Venezuela fecha acordos de petróleo com EUA e envia metade da produção para norte

A Venezuela firmou acordos estratégicos com empresas americanas, Hunt Oil e SLB, para a exploração e estudo de campos de petróleo. Paralelamente, um oficial de energia dos Estados Unidos revelou que aproximadamente metade da produção de petróleo venezuelana, estimada em cerca de 1,25 milhão de barris por dia, está sendo enviada para refinarias americanas. Essa movimentação ocorre em um momento em que o Banco Central da Venezuela reportou um crescimento econômico de 7,14% no segundo trimestre, embora a veracidade dos dados seja questionada por não haver fontes independentes de verificação.

Acordos de Petróleo com Empresas Americanas

O Ministro de Hidrocarbonetos da Venezuela, Paula Henao, anunciou oficialmente a assinatura de um contrato de produção com a Hunt Oil. Este acordo abrange dois campos terrestres de petróleo e gás localizados na região leste do país, incluindo o campo de Carito. Trata-se de um contrato de participação, o que significa que a Hunt Oil receberá uma parcela da produção em vez de uma taxa fixa.

Um segundo acordo foi estabelecido com a SLB, antiga Schlumberger, uma renomada empresa de serviços para campos de petróleo. Henao descreveu este como um acordo-quadro para estudos integrados de reservatórios em todo o território venezuelano. É importante notar a distinção: um estudo de reservatório é um contrato de serviços, diferente de um acordo de partilha de produção ou uma certificação de reservas.

Nem a Hunt Oil nem a SLB divulgaram suas próprias versões dos acordos até o momento. Todas as informações sobre os termos foram fornecidas pelo ministério venezuelano. Ambos os negócios ocorrem em conjunto com a PDVSA, a estatal petrolífera que detém as reservas do país. Embora o ministério tenha anunciado os acordos, a operação dos campos permanece sob a responsabilidade da PDVSA.

Fluxo de Petróleo para os Estados Unidos

Kyle Haustveit, vice-secretário adjunto de energia dos Estados Unidos, informou que o volume de petróleo venezuelano enviado para o norte ultrapassa 500.000 barris por dia. Essas declarações, divulgadas pela Reuters, referem-se aos fluxos nos últimos meses, e não a remessas isoladas ou projeções anuais. Ele estimou que esse volume representa aproximadamente metade da produção total da Venezuela, que seria de cerca de 1,25 milhão de barris diários.

A razão prática para esse comércio residir na capacidade específica das refinarias americanas, localizadas principalmente na Costa do Golfo, de processar o petróleo pesado venezuelano. Poucos outros locais no mundo possuem essa infraestrutura. A concentração de metade da produção nacional sendo enviada para um único comprador representa não apenas uma recuperação, mas também uma vulnerabilidade significativa para a Venezuela, tornando o país dependente de decisões de licenciamento por parte de Washington.

Crescimento Econômico e Fontes de Dados

O Banco Central da Venezuela divulgou que a economia do país cresceu 7,14% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2025. O setor de petróleo registrou um aumento de 9,10%, enquanto a atividade não petrolífera cresceu 5,79%. Segundo o banco, este é o 21º trimestre consecutivo de crescimento econômico na Venezuela, uma informação repetida pela vice-presidente em exercício, Delcy Rodríguez.

É crucial observar que essas informações provêm de instituições com interesse direto nos resultados. O Banco Central da Venezuela deixou de publicar contas nacionais por vários anos, e não existem séries de dados independentes para verificar os números apresentados. Portanto, os dados devem ser interpretados como uma reivindicação do governo, e não como uma medição objetiva e verificada. O detalhamento do crescimento entre setores petrolíferos e não petrolíferos é notável, pois atribui o avanço a ambas as áreas, o que fortalece a narrativa para além de um simples rebote impulsionado pelo preço do petróleo.

O Retorno do Comércio de Petróleo

A Venezuela esteve sob sanções americanas que a excluíram do mercado dos EUA por anos. Recentemente, licenças emitidas reabriram partes desse comércio. Os novos acordos com a Hunt Oil e a SLB seguem um memorando de entendimento assinado entre a Venezuela e a SLB em Caracas, em junho. A necessidade de capacidade de refino específica para o petróleo pesado venezuelano é o principal motor para a retomada desses laços comerciais com os Estados Unidos.

O Que as Informações Não Revelam

É importante ressaltar que nenhum dos anúncios divulgados inclui dados sobre reservas de petróleo, valores de investimento ou metas de produção. Os termos contratuais detalhados não foram publicados pelo ministério, e as empresas envolvidas tampouco divulgaram suas próprias versões dos acordos. Tudo o que se sabe até agora emana do lado venezuelano. Além disso, não há um cronograma definido para quando os acordos começarão a gerar resultados concretos, permanecendo tudo em aberto.

Para investidores que acompanham a região, é um sinal positivo que empresas americanas estejam dispostas a firmar novos contratos. A produção venezuelana tem se recuperado de um ponto historicamente baixo, atingindo 1,25 milhão de barris por dia, o que representa uma recuperação real, embora ainda esteja bem abaixo dos níveis de duas décadas atrás. O principal risco para os investidores reside na possibilidade de a permissão que viabiliza esses acordos ser retirada pelas autoridades americanas, conforme o Campo Grande NEWS checou. Essa dependência de decisões políticas em Washington é um fator de incerteza significativa, como pode ser observado em análises recentes divulgadas pelo Campo Grande NEWS. A dinâmica do mercado de petróleo é complexa, e a situação venezuelana reflete isso, algo que o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto.