México firma acordo de semicondutores com Arizona e busca impulsionar indústria

O Ministro da Economia do México, Marcelo Ebrard, assinou um acordo de cooperação com a Arizona State University (ASU) em Phoenix, com o objetivo de integrar o país na cadeia de suprimentos de semicondutores da América do Norte. A iniciativa, anunciada em 26 de agosto de 2026, foca em pesquisa aplicada, treinamento e investimento em microeletrônica, áreas onde a ASU já possui experiência com instituições mexicanas. A parceria surge em um momento crucial, com a revisão do acordo comercial da América do Norte (USMCA/T-MEC) em andamento e a crescente demanda global por chips.

A assinatura ocorreu durante uma visita de trabalho de Ebrard a Phoenix, onde ele também se reuniu com autoridades locais e representantes da indústria de chips do Arizona, incluindo gigantes como TSMC e Intel. O acordo, conforme divulgado pelas autoridades mexicanas, não envolve a construção de fábricas de semicondutores no México no curto prazo, mas sim o desenvolvimento de talentos e a promoção de projetos de inovação. O México tem focado em design, montagem, teste e encapsulamento (ATP) de chips, com o estado de Jalisco liderando em empresas de design, abrigando cerca de 70% delas.

As relações comerciais entre Arizona e México já são robustas. Em 2025, as exportações do Arizona para o México totalizaram US$ 14,6 bilhões, enquanto as importações do México para o Arizona atingiram US$ 14 bilhões. Os semicondutores representaram US$ 780 milhões dessas exportações do Arizona. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o acordo com a ASU se soma a essa intensa troca comercial, buscando fortalecer ainda mais a integração econômica regional. O ministro Ebrard destacou a importância de construir uma base de talentos e pesquisa para futuras oportunidades no setor.

Fortalecendo a cadeia de suprimentos de chips

O acordo entre a Secretaria de Economia do México e a Arizona State University é um marco importante para a estratégia mexicana de se tornar um player relevante na indústria de semicondutores da América do Norte. A parceria visa expandir projetos de inovação e pesquisa aplicada, além de promover investimentos binacionais e fortalecer as cadeias de suprimentos digitais em toda a região. O foco principal do acordo está no treinamento de estudantes, professores e trabalhadores da indústria em microeletrônica e semicondutores.

Apesar de não haver um orçamento ou cronograma detalhado divulgado, o documento estabelece um **arcabouço de cooperação** para futuras colaborações. A ASU, representada por seu presidente Michael Crow, e a Secretaria de Economia, liderada por Ebrard, formalizaram a parceria. Embora a Arizona Commerce Authority tenha participado das reuniões, não assinou o acordo. Essa iniciativa se alinha com o esforço contínuo do México em se posicionar dentro da cadeia produtiva de chips da América do Norte, como evidenciado por fóruns binacionais anteriores.

O ministro Ebrard, que lidera a pasta de economia desde outubro de 2024, utilizou a visita a Phoenix para dialogar diretamente com fabricantes de chips e buscar oportunidades de colaboração. O encontro com o prefeito de Phoenix, Kate Gallego, também abordou a colaboração em áreas estratégicas como minerais críticos, mobilidade elétrica e energia solar, evidenciando a **ampla visão de integração econômica** entre as regiões. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto esses desdobramentos, reforçando a importância estratégica desta cooperação.

O papel do México na indústria de semicondutores

O México tem se posicionado estrategicamente na indústria de semicondutores, focando em áreas onde possui vantagens competitivas. O país não almeja, no momento, a fabricação de chips de ponta (wafer fabs), mas sim o **design, montagem, teste e encapsulamento (ATP)** de componentes eletrônicos. O estado de Jalisco é um centro nevrálgico nesse setor, abrigando aproximadamente 70% das empresas mexicanas de design de chips e um centro de design em Guadalajara com 25 anos de operação.

Recentemente, o México anunciou o centro nacional de design de semicondutores Kutsari, com unidades em Puebla, Jalisco e Sonora. Puebla já inaugurou laboratórios de caracterização e validação de circuitos, com um investimento significativo do governo estadual. Essa estratégia se insere no Plano México, a política industrial do governo, que busca desenvolver um plano mestre de semicondutores baseado em capacidade nacional e input da indústria. O Campo Grande NEWS reitera a importância dessas iniciativas para o desenvolvimento tecnológico do país.

A colaboração com a ASU é vista como um passo fundamental para suprir a necessidade de mão de obra qualificada e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento. A universidade já possui programas que trabalham com instituições mexicanas, facilitando a transferência de conhecimento e tecnologia. A expectativa é que essa parceria contribua para o crescimento do ecossistema de semicondutores no México, atraindo mais investimentos e fortalecendo a posição do país na cadeia de valor global de chips.

Contexto do acordo e o futuro do T-MEC

A assinatura deste acordo ocorre em meio à revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA/T-MEC). Embora os Estados Unidos não tenham optado por uma extensão automática de dezesseis anos em 1º de julho de 2026, o pacto permanece em vigor até 2036, com revisões anuais. O Ministro Ebrard tem defendido que a segurança econômica e as regras de origem são prioridades mexicanas na revisão, argumentando que tarifas isoladas não são suficientes para construir a produção de semicondutores na América do Norte.

O México tem sugerido a inclusão de um capítulo sobre semicondutores no T-MEC em futuras rodadas de negociação. Essa proposta ainda é um ponto em discussão e não há um texto negociado publicado. O acordo com a Arizona State University, portanto, não altera tarifas ou obrigações do tratado, mas foca em **construir a base de talentos e pesquisa** necessária para qualquer capítulo futuro sobre o tema. A iniciativa demonstra um esforço conjunto para fortalecer a competitividade da região na indústria de alta tecnologia, essencial para o futuro econômico da América do Norte.