Falta de cinto de segurança lidera multas em Campo Grande

Falta de cinto de segurança dispara em Campo Grande, liderando infrações

A segurança no trânsito de Campo Grande está em xeque, com a falta do uso do cinto de segurança emergindo como a infração mais recorrente. Entre janeiro e o início de agosto de 2026, um total de 7.037 multas foram aplicadas por este motivo, superando outras infrações consideradas graves e comuns na capital. Os dados, divulgados recentemente, acendem um alerta sobre a necessidade de maior conscientização e fiscalização para garantir a segurança de todos os ocupantes dos veículos.

Essa negligência com um item de segurança tão básico contrasta com outras infrações frequentes. Dirigir com o licenciamento vencido, por exemplo, registrou cerca de 6.678 multas, enquanto avançar o sinal vermelho somou 5.259 infrações. A gravidade da falta do cinto de segurança, no entanto, se destaca pelo alto número de autuações, evidenciando um comportamento de risco persistente entre os condutores e passageiros.

A tenente Carla Coutinho, chefe de comunicação do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), enfatiza a importância do cinto, mesmo sendo uma exigência legal há décadas. “É um assunto que já é falado há muito tempo, mas ainda existe essa falha por parte do condutor de não fazer o uso do cinto de segurança. É uma infração grave”, declarou a tenente. Ela reforça que o item é obrigatório para todos os ocupantes, em todas as circunstâncias, seja em vias urbanas, rodovias ou zonas rurais.

Responsabilidade do condutor é chave para a segurança coletiva

Segundo a tenente Carla Coutinho, a responsabilidade de garantir que todos no veículo utilizem o cinto de segurança recai sobre o condutor. “A responsabilidade de cobrar a utilização desse cinto é do próprio condutor”, explicou. Ao iniciar a viagem, o motorista deve afivelar o seu cinto e, em seguida, orientar os passageiros a fazerem o mesmo. Caso contrário, o condutor será o responsável legal pelas multas aplicadas a qualquer ocupante que não esteja utilizando o dispositivo.

Os dados do BPMTran revelam um cenário preocupante no trânsito da capital. No período entre janeiro e 8 de agosto de 2026, Campo Grande registrou 7.723 acidentes, resultando em 2.603 pessoas feridas e 40 mortes. Comparativamente, no mesmo período de 2025, foram contabilizados 7.934 acidentes, com 2.725 feridos e 44 óbitos. Apesar de uma leve redução, os números ainda são alarmantes e reforçam a necessidade de práticas de direção mais seguras.

Imprudência e distração: a receita para acidentes graves

Além da falta do cinto de segurança, a tenente Carla Coutinho aponta a imprudência e a distração como os principais vilões do trânsito. O **excesso de velocidade** é um fator crítico, pois diminui o tempo de reação do motorista, tornando mais difícil evitar colisões, especialmente em vias com limite de 50 km/h, como é comum em Campo Grande. A pressa e o desrespeito à sinalização, como avançar o sinal vermelho, também contribuem significativamente para o aumento de acidentes.

A **distração com o uso do celular** é outro ponto de atenção. “A pessoa não consegue mais desconectar o ‘carão’ colado no aparelho celular, no WhatsApp ou em qualquer outra coisa”, lamentou a tenente. Essa falta de atenção ao trânsito, combinada com a pressa e o desrespeito às leis, cria um ambiente de risco elevado, resultando em colisões com consequências muitas vezes trágicas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a combinação de fatores como excesso de velocidade e distrações é um fator recorrente em acidentes graves.

Tragédia na Avenida Guaicurus e flagrante de agentes sem cinto

Um trágico acidente na Avenida Guaicurus, em 7 de agosto, onde Jhonatan Pereira de Oliveira, de 27 anos, perdeu a vida ao capotar o carro, levanta suspeitas sobre o uso do cinto de segurança. O jovem estava acompanhado de uma adolescente de 17 anos e um rapaz de 24. No local, indícios sugeriram que o motorista poderia não estar usando o cinto no momento do impacto. O caso está sob investigação pelas autoridades de trânsito.

Em um flagrante preocupante, a reportagem do Midiamax observou uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM) circulando pela cidade com três agentes que, aparentemente, não utilizavam o cinto de segurança. Esse incidente, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, levanta questionamentos sobre a aplicação das normas de trânsito mesmo entre os próprios agentes de segurança pública, reforçando a necessidade de um exemplo de conduta para a população.

A persistência da falta de uso do cinto de segurança e outras infrações graves em Campo Grande, como aponta o levantamento recente, exige uma reflexão profunda sobre a cultura de segurança no trânsito. Ações de conscientização contínuas, fiscalização rigorosa e o cumprimento das leis são essenciais para reverter esse quadro e proteger vidas. A segurança no trânsito é uma responsabilidade de todos, e atitudes simples como usar o cinto podem fazer toda a diferença. Conforme o Campo Grande NEWS reforça, a segurança viária depende do engajamento de cada cidadão.