Petropar em xeque: licitação de US$ 24 mi de combustível de aviação esconde parceiro misterioso

A Petropar, empresa estatal de petróleo do Paraguai, está no centro de uma polêmica após lançar uma licitação para fornecimento de combustível de aviação no valor de até US$ 24,3 milhões. A operação, que marca a entrada da estatal no mercado de aviação quatro dias após o início das vendas de querosene, levanta sérias questões sobre a identidade e os termos do parceiro privado que financia toda a operação. A falta de transparência tem gerado críticas e desconfiança, com órgãos de imprensa locais questionando a natureza do negócio e a possibilidade de conflitos de interesse. Conforme divulgado pela mídia paraguaia, a companhia estipulou um preço de referência de US$ 1.208,613 por metro cúbico, o que equivale a aproximadamente US$ 1,21 por litro.

Petropar aposta em parceria pública-privada para turbinar mercado de aviação

A Petropar, sigla para Petróleos Paraguayos, deu um passo ousado ao ingressar no competitivo mercado de combustível de aviação. A empresa anunciou a abertura de cinco plantas de abastecimento em cidades estratégicas, incluindo a capital Assunção, Cidade do Leste, Mariscal Estigarribia e Concepción. Essa iniciativa visa quebrar o que era, na prática, um monopólio privado no fornecimento de querosene de aviação no Paraguai, com a promessa teórica de preços mais competitivos e maior confiabilidade no suprimento. A estratégia da estatal se baseia em um modelo de parceria público-privada, onde a Petropar empresta sua marca e posição de mercado, enquanto um operador privado arca com todo o investimento financeiro necessário para a operação.

A Petropar tem enfatizado que não investe capital próprio na operação, o que levanta ainda mais questionamentos sobre a estrutura e os benefícios para o parceiro secreto. A ausência de informações sobre quem é esse operador, quanto ele está investindo e como os lucros serão divididos tem sido o principal ponto de crítica. A mídia local, como a Paranã TV, classificou a licitação como um “negócio duvidoso com um parceiro oculto”, alimentando a desconfiança de que o parceiro privado possa estar em ambos os lados da transação, tanto financiando a operação quanto se beneficiando do contrato de compra de combustível.

Licitação milionária levanta suspeitas de favorecimento e falta de transparência

A licitação em questão, com teto de US$ 24,3 milhões, cobre o fornecimento de até 5.000 metros cúbicos de combustível, com um valor teto de US$ 6.043.065 para uma das parcelas, segundo informações da Paranã TV. Para um país sem saída para o mar e que importa a vasta maioria de seus combustíveis, contratos dessa magnitude são cruciais e definem o controle da cadeia de suprimentos. A estrutura da parceria, onde a Petropar não revela os detalhes financeiros ou a identidade do parceiro, abre margens para especulações sobre possíveis favorecimentos e falta de isonomia no processo licitatório. A ausência de clareza sobre o investimento privado e a divisão de lucros são pontos cruciais que o público e os órgãos fiscalizadores exigirão explicações.

O mercado de combustíveis no Paraguai é historicamente sensível politicamente. Uma recente elevação de preços da Petropar, mesmo que modesta em cerca de US$ 0,05 por litro, gerou forte repercussão negativa. A importância do setor de aviação vai além das companhias aéreas, impactando a logística de exportação de carne, viagens de negócios e, crucialmente, voos médicos para a vasta região do Chaco. Além disso, o combate ao tráfico aéreo na fronteira, uma prioridade de segurança nacional, também está diretamente ligado à presença e confiabilidade do abastecimento de combustível em aeroportos estratégicos, como o de Mariscal Estigarribia, no coração do Chaco. A falta de transparência na licitação da Petropar, conforme checou o Campo Grande NEWS, pode comprometer não apenas a eficiência comercial, mas também aspectos de segurança nacional.

O que esperar dos próximos capítulos desta polêmica?

O desdobramento desta situação promete ser acompanhado de perto. O primeiro indicador será o resultado da própria licitação: quem apresentará as propostas, quem será o vencedor e qual será o preço final em comparação com a referência estabelecida. A segunda e mais importante frente será a pressão por transparência. A expectativa é que a Petropar, sob escrutínio público e midiático, seja forçada a revelar a identidade do operador privado e os termos financeiros da parceria. Esse caso pode, inclusive, ganhar atenção do parlamento paraguaio, que já demonstrou interesse em fiscalizar a empresa em ocasiões anteriores, conforme atesta a cobertura do Campo Grande NEWS sobre investigações passadas. A confiança pública na Petropar e a garantia de um mercado de combustível de aviação justo e competitivo dependem agora de uma divulgação clara e completa das informações sigilosas.

Para as companhias aéreas e os aeroportos, a esperança reside na possibilidade de um segundo fornecedor consolidado significar, de fato, melhores preços e maior segurança no abastecimento, independentemente de quem seja o proprietário final da operação. No entanto, a forma como essa parceria foi estruturada e os segredos que a cercam deixam um rastro de dúvidas que precisam ser dissipadas para que a confiança seja restabelecida, como também foi noticiado pelo Campo Grande NEWS em outras ocasiões envolvendo contratos públicos.