A curiosidade sobre as próprias origens levou Pietro Nabhan, um estudante de 17 anos, a desvendar um fascinante elo familiar que atravessa séculos e continentes. O que começou como um interesse pessoal, alimentado por histórias ouvidas em casa, culminou na descoberta de uma conexão entre seu sobrenome e uma antiga dinastia do Oriente Médio, além de sua profunda ligação com a formação de Mato Grosso do Sul. Essa jornada de pesquisa, conforme divulgada pelo Campo Grande NEWS, demonstra como o passado pode se entrelaçar com o presente de maneiras surpreendentes.
O jovem Pietro Nabhan, residente em Mato Grosso do Sul, dedicou-se a investigar a história de sua família, descobrindo um parentesco com a dinastia Nabânida, que historicamente governou Omã entre os séculos XII e XVII. A família, com raízes no Líbano, iniciou sua jornada migratória para o Brasil no final do século XIX. Foi no território sul-mato-grossense que seu bisavô, Neif Jorge Nabhan, desempenhou um papel significativo como juiz de paz, contribuindo para a consolidação da presença da família na região. Para Pietro, a verdadeira nobreza reside na coragem e na resiliência de seus antepassados ao recomeçarem suas vidas em um novo país.
A centelha da curiosidade e a descoberta online
A pesquisa de Pietro não partiu de um achado totalmente inédito, mas sim de um profundo desejo de compreender o que já existia e se perdia nas memórias. “Meu envolvimento com essa história começou quando passei a estudar o que estava disponível publicamente na internet”, revela o estudante. Navegando por PDFs, artigos e registros históricos, ele se aprofundou na trajetória da influente dinastia Nabânida. Essa busca online complementou as narrativas familiares, ampliando o horizonte de seu conhecimento.
Antes mesmo da imersão digital, o interesse pela ancestralidade já era cultivado no ambiente familiar. Pietro relata que o fascínio inicial surgiu a partir de conversas com sua mãe. Posteriormente, a participação em grupos familiares na internet expandiu ainda mais seu engajamento. “Fiquei cada vez mais interessado em preservar as histórias familiares para que não se percam com o tempo”, confessa, evidenciando a importância que a preservação da memória familiar tem para ele.
Jahjah Nabhan, o elo com o Brasil
Dentro dessa linhagem histórica, o nome de Jahjah Nabhan emerge como um elo crucial entre o passado distante e a realidade presente da família no Brasil. Ao lado de sua esposa, Chames, ele é reconhecido como um dos fundadores do ramo brasileiro da família. “Registros familiares e dados de plataformas genealógicas apontam que Jahjah era alfaiate e descendia de ramos colaterais”, explica Pietro, detalhando a origem de seu ancestral.
A família Nabhan residiu no Líbano antes de empreender a migração para o Brasil, um movimento que ocorreu entre o final do século XIX e o início do século XX, em sintonia com o fluxo de árabes em busca de novas oportunidades e de um futuro promissor. Ao chegarem a Mato Grosso do Sul, foi o bisavô de Pietro, Neif Jorge Nabhan, quem desempenhou um papel fundamental na consolidação da presença da família. “Ele foi uma figura central na nossa região, fixando-se no interior do Estado, onde exerceu a função pública de juiz de paz”, relata Pietro sobre seu antepassado.
Resiliência e integração em terras sul-mato-grossenses
A partir de Neif Jorge Nabhan, os descendentes se espalharam por diversas cidades do estado, como Rochedo, Corguinho e Coxim, construindo novas histórias e consolidando suas raízes. A adaptação ao novo país, segundo Pietro, seguiu o caminho comum de muitas famílias imigrantes, marcado por desafios e superações. “Envolveu muito trabalho e resiliência para superar a barreira do idioma e os desafios do interior do país”, afirma, destacando a força e determinação necessárias para a integração.
Com o passar do tempo, a família Nabhan se integrou profundamente à vida local, prosperando e crescendo em número e influência. “A família encontrou no antigo Mato Grosso uma terra acolhedora. Os descendentes de Neif Jorge integraram-se rapidamente à vida social e econômica, formando linhagens numerosas. Meu próprio avô teve nove filhos, e a família se expandiu por municípios como Rochedo, Corguinho e Coxim”, conta Pietro, evidenciando a vitalidade e a expansão do clã.
Tecnologia a serviço da memória familiar
Atualmente, parte dessa rica história familiar é preservada e acessível com o auxílio da tecnologia. “Existem aplicativos gratuitos de genealogia onde qualquer cidadão pode pesquisar seus próprios ancestrais”, explica Pietro, ressaltando a democratização do acesso à informação genealógica. No caso específico da família Nabhan, a árvore genealógica já havia sido organizada por outros membros da família antes de sua pesquisa. “Quem salvaguardou tudo isso foram inúmeros membros da família espalhados pelo Brasil. Eu apenas consultei”, completa, reconhecendo o esforço coletivo na preservação da memória.
Apesar da conexão com uma antiga e notável dinastia, Pietro Nabhan prefere relativizar o peso desse passado grandioso. Para ele, o valor maior reside na trajetória construída no Brasil, um testemunho de trabalho árduo e dedicação. “O mérito real pertence a quem veio antes de mim, meu bisavô, que atuou como juiz de paz, meu avô, que foi vereador em Coxim, e outros ramos da família. A nobreza não está em títulos do passado, mas na coragem de recomeçar a vida no Brasil e ajudar a construir Mato Grosso do Sul”, conclui com sabedoria, conforme o Campo Grande NEWS checou. A história de Pietro e sua família é um lembrete inspirador de que as raízes mais profundas são muitas vezes forjadas na perseverança e na construção de um futuro.

