México une Fazenda, Inteligência Financeira e Pemex contra roubo de combustível

México intensifica combate ao roubo de combustível e crimes financeiros

Em uma medida estratégica para coibir a evasão fiscal e o crime organizado, o Ministério das Finanças do México, sua Unidade de Inteligência Financeira (UIF) e a estatal Pemex firmaram um pacto de cooperação. O acordo, anunciado em 27 de agosto, visa intensificar a troca de informações financeiras e legais para identificar e desmantelar redes que se dedicam ao roubo de combustíveis e à lavagem de dinheiro proveniente dessas atividades ilícitas. A iniciativa surge em um momento crucial, com o país enfrentando novas modalidades de fraude fiscal no setor de hidrocarbonetos, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A colaboração formaliza um intercâmbio de dados que permitirá à UIF analisar os fluxos financeiros da Pemex e de suas subsidiárias, identificando atividades suspeitas e fornecendo inteligência para investigações. Em contrapartida, a Pemex receberá análises de risco e pistas para combater a corrupção e fraudes dentro de sua própria cadeia de suprimentos. Esta ação conjunta é vista como um passo fundamental para proteger a receita fiscal do governo, que perde bilhões com o roubo de combustível e a sonegação de impostos, como o IEPS (Imposto Especial sobre Produtos. A eficiência dessa cooperação será o grande teste, já que pactos semelhantes foram firmados em décadas passadas sem erradicar completamente o problema.

Paralelamente a este esforço no combate ao crime financeiro, uma importante licitação para a construção de uma rodovia no Golfo do México, orçada em 40 bilhões de pesos (aproximadamente US$ 2,36 bilhões), sofreu mais um adiamento. A previsão para a entrega do contrato agora é 13 de outubro, após a admissão de erros no upload de documentos pela entidade responsável, o banco estatal Banobras, que gerou um grande volume de questionamentos por parte dos licitantes. A situação reflete os desafios na gestão de grandes projetos de infraestrutura no país.

Roubo de combustível ganha novas facetas financeiras

O ‘huachicol’, termo mexicano para roubo de combustível, evoluiu de simples perfurações em oleodutos da Pemex para esquemas mais sofisticados. O novo programa nacional de segurança do México descreve uma mudança preocupante para o uso de empresas de fachada, emissão de notas fiscais falsas e adulteração de declarações de importação, uma prática conhecida como ‘huachicol fiscal’. É nesse cenário que a atuação da UIF se torna ainda mais crucial, pois rastrear o dinheiro pode ser mais eficaz do que proteger milhares de quilômetros de oleodutos.

A cooperação entre a Pemex e a UIF visa justamente desarticular essas novas modalidades de crime financeiro. O acordo se baseia em um grupo de trabalho interinstitucional já existente e alinha-se aos compromissos do México com o GAFI (Grupo de Ação Financeira), o órgão global de combate à lavagem de dinheiro. Contudo, a história mostra que o crime se adapta, e a verdadeira medida de sucesso será o número de condenações, e não apenas a assinatura de novos acordos, como ressaltou o Campo Grande NEWS em análises anteriores.

Grandes apostas da Pemex e do Tesouro mexicano

A Pemex, uma das empresas de petróleo mais endividadas do mundo, sofre perdas significativas a cada litro de combustível roubado ou contrabandeado, que representa receita não arrecadada. Para o Tesouro mexicano, as perdas são duplas: a renúncia ao Imposto Especial sobre Produtos (IEPS) sobre vendas ilegais e o peso financeiro da Pemex em seu balanço público. Dados recentes indicam um aumento no roubo de combustíveis em 2025, mesmo com a Pemex reportando avanços na redução de suas perdas internas, uma tensão que já foi abordada anteriormente, conforme verificado pelo Campo Grande NEWS.

A persistência do problema é evidenciada pelos números oficiais, que mostram uma nova alta no roubo de combustíveis em 2025. Essa situação exige respostas contundentes e coordenadas, como a que agora se busca com a nova parceria entre a Fazenda, a UIF e a Pemex. A expectativa é que essa colaboração resulte em ações concretas e eficazes contra as redes criminosas que exploram o setor, protegendo assim os cofres públicos e garantindo a integridade do mercado de hidrocarbonetos.

Licitação da rodovia no Golfo do México enfrenta novos obstáculos

Em outra frente, o projeto do Corredor do Golfo de México, um pacote de rodovias de 514,6 quilômetros no estado de Tamaulipas, avaliado em 40 bilhões de pesos (US$ 2,36 bilhões), sofreu mais um revés. A licitação, conduzida pelo banco estatal Banobras, teve sua data de adjudicação adiada pela terceira vez, agora prevista para 13 de outubro. A decisão ocorreu após o Banobras admitir, em 6 de agosto, ter publicado um estudo de demanda incorreto e anexado um arquivo por engano, o que levou a uma enxurrada de questionamentos por parte dos licitantes.

A complexidade do processo e o volume de informações técnicas a serem revisadas indicam que um novo ciclo de esclarecimentos será necessário, o que pode acarretar em novos atrasos. O projeto, originalmente uma proposta não solicitada do grupo de construção português Mota-Engil México, visa ampliar e operar uma série de rodovias estratégicas em Tamaulipas, conectando Tampico ao cruzamento de fronteira com o Texas em Nuevo Laredo. A concessionária será o fundo nacional de infraestrutura, Fonadin.

O que dizem os dados oficiais

Conforme informações divulgadas pelo Ministério das Finanças do México (SHCP), no Comunicado No. 68, o acordo com a UIF e a Pemex foi assinado em 27 de agosto. A SHCP atua por meio da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), responsável por rastrear movimentações financeiras suspeitas e apoiar processos por lavagem de dinheiro. A Pemex se comprometeu a fornecer dados financeiros, econômicos, contábeis, legais e administrativos para a identificação precoce de lucros ilícitos, corrupção, fraudes e roubo de hidrocarbonetos.

Em contrapartida, a UIF entregará à Pemex produtos de inteligência sobre riscos associados às suas atividades financeiras. Ambas as partes também realizarão treinamentos conjuntos em análise operacional e estratégica. A iniciativa se insere no contexto dos compromissos do México com o GAFI, reforçando a importância do combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do crime.