Manter um jovem infrator em unidades de internação custa R$ 14 mil por mês, valor superior à mensalidade de um curso de Medicina. A comparação foi feita pelo Secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, para reforçar a tese de que o investimento em educação e prevenção é a forma mais barata e eficaz de promover a segurança pública. Ele também ressaltou que cada preso no sistema prisional representa uma despesa de R$ 2,7 mil mensais.
Investir em educação é a chave para segurança pública barata
O Secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, apresentou dados alarmantes sobre os custos da segurança pública no estado. Segundo ele, a manutenção de um adolescente em uma unidade educacional de internação (Unei) chega a R$ 14 mil mensais. Este valor, conforme destacado por Videira em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, supera o custo de uma mensalidade em cursos de graduação em Medicina. A comparação serve para ilustrar o ponto de que investir em educação e prevenção é significativamente mais vantajoso do que focar apenas na repressão e punição.
Videira também revelou que cada detento no sistema prisional sul-mato-grossense custa, em média, R$ 2,7 mil por mês. Esses números evidenciam a necessidade de repensar as estratégias de segurança pública, priorizando ações que evitem a entrada de jovens e adultos no mundo do crime. O Secretário defende que a educação é a ferramenta mais barata para garantir a tranquilidade da sociedade a longo prazo.
O alto custo do sistema prisional e o tráfico de drogas
A situação prisional em Mato Grosso do Sul é agravada pelo alto índice de detentos ligados ao tráfico de drogas. O Secretário estima que 40% dos presos no estado estão envolvidos com o narcotráfico. Essa realidade é influenciada pela posição geográfica estratégica do estado, que faz fronteira com Bolívia e Paraguai, tornando-se uma rota principal para o escoamento de entorpecentes.
A proximidade com países produtores de drogas e a divisa com outros estados brasileiros atraem organizações criminosas e indivíduos ligados a elas. De acordo com o Secretário, metade dos presos em Mato Grosso do Sul são de outros estados, o que demonstra a complexidade do problema e a necessidade de cooperação entre as unidades federativas. A demanda por novas vagas prisionais é urgente, com uma estimativa de 10 mil novas vagas necessárias, o que demandaria um investimento aproximado de R$ 600 milhões para a construção de 25 novas unidades.
Facções criminosas e o aumento da violência
A atuação de facções criminosas em Mato Grosso do Sul tem sido um dos principais vetores do aumento da violência no estado. A disputa por territórios e poder entre essas organizações tem resultado em confrontos e mortes. Videira mencionou que 94 pessoas já morreram em confrontos este ano, um reflexo direto da intensa movimentação e resistência de criminosos. O Secretário assegura que as forças de segurança agem com firmeza para manter a ordem, negando o uso desproporcional da força policial.
Um episódio recente em Cassilândia, onde um adulto e uma criança de 3 anos foram mortos em uma briga entre facções, ilustra a gravidade da situação. Videira ressaltou que a persistência de conflitos como esse gera um clima de insegurança terrível para a população. Ele enfatizou a importância de manter o controle para evitar que a sociedade seja mais afetada por essas disputas violentas, conforme apurado pelo Campo Grande News.
Prevenção de feminicídios passa pela educação desde a infância
No combate à violência contra a mulher, o Secretário Antônio Carlos Videira também aponta a educação e a prevenção como caminhos essenciais para erradicar o feminicídio. Mato Grosso do Sul já registrou 20 mortes de mulheres por seus companheiros ou ex-companheiros neste ano. Para Videira, é fundamental que o tema da violência doméstica seja abordado desde a infância, ensinando meninos a não se tornarem agressores e meninas a identificar e evitar relacionamentos tóxicos.
O Secretário defende a ampliação dos canais de denúncia e de apoio às vítimas de violência doméstica como parte crucial dessa estratégia. Ele citou um caso recente em Jardim, onde um idoso matou a esposa após uma discussão, alegando que ela

