Trio preso por morte no Monte Castelo é solto após 18 dias

Juiz manda soltar trio preso por morte no Monte Castelo

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, determinou nesta sexta-feira (28) a soltura de Thiago Pereira Carrilho, Rodrigo Andrade de Oliveira e Jackson Lins de Souza. Os três estavam presos há 18 dias sob suspeita de envolvimento na morte de Karlos Eduardo Carvalho dos Santos, de 18 anos, ocorrida na região do bairro Monte Castelo, em Campo Grande.

A decisão de libertar o trio veio após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) concluir que a investigação não reuniu indícios suficientes de autoria contra eles. Com isso, a Justiça expediu os alvarás de soltura no fim da tarde, com a ordem de liberdade imediata, caso não estejam detidos por outros motivos.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a mudança no rumo da investigação foi crucial para a soltura. O próprio juiz Garcete citou em sua decisão a análise dos autos, onde o MP entendeu que não havia indícios de autoria em relação a Thiago, Rodrigo e Jackson, e que os motivos que levaram à prisão preventiva não mais subsistiam.

Leandro “Zóio” permanece preso e é o único denunciado

Em contrapartida, Leandro Moreira da Silva, de 35 anos, conhecido como “Zóio”, não foi beneficiado pela decisão e continua preso preventivamente. O MPMS apresentou denúncia apenas contra ele pelo assassinato de Karlos Eduardo, atribuindo a Leandro os três disparos que atingiram o jovem. O juiz recebeu a denúncia e determinou o prosseguimento do processo contra “Zóio”.

A investigação inicial apontou para o envolvimento de Thiago, Rodrigo e Jackson, que foram presos na madrugada de 10 de agosto, poucas horas após o crime. Eles foram localizados em um Fiat Uno cinza, veículo apontado como ligado à morte de Karlos. Uma testemunha chegou a reconhecer Thiago como o autor dos disparos, o que sustentou a suspeita inicial.

Dentro do Uno, foram encontrados cinco celulares, incluindo o de Karlos, além dos aparelhos dos três ocupantes. No entanto, a arma do crime não foi localizada naquele momento, um fato que, somado a outros elementos, acabou por enfraquecer a acusação contra o trio. A análise posterior de imagens também contribuiu para a mudança de cenário.

Mudança na investigação após confissão de “Zóio”

A reviravolta na investigação ocorreu em 18 de agosto, quando Leandro “Zóio” foi localizado e admitiu ter atirado em Karlos Eduardo. Ele alegou legítima defesa, afirmando que Karlos, Thiago e Rodrigo foram ao seu encontro no Fiat Uno com a intenção de atacá-lo. Segundo o relatório final, Leandro declarou que Karlos sacou uma arma durante uma discussão, que caiu no chão, e que ele a pegou antes de efetuar os disparos.

A qualidade das imagens de câmeras de segurança da região também foi um fator determinante. Embora mostrassem uma pessoa correndo atrás de outra, identificadas no contexto da apuração como Karlos e Leandro, a baixa resolução impediu um reconhecimento facial seguro. O relatório policial concluiu que não foi possível confirmar de maneira autônoma e segura que Thiago tivesse efetuado os tiros, conforme o Campo Grande NEWS apurou.

É importante notar que, uma semana antes da decisão de soltura, o juiz havia rejeitado um pedido de liberdade para Thiago e Jackson, mesmo com a confissão de Leandro já anexada ao processo. Na ocasião, o magistrado considerou que a declaração de uma terceira pessoa “não bastava para afastar os indícios existentes” e que as imagens ainda não haviam passado por análise oficial completa.

A soltura do trio, portanto, reflete a evolução da investigação e a conclusão do Ministério Público de que as provas eram insuficientes para mantê-los presos. A Justiça, ao analisar os novos elementos, decidiu pela revogação da prisão preventiva, garantindo o direito de ir e vir de Thiago Pereira Carrilho, Rodrigo Andrade de Oliveira e Jackson Lins de Souza, que agora aguardarão o desenrolar do processo em liberdade. O caso continua sendo acompanhado de perto pelo Campo Grande NEWS, que busca trazer todas as atualizações sobre a investigação e o julgamento. A definição sobre o futuro de Leandro “Zóio” será determinante para o desfecho desta complexa investigação.