Eleições 2026: quem fiscaliza o poder também precisa ser fiscalizado

O período eleitoral se aproxima, e com ele, a oportunidade de não apenas debater candidatos e propostas, mas também de olhar criticamente para as estruturas do Estado que, muitas vezes, operam longe do escrutínio público. Instituições como os Tribunais de Contas e o próprio Judiciário, fundamentais para a democracia, acumulam denúncias e privilégios que levantam questionamentos sobre sua independência e eficácia. A necessidade de mecanismos mais rigorosos de fiscalização e responsabilização dessas esferas se torna cada vez mais premente, especialmente diante de casos que abalam a confiança da sociedade.

Em Mato Grosso do Sul, investigações recentes envolvendo membros dessas instituições expuseram contradições graves. O debate sobre quem fiscaliza o poder e como esses indivíduos chegam a posições tão cruciais ganha força. Especialistas defendem a implementação de critérios mais rigorosos para a escolha de seus integrantes, a definição de mandatos com prazos determinados, maior transparência em suas ações e a redução de privilégios que criam uma percepção de casta, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A forma como conselheiros de Tribunais de Contas são escolhidos, por exemplo, frequentemente envolve indicações políticas, atrelando a fiscalização a relações de poder. Essa dinâmica levanta um questionamento central: é razoável que quem fiscaliza o poder chegue ao cargo principalmente pela proximidade com ele? A experiência técnica, a reputação ilibada e o conhecimento em administração pública deveriam ter um peso muito maior do que laços partidários, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.

Mandatos definidos e critérios técnicos para a fiscalização

A proposta de instituir mandatos com prazo determinado para cargos em órgãos de controle é vista como essencial para garantir a renovação e a independência. Mandatos de oito ou dez anos, sem recondução, poderiam diminuir a cristalização de grupos internos e assegurar que a função seja exercida com maior autonomia, livre de pressões políticas de longo prazo. Essa medida, aliada a critérios mais rigorosos de seleção, como sabatinas detalhadas e análise de conflitos de interesse, fortaleceria a credibilidade dessas instituições.

A discussão sobre a necessidade de fiscalização do poder se estende ao Judiciário. Embora a independência judicial seja um pilar da democracia, ela não deve significar ausência de mecanismos eficientes de responsabilização. Decisões judiciais que geram grande repercussão pública, como a que permitiu a soltura de um traficante, conforme noticiado, expõem a dimensão do poder concentrado em uma única autoridade e a necessidade de maior transparência e debate sobre essas ações.

Privilégios e a percepção de desigualdade

Outro ponto crucial levantado é a questão dos privilégios. A aposentadoria compulsória com vencimentos preservados, por exemplo, contrasta fortemente com a realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros, gerando a sensação de que certas autoridades vivem sob regras distintas. Benefícios, verbas adicionais, estruturas especiais e o uso de veículos oficiais, quando não estritamente ligados à função pública, alimentam essa percepção de uma elite separada do cidadão comum.

O princípio fundamental deveria ser o de que dinheiro público financie a atividade pública, não o conforto pessoal. O uso de veículos oficiais, por exemplo, deve ser restrito a diligências e missões institucionais. Fora desses casos, as autoridades deveriam seguir o exemplo de milhões de trabalhadores, utilizando seus próprios recursos para deslocamento. Os salários elevados já existentes para funções de grande responsabilidade deveriam ser suficientes para remunerar adequadamente o cargo.

Fortalecendo a democracia com instituições confiáveis

A discussão sobre reformar o Estado vai além de cortes de gastos ou fusões de secretarias. Envolve enfrentar estruturas de poder consolidadas que raramente entram na pauta das reformas. O cidadão, que cumpre suas obrigações e paga impostos, tem o direito de questionar por que determinadas autoridades públicas desfrutam de regalias e operam sob regras significativamente diferentes das suas. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto os debates sobre a gestão pública e a importância da transparência.

Fortalecer instituições como o Tribunal de Contas e o Judiciário significa garantir sua independência, mas também sua responsabilização e transparência. Defender critérios mais rigorosos de escolha, mandatos definidos, maior transparência e a redução de privilégios não é enfraquecer essas entidades, mas sim consolidá-las como pilares confiáveis da democracia. O período eleitoral de 2026 é uma excelente oportunidade para que os candidatos apresentem suas propostas sobre como garantir que quem fiscaliza o poder também seja rigorosamente fiscalizado, como o Campo Grande NEWS tem destacado em suas matérias.

A busca por uma república onde a função especial não se traduza em regalias pessoais ilimitadas é um direito do cidadão e um dever das instituições. A confiança na democracia se constrói com a certeza de que todos, independentemente do cargo, respondem por seus atos e operam sob regras justas e transparentes.