Horas antes de ser detido em uma operação policial que apura a suspeita de organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração ilegal de loterias, o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva, conhecido como Eduardo Razuk, usou suas redes sociais para ostentar. Ele publicou vídeos de sua estadia em um hotel de luxo no Rio de Janeiro e, já de volta a Campo Grande, exibiu parte dos veículos que seriam apreendidos pela polícia no dia seguinte. A operação, denominada ‘Rodas da Sorte’, investiga um esquema que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em apenas seis meses.
Influenciador exibe luxo dias antes da prisão
Em uma sequência de stories, Eduardo Razuk mostrou detalhes de sua hospedagem em um hotel de alto padrão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Um dos vídeos exibia um comunicado do Hotel Fasano Angra dos Reis, endereçado a hóspedes com os nomes ‘Sr. Paulo e Sr. Martins’, informando sobre a mudança no horário de serviço do café da manhã. As diárias no local podem variar entre R$ 3,1 mil e R$ 5,2 mil para duas pessoas, dependendo da data e do tipo de acomodação. Não foi possível confirmar o valor exato pago pela hospedagem nem quem efetuou o pagamento.
Nas imagens, o influenciador também mostrava áreas externas do hotel, como a piscina, a marina e a bela paisagem de Angra dos Reis, com a localização do estabelecimento marcada nas publicações. Essa ostentação de luxo ocorreu poucas horas antes de a Polícia Civil deflagrar a operação que culminaria em sua prisão.
Já em Campo Grande, na manhã de terça-feira (18), o dia em que a prisão aconteceu, Razuk publicou um vídeo em seu canal no YouTube. No vídeo, ele filma a saída do Aeroporto Internacional e, em seguida, chega à garagem onde estavam os carros que seriam apreendidos. Ele mencionou que não havia gravado nada da viagem ao Rio, mas prometeu relatar os acontecimentos em um vídeo futuro. Logo após, ele começa a apresentar os veículos que haviam chegado ao local.
Operação Rodas da Sorte investiga esquema milionário
A prisão de Eduardo Rezende da Silva, seu irmão Rafael Rezende da Silva e outros investigados ocorreu em meio à Operação Rodas da Sorte. Conforme a investigação policial, Eduardo Razuk, apontado como líder do grupo, teria movimentado expressivamente mais de R$ 100 milhões em um período de aproximadamente seis meses. A suspeita é que o esquema envolvia a realização de rifas ilegais, com um faturamento estimado em cerca de R$ 1,9 milhão por sorteio, sendo que uma ou duas rifas eram realizadas semanalmente.
Durante a ação policial, foram apreendidos mais de 20 veículos de luxo, com um valor total estimado em mais de R$ 20 milhões. Parte significativa desses automóveis apareceu nas postagens de vídeo de Razuk na véspera da operação, evidenciando uma conexão direta entre a ostentação e os bens que viriam a ser recolhidos pelas autoridades.
Histórico de polêmicas e investigações
O histórico de Eduardo Razuk já vinha sendo monitorado, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS. Além das rifas sob suspeita de ilegalidade, o influenciador acumula registros de infrações de trânsito, apreensões de veículos e disputas judiciais. Suas publicações nas redes sociais frequentemente exibiam carros de luxo, reforçando a imagem de um estilo de vida extravagante.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a exibição de bens de alto valor era uma constante nas postagens de Razuk, levantando questionamentos sobre a origem lícita de seus rendimentos. A investigação policial busca desarticular uma rede que, segundo as autoridades, operava de forma criminosa.
Defesa alega legalidade das operações
Em nota, os advogados de Eduardo Razuk e de seu irmão Rafael, Tiago Bunning e Heitor Matos, afirmaram que não houve qualquer irregularidade nas atividades de seus clientes. Segundo a defesa, as operações financeiras e os sorteios realizados eram legalizados, devidamente documentados e conduzidos de maneira lícita. A defesa se pronunciou após a deflagração da operação policial e a prisão dos investigados.
Apesar das alegações da defesa, a Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão do esquema e a possível participação de outras pessoas. O caso chama a atenção para a forma como influenciadores digitais utilizam suas plataformas para promover negócios que, em alguns casos, podem configurar atividades ilegais, como apontam as investigações. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a ostentação em redes sociais pode ser um indicativo de movimentações financeiras ilícitas, como aponta a Polícia Civil neste caso.

