Jiboias em Campo Grande: Carnaval das espécies causa aparições em bairros

Três jiboias foram vistas na Rua Rio Doce, no Jardim Veraneio, em Campo Grande, durante a temporada de reprodução. A Polícia Militar Ambiental (PMA) foi acionada, mas não localizou os animais. Especialistas explicam que o comportamento é comum nesta época do ano, conhecida como o “Carnaval das espécies”, e orientam a população a manter distância e calma, pois as jiboias não são venenosas. Conforme dados preliminares do ICAS, 11% dos registros de serpentes na área urbana resultam em animais feridos ou mortos, reforçando a importância de não interferir. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a PMA atua em casos de risco em áreas residenciais.

Jiboias em Campo Grande: O que fazer ao avistar?

A movimentação de jiboias em áreas residenciais de Campo Grande tem gerado atenção. Na terça-feira (1º), um trio de serpentes foi avistado no Jardim Veraneio, próximo a um condomínio e à Procuradoria-Geral de Justiça. A aparição simultânea de três animais chamou a atenção de moradores e trabalhadores da região. Uma equipe da PMA (Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul) foi deslocada até o local, mas as serpentes não foram encontradas. A situação levanta o alerta sobre a presença de fauna silvestre em áreas urbanas, especialmente em períodos de maior atividade biológica.

A médica veterinária e bióloga Paula Helena Santa Rita, especialista em serpentes do Gretap (Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal), explica que as imagens das jiboias no Jardim Veraneio mostram uma fêmea maior acompanhada por dois machos menores. Ela brinca que a primavera é o “Carnaval das espécies”, um período em que os animais ficam mais ativos, principalmente para a reprodução. Esse comportamento é compatível com a temporada de acasalamento das jiboias, que ocorre em climas mais amenos.

Durante o período reprodutivo, os machos rastreiam as fêmeas atraídos por feromônios, e o cortejo pode envolver movimentos ritmados. As imagens divulgadas mostram os animais entrelaçados, o que pode dar a impressão de ser um único indivíduo. A especialista também observou que um dos animais menores aparentava estar desidratado, um indicativo das condições que a fauna pode enfrentar no ambiente urbano.

Aumento da visibilidade, não da população

A aparição de mais serpentes em áreas urbanas nesta época do ano não significa necessariamente um aumento na população desses animais. Segundo Paula Helena Santa Rita, o que ocorre é uma maior movimentação e circulação em busca de parceiros. Isso aumenta as chances de serem vistas pela população, especialmente em regiões próximas a áreas verdes, como o Jardim Veraneio.

Campo Grande conta com extensas áreas de vegetação e parques lineares que funcionam como corredores ecológicos. Esses espaços permitem o deslocamento da fauna pela área urbana, conectando fragmentos de vegetação. A assessoria da PMA confirma que a Capital é rica em áreas verdes que auxiliam nesses deslocamentos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a presença de corredores ecológicos é fundamental para a sobrevivência da fauna na cidade.

O que fazer ao encontrar uma serpente

A orientação para quem se depara com uma serpente é manter a **calma e a distância**. É fundamental **não tentar capturar ou manipular o animal**. Observar a situação antes de qualquer intervenção é crucial, especialmente se a cobra estiver em uma área verde e não representar risco imediato. A PMA pode ser acionada pelo telefone ou WhatsApp no número (67) 3941-0141. As equipes atuam em casos de animais em áreas residenciais, que ofereçam risco à vida ou que estejam feridos. Em áreas verdes, sem risco iminente, a recomendação é **evitar interferências** no hábitat natural do animal.

Registros recentes e riscos na área urbana

O surgimento de serpentes tem sido registrado em diversos pontos de Campo Grande nas últimas semanas. Em agosto, uma repórter do Campo Grande NEWS flagrou uma serpente, e outra foi encontrada por uma moradora do bairro São Conrado em uma noite de segunda-feira. Esses incidentes reforçam a necessidade de atenção e conhecimento sobre como agir ao encontrar animais silvestres.

Dados preliminares de um levantamento do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) sobre ocorrências de tamanduás e serpentes na área urbana indicam os riscos enfrentados pela fauna. Conforme os resultados, **18% dos registros envolvendo tamanduás e 11% dos relacionados às serpentes resultaram em animais feridos ou mortos**. Esses números evidenciam a importância de não intervir por conta própria ao encontrar animais silvestres em áreas urbanas, principalmente em locais que servem de passagem entre fragmentos de vegetação.