A empresa americana USA Rare Earth está prestes a fechar a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde por aproximadamente US$ 2,8 bilhões. O acordo, que tem apoio financeiro do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, visa garantir o fornecimento de terras raras essenciais para tecnologias verdes e defesa, segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico em 24 de agosto de 2026. A transação, que deve ser finalizada nos próximos dias após aprovação dos acionistas, pode reconfigurar o mapa da produção de terras raras no Brasil.
Serra Verde: um ativo estratégico para o Ocidente
A Serra Verde opera a única mina de terras raras em operação comercial no Brasil, localizada em Goiás. A mina produz carbonato misto de terras raras e os quatro elementos magnéticos cruciais para motores de veículos elétricos e turbinas eólicas: neodímio, praseodímio, disprósio e túrbio. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, tornando a Serra Verde um alvo de grande interesse estratégico para países que buscam diversificar suas fontes de suprimento, atualmente concentradas na China.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a USA Rare Earth, listada na Nasdaq, assinou um acordo definitivo em abril de 2026 para adquirir 100% da Serra Verde Group. O valor implícito da participação acionária é de cerca de US$ 2,8 bilhões, configurando uma das maiores transações no setor de terras raras do Brasil. A finalização do negócio depende da aprovação em uma reunião especial de acionistas marcada para 28 de agosto de 2026.
O suporte governamental dos EUA é um pilar fundamental para a concretização do negócio. O Departamento de Guerra americano aumentou seu apoio em US$ 250 milhões para financiar a aquisição. Esse aporte visa assegurar o fornecimento de terras raras magnéticas fora da China, um ponto crítico para a segurança nacional americana. Um contrato de compra e venda de 15 anos já garante a aquisição de 100% da produção de terras raras magnéticas da Fase 1 da Serra Verde por um veículo de propósito específico capitalizado por entidades governamentais e investidores privados dos EUA.
Financiamento robusto e apoio governamental
A USA Rare Earth garantiu um financiamento de US$ 1,55 bilhão para concluir a aquisição. O pacote inclui o já mencionado endosso do Departamento de Guerra dos EUA, conforme relatado pelo Valor Econômico. Este apoio estratégico sublinha a importância geopolítica da operação brasileira para os Estados Unidos. A conclusão do financiamento foi confirmada por relatórios do mercado americano no mesmo dia da divulgação da notícia.
A expectativa é que o fechamento do negócio ocorra logo após a reunião de acionistas, possivelmente ainda na semana de 24 de agosto de 2026. A rápida aprovação e o financiamento substancial demonstram a urgência e o interesse americano em consolidar sua posição na cadeia de suprimentos de terras raras.
O potencial da Vale no setor de terras raras
Paralelamente a este grande negócio, há sinais de que a gigante brasileira Vale também pode entrar no promissor mercado de terras raras. O ministro de Minas e Energia do Brasil expressou certeza de que a Vale explorará oportunidades neste setor. A empresa já está estudando ativamente a entrada nos mercados de lítio e terras raras, com seu CEO destacando a relevância estratégica desses minerais.
Notícias separadas indicam que a Vale está buscando permissões de exploração para minerais contendo terras raras no Espírito Santo, como monazita e cério. Essa movimentação sugere uma expansão do foco da Vale para além de seus negócios tradicionais, mirando minerais críticos para a transição energética global. O Campo Grande NEWS acompanha de perto esses desenvolvimentos, dada a importância da Vale para a economia brasileira.
Importância estratégica e impacto no mercado
A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth é vista como um marco para o setor de mineração brasileiro e para a cadeia global de suprimentos de terras raras. O preço de US$ 2,8 bilhões reflete o valor estratégico desses ativos fora da China, e o envolvimento do governo dos EUA adiciona uma camada geopolítica significativa. Analistas preveem que este negócio possa catalisar mais investimentos no setor de minerais críticos do Brasil.
A mina Pela Ema utiliza tecnologia de argila iônica, considerada mais econômica e ambientalmente amigável em comparação com a mineração de rocha dura. Este processo permite a extração eficiente de terras raras leves e pesadas. A posição única da Serra Verde como a única mina comercial em operação no Brasil a torna um ativo de valor inestimável para empresas que buscam alternativas à dependência da China. O Campo Grande NEWS já havia destacado em reportagens anteriores a importância de diversificar as fontes de minerais críticos.
Após o fechamento do acordo, a USA Rare Earth controlará a única mina de terras raras em operação no Brasil, consolidando sua presença na América do Sul. Para o Brasil, o negócio reforça seu papel como fornecedor chave de minerais críticos para o Ocidente, ao mesmo tempo em que levanta discussões sobre a política industrial do país para o setor. A integração da Serra Verde às operações da USA Rare Earth e os próximos passos no desenvolvimento do setor de terras raras brasileiro serão acompanhados de perto.


