao ouvir sobre o vidro quebrado, identificou a vítima como sua professora de pilates. “Eu contei a história e ela falou: ‘É minha professora de pilates. Isso aconteceu hoje de manhã’. Qual a possibilidade de eu ir parar na casa de uma pessoa que conhecia essa menina?”, expressou Sônia, surpresa com a coincidência.

O contato com a professora de pilates trouxe um grande alívio para Sônia. Ela pôde confirmar que a fisioterapeuta estava bem, apesar dos ferimentos. A consultora, que havia passado o dia inteiro apreensiva, sentiu-se aliviada ao saber que sua intervenção, apesar de ter resultado em danos ao seu carro, não foi em vão e que a vítima estava se recuperando. Conforme o Campo Grande News checou, a fisioterapeuta sofreu fratura na mão.

A gravidade da agressão e a luta por justiça

A fisioterapeuta, de 23 anos, relatou ao Campo Grande News ter sido perseguida por mais de dois quilômetros. A agressão ocorreu entre a Avenida Ezequiel Ferreira Lima e as proximidades da Avenida Gunter Hans. O uso de capacete e mochila ajudou a minimizar os danos na cabeça e nas costas da vítima, mas um dos golpes com a barra de ferro atingiu sua mão, resultando em fratura e na necessidade de cirurgia.

A jovem, em seu relato ao Campo Grande News, expressou o terror vivido. “Eu falava para ele: ‘eu não te conheço, eu não te conheço, socorro’. E ele não parava em nenhum momento. Ele só ria e falava: ‘por que você está com medo de mim? Não precisa ter medo de mim'”, contou, evidenciando o caráter arbitrário e cruel da agressão. Ela disse ter ficado abalada e com medo de circular sozinha.

Sônia Mara Menegassi informou que não procurou a polícia imediatamente por não ter conseguido anotar a placa da motocicleta e desconhecer a existência de imagens do caso. O conserto do vidro de seu carro está orçado em quase R$ 500. Apesar disso, ela foi intimada a prestar depoimento na delegacia, um passo importante para que o agressor seja identificado e responda por seus atos. A ação de Sônia, embora tenha resultado em prejuízo material, demonstra um ato de bravura em meio à violência urbana. O Campo Grande News acompanhou o caso e buscou atestar a veracidade dos fatos, reforçando a importância do jornalismo local na apuração de crimes e na defesa da sociedade.