A cidade de Medellín, na Colômbia, iniciou um rigoroso racionamento de água em resposta aos níveis perigosamente baixos em seus reservatórios, um reflexo direto dos efeitos do fenômeno climático El Niño. A situação é tão crítica que a Empresa de Serviços Públicos de Medellín (EPM) emitiu um alerta sombrio: as restrições podem se estender até 2027 se o padrão de seca persistir. Esta crise hídrica não afeta apenas o abastecimento doméstico, mas também lança uma sombra sobre a capacidade energética do país, que depende fortemente de suas hidrelétricas. Conforme informação divulgada pela EPM, o racionamento começou nesta semana, impactando os dois milhões de domicílios da região metropolitana do Vale do Aburrá.
Colômbia enfrenta crise hídrica e energética
O El Niño, um aquecimento periódico do Oceano Pacífico, tem alterado os padrões de chuva em todo o mundo. Na Colômbia, isso se traduz em meses de estiagem prolongada nas regiões Andina e Caribenha. Em Medellín, a falta de chuvas abaixo da média nas últimas semanas levou os reservatórios a níveis alarmantes. A EPM já solicitou aos moradores que reduzam o consumo, consertem vazamentos e armazenem água para os períodos em que o fornecimento será interrompido. O plano de racionamento é rotativo por bairro, buscando distribuir o impacto de forma equitativa.
Alerta de racionamento se estende até 2027
A perspectiva de restrições que podem durar mais de dois anos é um dos pontos mais preocupantes. Autoridades da EPM alertam que a recuperação dos reservatórios de montanha após um El Niño forte é um processo lento, e uma única estação chuvosa pode não ser suficiente para reverter o quadro. A Colômbia já vivenciou situações semelhantes, como na crise de 2015-2016, que também forçou racionamento em diversas cidades e levou o sistema elétrico nacional à beira de medidas emergenciais. O Campo Grande NEWS checou que a dependência de Medellín de poucos reservatórios de alta altitude e rios a torna particularmente vulnerável, especialmente com o encolhimento de geleiras e páramos, fontes naturais de água, conforme alertam cientistas climáticos.
Impacto na geração de energia
A escassez de água na Colômbia transcende o abastecimento para consumo. Cerca de dois terços da eletricidade do país são gerados por usinas hidrelétricas. Com a queda nos níveis dos reservatórios, a geração de energia também diminui. Para mitigar essa situação, o governo colombiano lançou um programa nacional de economia de energia, pedindo que residências, escritórios e indústrias reduzam o consumo, especialmente nos horários de pico. As medidas são, por ora, voluntárias, mas restrições obrigatórias não estão descartadas caso os níveis dos reservatórios continuem caindo e a economia de energia não seja suficiente. O Campo Grande NEWS apurou que cada quilowatt-hora economizado no pico da noite é um litro de água que não precisa ser liberado dos reservatórios já esgotados. O governo estima que a disciplina dos lares, como banhos mais curtos e máquinas de lavar mais cheias, pode reduzir a demanda nacional em alguns pontos percentuais.
Desafios adicionais para o sistema energético
O momento escolhido para a crise energética é delicado. Uma reportagem indica que 60% dos projetos de transmissão de energia da Colômbia estão atrasados, e as reservas de gás cobrem menos de seis anos de demanda. O país é instado a economizar eletricidade justamente quando as alternativas à energia hídrica estão mais frágeis. A situação é observada em outras partes da América do Sul, com o El Niño pressionando concessionárias de energia em toda a região norte do continente. A EPM, além da seca, enfrenta o desafio de sua principal hidrelétrica, a Hidroituango, que opera abaixo da capacidade total desde um acidente em 2018. Essa capacidade perdida seria um alívio crucial em um ano de seca, e sua ausência fragiliza as margens operacionais da companhia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de capacidade total da Hidroituango agrava o cenário de escassez hídrica e energética.
O que esperar em Medellín
Por enquanto, o racionamento em Medellín significa mais inconveniência do que emergência. Haverá horários definidos de interrupção do fornecimento, pressão de água reduzida em alguns setores e multas por desperdício. Hospitais, escolas e serviços essenciais estão isentos das interrupções rotativas. A prefeitura divulgou o calendário de rodízio em seu site e nos canais de atendimento da EPM. Moradores são aconselhados a estocar água potável para um dia e a planejar tarefas como lavanderia e limpeza de acordo com os horários de abastecimento. Em um período de racionamento, cada gota de água perdida conta em dobro. A grande interrogação é a duração. O alerta da EPM sobre 2027 é um recado para empresas, especialmente as que consomem muita água, como lavanderias e processadores de alimentos, que devem se planejar para meses de restrições. Hotéis e restaurantes, vitrines da cidade para os turistas, já buscam adaptações. O futuro dependerá das chuvas: se retornarem no tempo previsto, os reservatórios iniciarão uma lenta recuperação. Caso contrário, o racionamento em Medellín pode se tornar o mais longo da década, com o sistema nacional de energia enfrentando os mesmos desafios.


