A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai desarticulou uma perigosa operação de tráfico de armas ao prender dois irmãos paraguaios em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça com Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. Blas Antonio Figueredo López, de 33 anos, e Fredy Alberto Figueredo López, de 38, foram flagrados enquanto negociavam a venda de 30 fuzis de grosso calibre, armamento que, segundo a Senad, seria entregue ao Comando Vermelho para abastecer facções criminosas em comunidades do Rio de Janeiro. A dupla teve a prisão preventiva decretada nesta quarta-feira (2) em Assunção, capital paraguaia, após audiência no Palácio da Justiça.
Conforme apuração do Campo Grande NEWS, a negociação visava o fornecimento de um arsenal de guerra para uma das maiores facções do Brasil. A informação sobre o destino das armas foi confirmada pela Senad, que aponta Blas López como peça-chave em um esquema de envio de armamento pesado e drogas para o mercado brasileiro, utilizando rotas de fronteira entre o Paraguai e o Brasil. O caso evidencia a complexa teia do crime organizado transnacional, com implicações diretas na segurança pública brasileira.
Arsenal avaliado em R$ 1,55 milhão apreendido na fronteira
A prisão dos irmãos ocorreu no domingo (30), em uma residência no Bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero. No local, agentes da Senad encontraram um impressionante carregamento de 20 fuzis G3 calibre 7,62 x 51 mm, de fabricação alemã, e dez fuzis Cetme, também do mesmo calibre, produzidos na Espanha. O valor total do arsenal apreendido é estimado em, no mínimo, US$ 300 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 1,55 milhão.
As armas estavam ocultas em meio a gêneros alimentícios na carroceria de uma caminhonete Ford Ranger. A suspeita é que o veículo seria utilizado para o transporte das armas até o Brasil, atravessando a fronteira. A apreensão representa um duro golpe contra o tráfico de armas e o financiamento do crime organizado no Rio de Janeiro, conforme detalhado em investigações que o Campo Grande NEWS acompanha.
Ligação com o Comando Vermelho e drogas apreendidas
A Senad trabalha com a hipótese de que o armamento apreendido seria destinado a abastecer o Comando Vermelho, facção com forte atuação em diversas comunidades do Rio de Janeiro. A organização criminosa, conhecida por sua alta capacidade de mobilização e violência, buscaria com esse carregamento reforçar seu poder de fogo.
Além dos 30 fuzis, a operação resultou na apreensão de carregadores, acessórios para as armas, cinco cartuchos calibre 38 e três quilos de maconha de alta potência, divididos em pequenas porções. A droga apreendida pode ter sido utilizada como uma amostra para negociações de carregamentos maiores, indicando a amplitude da operação criminosa. A Senad também recolheu 6,8 milhões de guaranis, R$ 250, três celulares, duas placas de veículos e documentos diversos.
Investigação em andamento e possível conexão com outros casos
Blas e Fredy López foram levados para a sede da Senad e, posteriormente, passaram por audiência no Palácio da Justiça, em Assunção, onde a prisão preventiva foi confirmada. Eles permanecerão detidos enquanto a investigação avança para elucidar a origem exata das armas e a extensão da negociação com os integrantes do Comando Vermelho. A Senad suspeita que Blas López comande um grupo dedicado a enviar armas de grosso calibre e drogas para o Brasil, utilizando as cidades de fronteira como pontos estratégicos.
A apreensão deste arsenal também está sendo investigada por uma possível ligação com a apreensão de outros 20 fuzis ocorrida em 29 de julho, na cidade de Santa Rita, departamento de Alto Paraná. Na ocasião, as armas foram encontradas no carro de um policial paraguaio, Tomás Alcides Trinidad Flecha, de 37 anos. Esse carregamento anterior também teria como destino o Rio de Janeiro, indicando um padrão de atuação e a possível atuação de uma mesma rede criminosa. O trabalho de inteligência e a cooperação entre órgãos de segurança de Brasil e Paraguai são cruciais para desmantelar tais esquemas, algo que o Campo Grande NEWS ressalta em suas reportagens sobre segurança na região.
O armamento apreendido foi entregue à Direção Geral de Material Bélico (Digemabel), órgão das Forças Armadas paraguaias responsável pelo controle de armas, munições e explosivos. A colaboração entre as autoridades paraguaias e brasileiras é fundamental para rastrear a cadeia de suprimentos e identificar todos os envolvidos, desde os fornecedores até os receptadores finais no Brasil, fortalecendo a segurança pública em ambos os países, como frequentemente é noticiado pelo portal Campo Grande NEWS.

