Exportações de El Salvador crescem, mas remessas desaceleram; semana de 44 horas em revisão

El Salvador: Exportações em Alta, Remessas com Ritmo Lento e Semana de Trabalho em Debate

As exportações de El Salvador demonstraram um crescimento robusto no período de janeiro a julho de 2026, atingindo US$ 4.036,7 milhões, um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior. Este cenário otimista para o setor exportador contrasta com a desaceleração no fluxo de remessas, que, embora ainda representem uma parcela significativa do PIB, apresentam um ritmo de crescimento cada vez menor. Paralelamente, o país iniciou discussões cruciais sobre a modernização da semana de trabalho de 44 horas, um marco legislativo com meio século de existência.

Esses movimentos econômicos e sociais, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, indicam um período de transição para El Salvador. A dependência histórica das remessas, que chegam a representar cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, torna a desaceleração desse fluxo um ponto de atenção para a economia familiar. Em contrapartida, o impulso das exportações, impulsionado por produtos como café e açúcar, surge como um novo motor para o desenvolvimento.

A análise detalhada desses indicadores, divulgada pelo Banco Central de Reserva e reportada por veículos como Estrategia y Negocios e La Prensa Gráfica, lança luz sobre os desafios e oportunidades que El Salvador enfrenta. A discussão sobre a jornada de trabalho, por sua vez, busca adequar a legislação às realidades do mercado atual, sem comprometer os direitos dos trabalhadores. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto essas informações para trazer um panorama completo.

Exportações Salvadorenhas Alcançam Novo Recorde Semestral

Entre janeiro e julho de 2026, El Salvador viu suas exportações de bens alcançarem a marca de US$ 4.036,7 milhões, representando um acréscimo de 4,4% quando comparado ao mesmo período de 2025. O primeiro semestre do ano já havia fechado com um saldo positivo de US$ 3.400,6 milhões, um crescimento de 4,1%. A COEXPORT, associação de exportadores, celebrou este resultado como o **maior primeiro semestre da história** do país.

O café, em especial o tipo “ouro” não processado, foi um dos grandes destaques, com um salto de 221% nas exportações em janeiro. A safra de 2025-2026, segundo dados oficiais, está cerca de 40% acima da anterior. O açúcar e peças de vestuário de maior valor agregado, como suéteres, também apresentaram ganhos notáveis. Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações salvadorenhas, absorvendo 36,9% do total enviado ao exterior em janeiro.

Para o público estrangeiro, é importante contextualizar que El Salvador opera em uma **economia dolarizada** desde 2001. Isso significa que cada dólar exportado é um ganho direto, sem a necessidade de conversão cambial, o que confere maior previsibilidade e valor às transações internacionais, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Remessas: Crescimento Lento Preocupa Famílias e Economia

Embora as remessas enviadas por migrantes continuem sendo o principal fluxo de entrada de moeda estrangeira, seu ritmo de crescimento tem diminuído progressivamente. Entre janeiro e julho de 2026, o total recebido foi de US$ 5.924 milhões, com julho registrando US$ 864,25 milhões. No entanto, o crescimento anual passou de 7,3% no primeiro trimestre para 4,5% em junho.

Essa desaceleração é notável quando comparada a 2025, ano em que as remessas registraram um impressionante crescimento de 17,7%, totalizando US$ 9.987,91 milhões. Economistas atribuem essa **desaceleração nas remessas** a fatores como a política migratória dos Estados Unidos, o aumento das deportações e a aplicação de uma taxa de 1% sobre as remessas desde janeiro naquele país. A diminuição de chegadas na fronteira hoje se reflete em menos remetentes amanhã.

O impacto dessas remessas na economia é profundo, correspondendo a aproximadamente **24% do PIB**. Cerca de 92% desse montante tem origem nos Estados Unidos, onde vivem mais de dois milhões de salvadorenhos. Essa forte dependência torna qualquer alteração no fluxo de remessas um ponto sensível para a maioria das famílias salvadorenhas.

Semana de 44 Horas em Revisão: Diálogo Tripartite Busca Modernização

Em 27 de agosto, o Conselho Superior do Trabalho (CST), um órgão tripartite composto por representantes do governo, empregadores e sindicatos, iniciou um diálogo formal para modernizar a jornada de trabalho no país. O Código do Trabalho atual estabelece a semana de 44 horas, com oito horas diárias de segunda a sexta-feira e quatro horas aos sábados, uma estrutura definida para um contexto econômico distinto.

Raúl Díaz, assessor jurídico da Câmara de Comércio e Indústria, destacou a necessidade de adaptação: “A realidade laboral já não é a mesma de 50 anos atrás”, afirmou. Ele ressaltou que a rigidez dos turnos atuais obriga as empresas a múltiplos turnos diários. Contudo, foram estabelecidas duas “linhas vermelhas”: a **carga horária semanal total não será reduzida**, e os **direitos e garantias dos trabalhadores serão mantidos**.

Uma comissão técnica foi formada para ouvir os setores empresarial e trabalhista. A expectativa é que uma proposta para a nova regulamentação do tempo de trabalho seja apresentada até dezembro de 2026. Opções como a semana de quatro dias de 11 horas, que já havia sido discutida, enfrentam resistência sindical. O modelo de 4×4 com jornadas de 12 horas, em debate na Costa Rica, não está, neste momento, na pauta salvadorenha, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Conexão Econômica: Exportações e o Futuro do Trabalho

A interligação entre esses três temas é clara. Com a desaceleração das remessas, os empregos e salários domésticos ganham maior relevância, e as indústrias exportadoras se tornam cruciais para a sustentabilidade econômica do país. Os salários mínimos atuais em El Salvador são de US$ 408,80 para comércio e serviços, US$ 402,26 para o setor de maquiladoras e US$ 272,72 para a agricultura, valores modestos em comparação com padrões internacionais.

O governo projeta um crescimento econômico de até 4,5% para 2026, superando estimativas oficiais. Alcançar essa meta, em um cenário de arrefecimento das remessas, exige a manutenção do **impulso exportador** evidenciado pelos dados recentes. A capacidade de El Salvador de sustentar esse crescimento dependerá, em grande parte, da resiliência de suas exportações e da adaptação de sua legislação trabalhista.

Os próximos indicadores a serem observados incluem os dados de remessas de agosto, que confirmarão se a desaceleração é uma tendência ou um movimento pontual. A performance do ciclo de café e açúcar no quarto trimestre também será vital para as exportações. Finalmente, a proposta da CST em dezembro definirá os contornos do debate trabalhista para 2027, moldando o futuro do emprego e da produtividade em El Salvador.