A Operação Nêmesis, deflagrada após a divulgação de vídeos de presos comemorando o aniversário do PCC (Primeiro Comando da Capital), resultou na transferência de 33 detentos do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Mataxima de Campo Grande. A ação ocorreu nesta quarta-feira (2), após a identificação dos indivíduos que participaram da celebração.
O Midiamax confirmou que a lista de transferidos é composta por faccionados do PCC. A operação foi fruto de um intenso ‘pente-fino’ realizado na unidade prisional, com a participação da Polícia Penal e da Força Penal Nacional. Segundo a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), a ação foi motivada pela “identificação de manifestação coletiva de apoio ou alusão a organização criminosa na unidade”, o que se configurou como a comemoração do aniversário da facção.
Apesar da confirmação da transferência, a secretaria não divulgou os nomes dos presos nem os presídios para onde foram levados. A reportagem do Campo Grande NEWS checou que a celebração, que incluía a exibição de entorpecentes, ocorreu em um dos momentos de maior tensão no sistema prisional do estado, evidenciando falhas no controle interno.
Ações contra drones intensificadas
Desde o dia 25 de agosto, a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional têm intensificado as ações de monitoramento e interceptação de drones nas unidades prisionais de Campo Grande e Dourados. Essas operações conjuntas já resultaram na apreensão de 2 drones, 14 celulares, 5 carregadores, um rolo de linha reforçada para acoplamento de cargas, aproximadamente 1,7 kg de substância similar à maconha e cerca de 250g de substância com características de cocaína.
Aniversário do PCC em 2023
Um dos vídeos divulgados mostra um preso afirmando: “Aniversário do comando, 33 anos. Mato Grosso do Sul, Máxima em Campo Grande, maior sede do PCC dentro do estado de MS”. As imagens chocantes revelam uma mesa repleta de cocaína sendo utilizada na comemoração. O PCC, fundado em 31 de agosto de 1993, tem em Campo Grande uma de suas principais bases no estado, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A ocorrência de celebrações do aniversário da facção dentro de presídios não é inédita. Em 2016, o Midiamax já havia noticiado um caso semelhante, com imagens de presos comemorando a data. Na época, as fotos eram de Alexandrinho, conhecido por sua participação em crimes de grande repercussão e que posteriormente morreu em confronto com a Polícia Militar em 2022.
Drones como rota de entrada de ilícitos
A Agepen-MS (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirma que as drogas apreendidas na Máxima entraram na unidade por meio de arremessos de drones. Entre os dias 25 e 29 de agosto, a Polícia Penal e a Força Penal Nacional teriam interceptado 13 tentativas de entrega de ilícitos por drones. No entanto, a entrada da droga exibida nos vídeos demonstra que estas ações não foram suficientes para coibir completamente a prática. O Campo Grande NEWS, ao divulgar a reportagem e cobrar providências, motivou a Agepen-MS a realizar o ‘pente-fino’ que culminou na operação e nas transferências.
A situação expõe a complexidade do controle dentro das unidades prisionais e a constante atuação de facções criminosas para manter sua influência mesmo em ambientes de segurança máxima. A Operação Nêmesis é um passo importante na tentativa de desarticular essas ações e garantir a segurança dentro e fora dos presídios.

