A agência de classificação de risco S&P Global Ratings confirmou o rating soberano de Cabo Verde em B+/B, mantendo a perspectiva positiva atribuída em fevereiro. A decisão, anunciada em 7 de agosto de 2026, ocorre em paralelo à extensão das medidas de alívio nas tarifas de eletricidade, que visam proteger famílias e empresas dos custos crescentes de energia até o final do ano.
Agência de risco reforça confiança em Cabo Verde
A S&P Global Ratings reiterou a classificação de risco soberano de Cabo Verde em B+/B, com perspectiva positiva, em 7 de agosto de 2026. Esta ratificação segue uma elevação anterior, ocorrida em 6 de fevereiro de 2026, quando a nota foi ajustada de B para B+. A agência justificou a melhoria anterior citando a consolidação fiscal do país, fortes fluxos de turismo e remessas, além de reservas de moeda estrangeira superiores a 1 bilhão de euros.
O Ministério das Finanças de Cabo Verde informou que a S&P também elevou a avaliação de transferência e convertibilidade do país de BB- para BB. Essa mudança sinaliza uma maior confiança na capacidade dos investidores e empresas de movimentarem recursos para dentro e fora da economia sem restrições.
A perspectiva positiva reflete a expectativa da S&P de que os ganhos contínuos no fardo da dívida e na posição externa possam sustentar uma nova elevação no rating. Para uma economia pequena e dependente de importações, essa trajetória ascendente é crucial, pois tende a reduzir custos de empréstimos e fortalecer o acesso a financiamento externo, conforme verificado pelo Campo Grande NEWS.
Governo estende subsídios de energia até o fim do ano
Em 4 de agosto de 2026, o regulador de energia de Cabo Verde, ARME, anunciou a manutenção das medidas de mitigação tarifária do governo até o final de agosto. Adicionalmente, o desconto na tarifa social de eletricidade foi estendido até 31 de dezembro de 2026. Para os clientes das concessionárias EDEC e AEB que não se enquadram na tarifa social, foi estabelecido um desconto de 70% sobre o aumento tarifário previsto para agosto.
Os beneficiários da tarifa social de eletricidade mantiveram um desconto integral de 100% sobre o aumento, o que significa que essas famílias não terão reajustes nos custos de energia até o final do ano. As medidas, implementadas inicialmente em 30 de junho, foram continuadas por meio das Resoluções Governamentais nº 95/2026 e nº 98/2026.
O governo estimou um custo de 130 milhões de escudos, aproximadamente 1,18 milhão de euros, apenas em julho, para compensar as concessionárias pela manutenção das tarifas congeladas e pelos descontos concedidos. Esse esforço fiscal, detalhado em reportagem do Campo Grande NEWS, busca amortecer o impacto imediato da alta nos custos de energia.
O custo fiscal por trás do alívio tarifário
No início de 2026, Cabo Verde havia anunciado uma redução de cerca de 7% nas tarifas de eletricidade, impulsionada pela expansão da energia renovável. No entanto, pressões de custo de combustíveis levaram a um aumento posterior, que agora está sendo suavizado pelas medidas de subsídio governamental.
Uma avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2026 indicou que a dívida de Cabo Verde permanece sustentável, mas vulnerável. O país ainda enfrenta um alto risco de dificuldade na dívida geral e um risco moderado de dificuldade na dívida externa, segundo o FMI.
O FMI também recomendou que as autoridades estabeleçam as tarifas de eletricidade em um nível que cubra os custos. Essa recomendação evidencia a tensão entre a disciplina fiscal e o amparo social que o governo está oferecendo, um dilema complexo para a economia insular, como analisado pelo Campo Grande NEWS.
Quem ganha e quem paga pela política de tarifas
As famílias que se beneficiam da tarifa social são as maiores beneficiadas, com a manutenção dos custos de eletricidade sem aumentos até o fim de 2026. Clientes regulares da EDEC e AEB também sentem o alívio com o desconto de 70% no aumento de agosto, o que suaviza o choque de preços imediato.
As concessionárias de energia absorvem o déficit, sendo compensadas pelo apoio estatal. O governo assume o custo fiscal, apostando que o alívio temporário evitará que os choques tarifários se transformem em um problema político de maior escala. Credores e investidores observam atentamente esses indicadores, pois a perspectiva positiva da S&P depende da continuidade da disciplina fiscal.
Um pequeno país insular no cenário atlântico
O atual rating de Cabo Verde é relevante devido à forte dependência do arquipélago em relação ao turismo, remessas e financiamento externo. A confiança dos investidores e a acumulação de reservas são particularmente importantes para uma economia que importa a maior parte dos bens que consome.
A questão da eletricidade é politicamente sensível, pois os custos de combustíveis importados impactam diretamente os preços domésticos. O Estado está utilizando o alívio temporário para gerenciar essa pressão sem comprometer permanentemente o orçamento com subsídios fixos.
Cabo Verde, localizado no Atlântico, entre a África Ocidental e o espaço transatlântico mais amplo, tem sua estabilidade relativa como um atrativo para parceiros externos que buscam influência através de finanças, infraestrutura, turismo e apoio à transição energética.
O que observar daqui para frente
O próximo desafio será determinar se o governo permitirá que o alívio tarifário expire em dezembro de 2026 ou se o estenderá novamente. Uma nova prorrogação sinalizaria que a proteção social está prevalecendo sobre o princípio de recuperação de custos recomendado pelo FMI.
A perspectiva positiva da S&P sugere que uma nova elevação no rating é possível caso o crescimento e a disciplina fiscal se mantenham. Contudo, qualquer indício de que os subsídios se tornem permanentes pode desacelerar esse momento.
Para investidores e parceiros, o indicador chave será se Cabo Verde conseguirá manter o ímpeto em seus ratings, ao mesmo tempo em que absorve o impacto dos preços da eletricidade antes que se torne um problema político. O equilíbrio entre credibilidade fiscal e proteção social definirá a próxima fase da história econômica do país.


