Flávio Bolsonaro defende endurecimento contra o crime e quer transformar facções em terroristas

Flávio Bolsonaro mira em plano de segurança inspirado em El Salvador

O senador Flávio Bolsonaro apresentou um plano de segurança pública que promete ser o mais rigoroso da campanha eleitoral de 2026. Após um encontro com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, em São Paulo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que pretende classificar organizações criminosas e milícias como grupos terroristas caso seja eleito presidente.

A proposta de Flávio Bolsonaro inclui a criação de um ministério dedicado à segurança pública, que atuaria em conjunto com as forças estaduais e a polícia municipal. Segundo o senador, o Brasil possui um número insuficiente de presos e deveria aumentar sua população carcerária. As declarações foram feitas após a reunião com Villatoro, a quem descreveu como inspirador.

O encontro, ocorrido em 30 de agosto, contou com a presença de figuras importantes como o vice na chapa de Bolsonaro, Alfredo Gaspar, o ex-juiz Sérgio Moro e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado. Conforme noticiado pelo Poder360, Villatoro teria afirmado que o sucesso de El Salvador no combate ao crime poderia ser replicado no Brasil, argumentando que, apesar das diferenças de tamanho e riqueza, não haveria desculpa para a falta de controle territorial por parte das facções.

Um novo ministério para a segurança nacional

O cerne da proposta de Flávio Bolsonaro é a instituição de um ministério da Segurança Pública com atuação coordenada. Essa pasta seria responsável por gerenciar o combate ao crime organizado, trabalhando em colaboração com as polícias estaduais e municipais. A ideia é que este ministério federal atue na coordenação, oferecendo recursos financeiros, organização e compartilhamento de inteligência, sem, contudo, comandar diretamente as forças locais, que em sua maioria estão sob a alçada dos estados.

O senador se apresentou como um futuro presidente com forte viés municipalista, prometendo apoio a todos os níveis de governo, desde o financiamento até o intercâmbio de informações entre as forças de segurança. Essa proposta de um ministério da segurança pública também foi apresentada pelo atual presidente Lula em um evento de campanha no Rio de Janeiro em 22 de agosto, indicando uma convergência de ideias entre os principais candidatos sobre a estrutura de combate ao crime.

Gangs classificadas como terroristas

A proposta mais contundente de Flávio Bolsonaro é a classificação de organizações criminosas e milícias como grupos terroristas, conforme reportado pelo Valor Econômico em 31 de agosto. Ele já havia, em março, mencionado que facções como o PCC e o Comando Vermelho seriam tratadas como terroristas sob seu governo, grupos estes que são os maiores do Brasil e com origem em ambientes prisionais.

Essa medida segue uma linha política adotada pelos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump, que também considerou a designação de terroristas para essas facções. O governo Lula, por sua vez, vê essa ideia como um risco à soberania nacional. A designação de terrorista, no entanto, pode desbloquear um leque de ferramentas legais, incluindo o congelamento de bens, proibições de viagem e uma cooperação internacional mais aprofundada contra indivíduos ligados a esses grupos.

A defesa da ampliação do encarceramento

Em declarações à imprensa, Flávio Bolsonaro defendeu a política de encarceramento como um meio eficaz de controle criminal. Ele afirmou que o Brasil tem poucos presos e que esse número deveria ser maior, conforme divulgado pelo portal G1. Essa declaração surge apesar de o Brasil já figurar entre os países com uma das maiores populações carcerárias do mundo, enfrentando um cenário de superlotação crônica em suas unidades prisionais.

A estratégia de Flávio Bolsonaro aponta para a construção de mais capacidade carcerária, inspirada no modelo de El Salvador. Contudo, esse modelo apresenta ressalvas significativas. Desde 2022, o governo de Nayib Bukele implementou um estado de exceção que suspende garantias constitucionais, permitindo prisões em massa sem o devido processo legal. O resultado apresentado é uma queda de 97% nos homicídios, de 3.346 em 2018 para 114 em 2024, segundo dados oficiais. A reeleição de Bukele em 2024 com expressivos 84,65% dos votos evidencia a popularidade de suas medidas.

Críticas e o contexto político

Organizações de direitos humanos têm documentado prisões arbitrárias em massa decorrentes da política salvadorenha. Flávio Bolsonaro, no entanto, minimizou essas críticas, conforme relatado pelo G1. Ele é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, impedido de concorrer, e herdou a base eleitoral da família, aparecendo em segundo lugar nas pesquisas, atrás apenas de Lula.

A segurança pública é o tema onde Flávio Bolsonaro demonstra maior força eleitoral, e ele tem investido nisso há meses, inclusive espelhando o modelo de Bukele em seu plano de segurança anterior, como já havia checado o Campo Grande NEWS. A vertente econômica de sua plataforma foi detalhada em outra matéria, e as questões legais que envolvem sua candidatura estão sob análise, como acompanhou o Campo Grande NEWS. A proposta de um ministério da segurança pública, embora apresentada por ambos os candidatos, precisa de aprovação do Congresso, e os detalhes da implementação determinarão o caminho legal a ser seguido. O reconhecimento de facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos também poderia dar um impulso significativo à argumentação de Bolsonaro, independentemente de quem vença em outubro, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.