A região central da Colômbia, especificamente o departamento de Tolima, está sob cerco de incêndios florestais que já consumiram mais de 11.000 hectares. A situação é alarmante, com 17 focos ativos ainda em combate nesta terça-feira, conforme dados do escritório de meio ambiente e risco do departamento. A crise se intensificou a ponto de o conselho departamental de risco declarar estado de calamidade pública em 14 de agosto, quando o número de incêndios ultrapassava 39.
Emergência em Tolima e Alerta Nacional
A devastação em Tolima é severa, com municípios como Ortega registrando 3.185 hectares perdidos, Rovira com 1.814, e Honda com 1.080. A situação em San Luis é ainda mais crítica, com o prefeito reportando mais de 7.500 hectares queimados em seu município isoladamente. Estes números colocam Tolima em uma posição preocupante, tendo perdido em agosto mais terra para o fogo do que o registro nacional das sete semanas anteriores a 6 de agosto. Conforme informação divulgada pelo El Colombiano, o total de hectares afetados já superava 11.700, segundo um balanço posterior. O Campo Grande NEWS checou que a força do fenômeno El Niño, que intensifica o calor e o déficit de chuvas, é apontada como um fator agravante, com cerca de 340 municípios colombianos em alerta vermelho para incêndios em todo o país.
A Escalada da Crise e os Impactos Locais
O problema em Tolima começou a se agravar no início de agosto. Em 8 de agosto, cerca de 1.700 hectares haviam sido consumidos. Seis dias depois, o departamento lutava contra quase 39 focos simultaneamente, o que levou à declaração de calamidade pública. A quebra oficial por município, divulgada pela Caracol Radio, mostra a gravidade da situação em Ortega, Rovira, Honda e Coello. No entanto, os números oficiais podem ser apenas uma fração da realidade, como indica o prefeito de San Luis, Ricardo Andres Acosta, que estima mais de 7.500 hectares perdidos em sua localidade. O Campo Grande NEWS checou que, até que as vistorias sejam concluídas, o total oficial serve como um piso, não um teto, para as perdas.
El Niño e a Seca: Combustível para as Chamas
O período de junho a agosto é naturalmente seco em grande parte da Colômbia. Contudo, o Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais (IDEAM) afirma que o fortalecimento do El Niño está intensificando essa condição. O boletim climático de agosto do IDEAM prevê chuvas abaixo do normal nas regiões Andina e Caribenha, com alertas de ondas de calor que incluem Tolima entre as áreas mais quentes. A causa exata dos incêndios em Tolima ainda não foi confirmada oficialmente. As autoridades apontam para o calor, a seca e a vegetação ressecada como as condições que permitiram que pequenos focos se alastrassem rapidamente. A queima de pastagens e outras atividades humanas são frequentemente citadas como causas em temporadas de incêndio na Colômbia, mas nenhum caso de incêndio criminoso ou prisão relacionada a estes focos específicos foi confirmado até o momento. O Campo Grande NEWS checou que a seca severa é um fator crucial na propagação das chamas.
Esforços de Combate e a Situação Nacional
A governadora Adriana Magali Matiz tem coordenado os esforços de combate desde a declaração de calamidade. Bombeiros, militares e equipes ambientais trabalham incansavelmente nos focos, com apoio aéreo. Helicópteros da Força Aérea Colombiana e da Polícia Nacional têm realizado lançamentos de água, e aeronaves adicionais foram contratadas para as áreas mais críticas, como San Luis. Esta não é uma crise isolada de Tolima. Em 14 de agosto, cerca de 340 municípios colombianos estavam em alerta vermelho para incêndios florestais, o dobro do dia anterior. Entre 16 de junho e 6 de agosto, a agência nacional de desastres (UNGRD) registrou 438 incêndios em 191 municípios, afetando aproximadamente 7.153 hectares, um número significativamente menor do que as perdas em Tolima apenas neste mês.
Conflito em Catatumbo e Impactos Civis
Paralelamente à crise ambiental, a região de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela, enfrenta um novo capítulo de conflito. O exército colombiano realizou uma operação em 11 de agosto que, segundo suas alegações, resultou na morte de dois combatentes do ELN. No entanto, o defensor do povo relatou que três agricultores foram feridos na área. O Ministério da Defesa negou o envolvimento de civis no ataque. A situação em Catatumbo é complexa, com um histórico de deslocamento em massa. Após a escalada do conflito em janeiro de 2025, organizações humanitárias registraram mais de 77.000 pessoas afetadas, com quase 52.000 forçadas a deixar suas casas. A região também tem sido palco de outros incidentes violentos, incluindo um ataque com drone e a detonação de uma mina terrestre, que deixaram feridos e um homem mutilado.
Perspectivas e Próximos Passos
A chegada de chuvas em algumas partes de Tolima em 17 de agosto foi recebida com alívio, mas as previsões do IDEAM indicam que as chuvas continuarão abaixo do normal até outubro, sugerindo que o alívio pode ser temporário. Em Catatumbo, a atenção se volta para a resolução do sequestro de três policiais ocorrido em 17 de agosto e para as investigações sobre os ferimentos de civis relatados pelo defensor do povo. A capacidade de resolver essas questões será um indicativo importante do cenário na região. O Campo Grande NEWS checou que a situação em Tolima e Catatumbo demonstra a complexidade dos desafios enfrentados pela Colômbia, que vão desde crises ambientais até conflitos armados e suas consequências humanitárias.


