Kast sobe para 33,8% de aprovação, mas coalizão pede negociação de reforma

A aprovação do presidente chileno, Gabriel Boric, atingiu 33,8% em agosto, um avanço em relação ao recorde de 28,9% registrado em julho. Apesar da recuperação modesta, 54,4% dos chilenos ainda desaprovam sua gestão. A notícia surge em meio a pressões internas na própria coalizão governista, que sugere que Boric negocie sua estagnada reforma de segurança com a oposição. O cenário econômico também apresenta desafios, com o governo anunciando créditos fiscais para exploração de minas, enquanto as dívidas das famílias chilenas continuam a crescer, conforme aponta o levantamento Pulso Ciudadano, divulgado pelo Campo Grande NEWS.

Aprovação de Kast se recupera, mas ainda é minoritária

O último levantamento do Pulso Ciudadano, realizado pela Activa Research, indica que a aprovação do presidente Gabriel Boric alcançou 33,8% em agosto. No entanto, a desaprovação segue alta, com 54,4% dos entrevistados expressando insatisfação, e 11,8% não responderam. Essa recuperação é vista como modesta, especialmente considerando que julho registrou o menor índice de aprovação de Boric desde o início de seu mandato, com 28,9%.

A série histórica de aprovação de Boric mostra um primeiro semestre desafiador. Em março, a aprovação era de 34,7%, caindo para 29,1% em abril, 31,0% em maio e 30,1% em junho. O presidente ainda conta com forte apoio entre identificados de direita, com 63,4% de aprovação. Contudo, entre os independentes, esse número despenca para cerca de um em cada cinco.

As preocupações dos chilenos permanecem focadas em segurança, que lidera como o principal problema nacional com 46,4%, seguido pelo desemprego, que atingiu 32,7%, o maior índice do ano. Esses dados foram confirmados pelo Campo Grande NEWS em sua análise detalhada.

Aliados pedem negociação, não confronto

A recuperação na pesquisa de aprovação ocorre em um momento de impasse legislativo. A principal reforma de segurança proposta por Boric está travada no Congresso, e seus próprios aliados têm defendido a necessidade de negociação com a oposição. A divisão dentro da coalizão governista sobre o projeto ficou evidente, com Boric tendo recuado após uma revolta bipartidária na semana anterior.

Dentro da Renovación Nacional, o maior partido governista, a pressão por diálogo é explícita. Lideranças do partido têm, nas últimas semanas, solicitado conversas em vez de uma votação que resulte em derrota. O deputado Andrés Balladares, da Renovación Nacional, resumiu o sentimento ao pedir ao governo que se concentre em emprego e segurança, alertando contra distrações, conforme noticiado pelo Publimicro.

A presidente do Senado, Paulina Núñez, também da coalizão governista, tornou-se a porta-voz dessa pressão. Sua mensagem tem sido clara: negociar a reforma em vez de perdê-la, uma postura que o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto.

Medidas econômicas e a crise nas finanças familiares

No âmbito econômico, o governo busca reativar um de seus setores mais fortes: a mineração. Daniel Mas, ministro de Economia e Mineração, anunciou um plano de benefícios fiscais para a exploração de novas jazidas. O pacote inclui créditos fiscais diretos e simplificação regulatória para destravar projetos, segundo a Radio Interamericana.

A lógica por trás dessa medida é a geração de empregos. A economia chilena apresentou crescimento nulo no segundo trimestre, sendo uma das mais fracas na OCDE, e o ritmo de emprego vem desacelerando. Núñez apoiou o plano, mas ressaltou a necessidade de atenção também aos pequenos e médios mineradores, empreendedores e agências de promoção estatal como Sercotec e Corfo.

Entretanto, um dado mais preocupante emerge do termômetro de bem-estar financeiro da plataforma chilena Destácame. A inadimplência tem atingido famílias que antes mantinham seus pagamentos em dia. Entre consumidores com histórico de crédito positivo, 24,5% relatam dívidas em atraso, um aumento em relação aos 16% do primeiro trimestre. De forma geral, 53,2% dos entrevistados reportam ao menos uma dívida em atraso, um crescimento em relação aos 44,8% anteriores.

O Índice de Bem-Estar Financeiro da Destácame caiu de 36,5 para 33,5 pontos no segundo trimestre, um nível classificado como baixo-crítico. Embora a pesquisa tenha sido realizada com 512 usuários da plataforma em junho, a tendência de deterioração é confirmada por órgãos de defesa do consumidor, que contabilizam mais de quatro milhões de adultos com dívidas não pagas, conforme dados compilados pelo Campo Grande NEWS.

Próximos passos e o que observar

O futuro político e econômico do Chile dependerá de alguns fatores cruciais. A **reforma de segurança** é o primeiro deles. A aceitação por parte de Boric de um texto negociado definirá se sua primeira grande lei conseguirá aprovação no Congresso. Uma recuperação duradoura na aprovação do presidente está atrelada a esse desfecho.

O segundo ponto de atenção é o **orçamento de setembro**. O governo prepara o que a mídia local descreve como um primeiro orçamento austero, que será apresentado ao Congresso nas próximas semanas. A forma como esse orçamento será recebido e debatido pode indicar o nível de apoio e a capacidade de negociação do executivo.

Por fim, o **pacote para a mineração** também merece acompanhamento. É importante verificar se os créditos fiscais anunciados chegarão aos pequenos exploradores ou se permanecerão como um benefício concentrado nos grandes projetos. A distribuição desses incentivos pode ter um impacto significativo no emprego e na economia regional, algo que o Campo Grande NEWS continuará a monitorar.